Em 1955 um grupo de médicos portugueses dedicado primordialmente à anestesia e acreditando no futuro da especialidade fundou a Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, alcançando assim o desígnio porque lutava há alguns anos, uma vez que em 1949 lhes foi recusada a criação de uma sociedade autónoma, porque a especialidade não estava reconhecida pela Ordem dos Médicos.
Logo em setembro, a SPA fez-se representar no World Congress of Anesthesiologists realizado na Holanda. Durante este Congresso, foi criada a World Federation of Societies of Anaesthesiologists, de que a SPA foi uma das 26 sociedades nacionais fundadoras.
Em novembro do mesmo ano, a SPA organizou a sua primeira Reunião Científica em Lisboa, com a participação de uma representação da American Society of Anesthesiologists.
Desde então, a SPA tem sido uma sociedade pioneira, dinâmica, inovadora, sempre em constante desenvolvimento.
Liderando a Anestesiologia em Portugal nas suas mais diversas áreas (medicina perioperatória, medicina da dor, medicina intensiva e de emergência) e tendo como palavra de ordem no exercício da sua profissão – Prevenir – a Sociedade tem como missão promover a segurança do doente, a qualidade dos cuidados anestesiológicos prestados e implementar a continuidade destes cuidados para melhorar o resultado final. Desenvolver e promover o desempenho profissional dos anestesiologistas portugueses, fortalecer, harmonizar e integrar a educação na prática clinica, estimular e facilitar a investigação e inovação são outros aspetos importantes da missão da SPA.
É através da organização de congressos, reuniões científicas nacionais e internacionais, cursos de reciclagem e aquisição/manutenção de competências, promovendo a formação contínua e a recertificação que a qualidade do desempenho profissional se mantém. A promoção e participação em reuniões de consensos e fóruns de discussão em determinadas áreas em colaboração com os vários stakeholders , outras sociedades médicas nacionais ou internacionais, colégio da especialidade da Ordem dos Médicos, entidades oficiais, sponsors é uma estratégia para promover a qualidade e segurança dos atos anestesiológicos.
“A sociedade tem procurado responder às necessidades dos Anestesiologistas portugueses nas diferentes vertentes da formação, prestando informação, constituindo-se palco de diálogo sobre temas importantes e dando resposta aos desafios que a especialidade enfrenta”, relata Rosário Órfão, presidente da SPA.

Papel do anestesiologista
Sendo a anestesiologia uma especialidade âncora transversal a quase todas as especialidades hospitalares a importância do anestesiologista foi crescendo cada vez mais ao longo dos anos tendo um papel fundamental no desenvolvimento da medicina e dos cuidados de saúde prestados no século XX.
A Anestesiologia atingiu em Portugal níveis de excelência, com profissionais de elevada qualidade e diferenciação que “ombreiam com os melhores a nível mundial com formação de grande credibilidade internacional”.
Inicialmente, a anestesia começou por permitir determinados atos cirúrgicos sem sofrimento para o doente, progressivamente foi-se alargando e, atualmente o anestesiologista realiza também analgesia de trabalho de parto, sedações e anestesias gerais necessárias para os exames de diagnóstico e terapêutica, etc
“O anestesiologista durante a intervenção é o “anjo da guarda” do doente. Temos que nos certificar que o doente mantém as suas funções vitais equilibradas de forma a continuar vivo e, no fim ter uma boa recuperação, nesse sentido temos que conhecer bem todos os fármacos, as várias patologias dos doentes e o procedimento de diagnóstico ou terapêutica realizado, cirúrgico ou não.
Durante o ato cirúrgico, em situações de maior ameaça à segurança e bem estar do doente, que ocorrem repentinamente, temos que atuar imediata e eficazmente o que faz com que tenhamos uma grande perícia na área da emergência e medicina intensiva, além do papel fundamental na medicina da dor”, explica a presidente.

