Museu da Marinha em Faro, uma montra da cultura do mar, está fechado há seis meses

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Museu Marítimo Almirante Ramalhe Ortigão

O Museu Marítimo almirante Ramalho Ortigão, em Faro, reabre até final do ano após seis meses de encerramento. O espaço museológico, quase desconhecido pelos algarvios, sofreu um incêndio mas o espólio não foi afetado. Os visitantes, cerca de 3 mil por ano, são sobretudo estrangeiros que procuram conhecer as artes da pesca, que ali estão expostas, bem como outros elementos da identidade cultural de uma região que se virou para o turismo e desvalorizou o passado e a memória.

O comandante da Zona Marítima da Sul, Paulo Isabel, lamenta, mas não se surpreende com o facto dos “algarvios quase não conhecerem o museu”. À fraca divulgação e à ausência de um acompanhamento técnico e científico, admite, junta-se o facto de ter a gestão dependente de uma estrutura militar, vocacionada para outras áreas. Situa-se no edifício da capitania de Faro, junto à doca, mas só lá vai quem o procura por interesse específico ou os visitantes estrangeiros em busca da identidade da região. “Nas reuniões com as entidades locais, defendi que este museu deveria ser instalado num espaço próprio, pois não é bem esta a nossa vocação”, diz o comandante Paulo Isabel. O oficial da marinha, que por inerência é diretor do museu, justifica: “Ao fim-de-semana, por exemplo, não temos capacidade para ter o museu aberto”. As entradas têm o preço simbólico de um euro.

Deste museu criado em 1889 – o mais antigo do Algarve – destaca-se uma colecção de modelos de redes, aparelhos e barcos de pesca, mandados construir pelo hidrógrafo António Baldaque da Silva. Por outro lado, é de realçar, também, o material de bordo e quadros a óleo representando peixes, moluscos e crustáceos. Mas é uma maquete sobre uma antiga armação de atum que sobressai do conjunto das peças expostas.

No passado mês de Maio, um incêndio que deflagrou no primeiro andar do edifício da capitania, acabou por lançar fumo em todo o espaço museológico, obrigando ao seu encerramento. Porém, a estrutura militar continuou operacional. Os trabalhos de recuperação, já adjudicados, vão custar cerca de 50 mil euros. A biblioteca científica de Sebastião José da Costa, cujos vidros das janelas rebentaram na sequência do calor produzido pelas chamas, não foi afetada, mas só agora é que vai ser limpa e reaberta ao público. O incêndio, ocorrido durante a noite, foi detetado pelo pessoal militar que fazia a ronda ao edifício. O alarme foi dado pelo som dos vidros a estilhaçar. Ao abrirem as portas, soltou-se o fumo negro e espesso acumulado no interior, e a entrada só possível depois da intervenção dos bombeiros.