Putin alerta Turquia de que “reagirá” se houver mais incidentes

O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu hoje que, depois do derrube do avião russo na fronteira turco-síria na terça-feira, se houver novos incidentes com a Turquia, Moscovo reagirá de "uma outra forma".

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Vladimir Putin

Putin disse à imprensa que a Rússia vai tomar todas as medidas necessárias para proteger no futuro o seu contingente aéreo que participa na operação antiterrorista síria, incluindo os sistemas de defesa antiaérea na base onde estão os aviões russos.

O presidente russo advertiu ainda para o facto de que o derrube do avião “terá graves consequências para as relações russo-turcas” e recomendou aos cidadãos russos que não se desloquem à Turquia, um dos seus destinos turísticos favoritos.

“Os nossos cidadãos que estão na Turquia podem correr um sério perigo”, disse Putin em declarações à imprensa na cidade de Nizhni Taguil.

De acordo com Vladimir Putin, as atuais autoridades da Turquia promovem há anos a islamização do seu país e apoiam as correntes religiosas mais radicais.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros Serguei Lavrov já tinha desaconselhado na terça-feira viagens à Turquia devido à ameaça terrorista.

Por sua vez, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse hoje que a Turquia não tem a intenção de aumentar a tensão com a Rússia depois de ter derrubado um avião militar russo, mas salientou que vai proteger as suas fronteiras e a comunidade turca na Síria.

“Não podem esperar que fiquemos quietos quando estão a violar continuamente a nossa segurança fronteiriça, mas não temos nenhuma intenção de aumentar a tensão”, disse.

Erdogan disse que o avião derrubado estava a violar o espaço aéreo turco depois de muitas advertências.

Dois caças-bombardeiros F-16 abateram um SU-24 russo por este ter violado o espaço aéreo turco dez vezes num período de cinco minutos, ao longo da fronteira com a Síria, ignorando todas as advertências.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assegurou que o SU-24 não ameaçava a Turquia e que sobrevoava território sírio, a quatro quilómetros da fronteira, e advertiu que a “facada nas costas” vai ter “consequências sérias” nas relações entre os dois países.