A importância da língua portuguesa

OPINIÃO, Jeane Zaccarão, Administradora da Digitalis.

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É inquestionável a aproximação proporcionada pela partilha de uma mesa língua materna. Produz entre pessoas, entidades e instituições, sinergias e pontos em comum que aproximam. No contexto do tecido empresarial português, a língua portuguesa é, frequentemente, o maior aliado de que as pequenas, médias ou grandes empresas dispõem para a implementação das suas políticas de internacionalização além-fronteiras.

Sou empresária e fundei há 20 anos a Digitalis em Portugal. Sou natural do estado de Santa Catarina no Brasil e tenho atualmente a dupla cidadania. Chegada a Portugal com vinte e poucos anos de idade e um curso de Ciências da Computação da Universidade Federal de Santa Catarina, falar a língua nativa do país que me iria acolher nas próximas décadas foi fundamental para ultrapassar as barreiras e dificuldades iniciais. Foi, sem dúvida, um fator de auxílio importantíssimo para que ultrapassasse o deparar-me com uma nova cultura que, embora semelhante, é diferente o suficiente para que o esforço de adaptação exista, de fato.
Vinte e poucos anos passados, a larga maioria dos quais enquanto empresária e gestora da Digitalis, empresa líder de mercado em sistemas de informação no ensino superior, a língua portuguesa não só não perdeu importância como parece ganhá-la cada vez mais e a cada dia que passa. Foi instrumental nas estratégias da Digitalis para a internacionalização do nosso produto SIGES em Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné desde 2008 e, mais recentemente, na minha terra natal, no Brasil. As empresas que fazem da sua atividade a produção de software conhecem bem das dificuldades de se fazer uma localização eficaz de software para que este esteja pronto para mercados além-fronteiras. Passa não só pela adaptação de aspetos técnicos e funcionais e pela introdução de novas normas legais, fiscais e legislativas, mas também, não menos importante, pelos ajustes necessários na forma de comunicar com utilizadores e consumidores.
A língua não é meramente um modelo canónico de comunicação, um veículo de transporte de ideias e conteúdos. Por detrás da língua está uma também uma forma comum de pensar, contém genes de uma estrutura de pensamento que a língua nos trás. Essa forma semelhante de pensar e o subsequente entendimento que a língua proporciona àqueles que a têm em comum é, muitas vezes, aquilo que nos ajuda a ultrapassar dificuldades. E ajuda a criar compreensão, a decifrar o subtexto e o contexto, a estabelecer pontes com o próximo e empatias.
A ideia da lusofonia pode muito bem ser uma construção, tal como o próprio nome indica, lusa. Poderá muito bem ser que, admitidamente, não seja vista sob o mesmo prisma em territórios fora de Portugal. Mas quer lhe chamemos lusofonia ou não, é inegável a herança comum que nos proporciona. Falar a mesma língua e aproveitar parcelas de uma herança cultural e social comum é algo que terá tido, raras vezes na história de Portugal, tanta importância como hoje. Na Digitalis, é uma variável presente em todas as decisões de gestão que tomamos e que muito nos auxilia na obtenção dos resultados de excelência que temos conseguido nessas duas décadas de existência.