Suspeito ligado a Lava Jato estava “escondido” em apartamento de luxo em Lisboa

Raul Schmidt, sócio do ex-diretor da Petrobrás, foi localizado pela Polícia Judiciária num apartamento de luxo no centro de Lisboa. "Estava verdadeiramente escondido", disse fonte da PJ ao Observador.

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A Polícia Judiciária deteve esta segunda-feira em Lisboa Raul Schmidt Felippe, sócio de um antigo diretor da Petrobras, no âmbito da operação Lava Jato. Schmidt estava em fuga do Brasil desde julho e estava “verdadeiramente escondido” num apartamento de luxo no centro de Lisboa, apurou o Observador junto de fonte policial.

A detenção, avança a Globo citando um comunicado do Ministério Público Federal, foi feita no cumprimento de uma carta rogatória emitida pelas autoridades brasileiras. “Uma investigação complexa e difícil”, segundo fonte da PJ ao Observador, que culminou na detenção do suspeito num apartamento avaliado em cerca de 3 milhões de euros. A operação contou com a participação de um procurador do Ministério Público brasileiro, uma procuradora portuguesa e um juiz português – assim como elementos da Polícia Judiciária portuguesa e da Polícia Federal brasileira.

Trata-se da primeira operação internacional realizada no âmbito do caso Lava Jato. De acordo com comunicado emitido pela Procuradoria da República no Estado do Paraná, Schmidt é investigado pelo pagamento de luvas aos ex-diretores da Petrobras Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada.

Raul Schmidt terá ainda facilitado a obtenção de contratos de exploração de plataformas daquela petrolífera a empresas internacionais. Brasileiro mas com dupla nacionalidade portuguesa, Schmidt vivia em Londres onde mantinha uma galeria de arte, tendo-se mudado para Portugal pouco depois do início da operação.

Segundo o comunicado do Ministério Público português, esta operação surge no pedido de colaboração feito pelas autoridades brasileiras no âmbito da Operação Lava Jato. “A Procuradoria-Geral da República já recebeu, das autoridades brasileiras, três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria. Uma já foi devolvida. As restantes encontram-se em execução”, refere o comunicado.

Uma das cartas rogatórias – o documento através do qual as autoridades de outro país solicitam e delegam nas autoridades portuguesas diligências de uma investigação – foi enviada em julho de 2015 e visava obter informações sobre um dos suspeitos investigados, o responsável máximo pela Diretoria de Serviços da Petrobras Renato Duque.

Tal como o Observador noticiou, visava identificar e apreender documentação, bloquear valores monetários depositados numa conta bancária do BANIF em nome de uma sociedade offshore chamada Kingstall Financial e repatriá-los para o Brasil. O Ministério Público brasileiro pretendia ainda confirmar o circuito do dinheiro que tinha tido origem numa offshore de Antígua e Barracuda (ilha do mar das Caraíbas), passando pelo Mónaco e por Portugal.