Cerca de 30% da eletricidade consumida no Reino Unido vem de centrais a carvão – o mais poluente dos combustíveis fósseis. Encerrá-las terá um efeito positivo na redução de emissões de CO2, o principal gás que está a acelerar o aquecimento do planeta.

Mas a sua substituição por centrais a gás natural – muito menos poluentes, mas ainda assim emissoras de CO2 – é criticada. “Trocar o carvão pelo gás natural é como alguém que troca duas garrafas de whisky por duas de vinho do Porto”, disse Simon Bullock, diretor do programa da organização ambientalista Amigos da Terra para a área da energia e alterações climáticas.

A aposta nas centrais a gás segue-se a cortes nos subsídios à produção elétrica renovável em parques eólicos, centrais solares e a partir da queima de biomassa. O Governo argumenta que o custo da tecnologia já caiu substancialmente e que os subsídios às renováveis pesam desnecessariamente na fatura da eletricidade para o consumidor final.

Amber Rudd disse, esta quarta-feira, que o Governo quer um sistema energético focado no consumidor e no mercado concorrencial. “Precisamos dar um sinal claro a quem está no mercado de que o carvão não vai impedir novas centrais a gás”, afirmou, citada pela BBC.

A prioridade do Governo é ter um sistema que garanta a segurança energética, a preços acessíveis à população. Um relatório, também divulgado esta quarta-feira, lança um alerta para a fragilidade da rede elétrica do país. Sem medidas urgentes, em 2016 a capacidade de produção elétrica pode vir a ser inferior ao consumo, segundo o estudo realizado pelo Centro de Estudos Políticos, uma organização ligada ao Partido Conservador.

Para fazer face às previsões de aumento no consumo elétrico, o Reino Unido também quer mais centrais nucleares. Neste momento, há uma central já aprovada pelo Governo, em Hinkley Point, no Sudoeste do país, e duas em projeto, uma no País de Gales e outra na região de Cúmbria, no norte de Inglaterra.