Empresas portuguesas não são para jovens

Contratos sem termo passaram a ser um 'sonho' para os trabalhadores mais novos. Ajustamento económico teve efeitos visíveis no mercado laboral, principalmente para quem tem menos anos de trabalho.

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Jovens encontram inúmeras dificuldades no Mercado de Trabalho

A vida dos jovens portugueses no mercado laboral está cada vez mais difícil. O programa de resgate obrigou a reformas estruturais e os efeitos na estabilidade profissional são cada vez mais claros, com os mais novos a serem os ‘alvos’ principais da menor aposta nos contratos sem termo.

Segundo os números do INE, a realidade é mais preocupante hoje em dia do que há quatro anos. No início de 2011, cerca de 42% dos funcionários com menos de 24 anos estavam integrados nos quadros das empresas, um número que caiu para apenas 30% no final do terceiro trimestre deste ano.

Olhando mais para trás, a queda torna-se particularmente grave: em 1998, a percentagem de jovens com contratos sem termo chegava aos 66% dos funcionários por conta de outrem. O impacto das alterações no mercado laboral atingiu os mais novos de forma menos proporcional do que os mais velhos, uma tendência que se torna clara ao olhar para os números globais.

Nos trabalhadores entre os 25 e os 34 anos, a percentagem de presenças no quadro das empresas está nos 66%, apenas menos 3% do que em 2011. Para os funcionários com mais de 45 anos a diferença foi de um ponto percentual e entre os 35 e os 44 anos, não houve qualquer alteração.

Se a precariedade aumentou, nos salários o panorama é muito semelhante desde há quatro anos. A quantidade de jovens a ganhar menos de 900 euros continua perto dos 80% e para quem perde o trabalho, o destino continua a ser o desemprego de longa duração ou um contrato com salário mais baixo.