Mitos e medos relacionados com complicações indesejadas
Apesar da formação dos anestesiologistas portugueses ter níveis de excelência comparáveis com os melhores centros europeus e da América do Norte e de toda a evolução tecnológica e farmacológica dos últimos anos a anestesia encontra-se, ainda, envolta em ideias erradas por parte da população. Para desmistificar estas noções menos corretas a SPA tem a preocupação de divulgar a especialidade tornando-a mais acessível para a população em geral e incentivando a participação ativa dos cidadãos.

Rosário Órfão
Rosário Órfão

Para isso, além da revista de Anestesiologia a SPA criou um site acessível e funcional para o público em geral; desde 2014 têm uma exposição com 24 painéis que tem percorrido os hospitais públicos e privados do país, com o objetivo de divulgar a especialidade para a população em geral; em 2012 promoveu a “Carta dos Direitos e Deveres do Cidadão e Anestesiologia” com o intuito de responsabilizar o cidadão a intervir ativamente nos cuidados que lhe são prestados, devendo para isso, estar informado e informar não omitindo nada ao anestesiologista”; em 2005 assinou a declaração de Helsínquia da Sociedade Europeia de Anestesiologia, que visa aumentar a segurança e a qualidade dos cuidados prestados com boa tecnologia, organização e uma boa cultura de segurança (protocolos, checklists).
A SPA tem ainda o projeto “Vou ser anestesiado” com duas vertentes: um cartão com os principais itens da informação prestada pelo doente, tais como alergias, medicação, antecedentes, entre outros, “o que vai facilitar sobretudo numa emergência quando o doente está inconsciente”. E ainda, a vertente de fornecer informação correta ao cidadão sobre as alternativas que este tem, tirando medos e esclarecendo dúvidas. “A sociedade ao abraçar este projeto pretende dar informação rigorosa, de qualidade e estandardizada para ver se conseguimos passar a mensagem, otimizar o mais possível o doente aumentando a segurança, elucida a presidente.

Congresso – Anestesiologia Líder em Medicina Perioperatória
Nos dias 10, 11 e 12 de março realizou-se no Hotel Eurostars Oasis Plaza, na Figueira da Foz, o Congresso da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, sob o tema Medicina Perioperatória (Organização, Monitorização, Outcomes e Dor Aguda Pós- Operatória).
Dirigido aos profissionais anestesiologistas e internos da especialidade, mas também com curso de divulgação da especialidade para os alunos da faculdade de medicina, o congresso, à imagem do que vem sendo hábito, foi um espaço de reunião e partilha de conhecimentos e de atualização nos principais temas da área de Anestesiologia.
No evento estiveram presentes pessoas relevantes para a especialidade, portugueses e não só, tal como Sue Hill coordenadora do Diploma Europeu de Anestesiologia e Medicina Intensiva da Sociedade Europeia de Anestesia, uma ferramenta de recertificação e Antoine Tesniére presidente da sociedade Europeia de Simulação aplicada à Medicina e Paulo Lemos, presidente do Colégio da Especialidade.

Projetos Futuros
Relativamente a projetos futuros pretendem reforçar a promoção da identidade da SPA, comunicar e tornar clara e evidente a relevância da anestesiologia no país, implementar ferramentas que permitam identificar e corrigir os fatores de risco perioperatório para melhorar o outcome, divulgar a missão da entidade junto dos stakeholders (cidadãos, colegas da especialidade e de outras especialidades, outros profissionais de saúde, entidades oficiais e sponsors), apostar na investigação e educação na área da segurança do doente, promover as atividades que têm vindo a realizar, cursos, congressos, fóruns de discussão em colaboração com os vários stakeholders, quer a nível nacional como internacional, fazer parte do processo de desenvolvimento de novas tecnologias para promover a segurança do doente e a qualidade dos cuidados prestados.
Vão continuar a privilegiar nas relações com outros países, a colaboração ativa com a Sociedade Europeia de Anestesiologia mas também com países de língua portuguesa, estando atualmente a promover o diploma europeu no Brasil. “Um número elevado de candidatos de língua portuguesa pode facilitar a realização futura do exame em Português, algo porque a atual direção tem pugnado”, esclarece Rosário Órfão.