“Estaremos na minoria ao lado dos países que cumprem o nível de défice”

Ministro da economia foi convidado pela Bloomberg para falar sobre realidade do 'novo Portugal. Entre apelos aos mercados e garantias aos mais desconfiados, houve espaço para comentários sobre vários temas.

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A mudança de Governo e a situação política incomum pós eleições legislativas em Portugal tem sido alvo de grande curiosidade nos mercados. Curiosos para saber pormenores sobre as mudanças, os analistas procuram sinais do Executivo e em resposta, as televisões especializadas em economia têm enviado vários convites aos Ministros da Economia e das Finanças.

Depois da ‘digressão’ de Mário Centeno por vários órgãos de comunicação social estrangeiros, foi a vez de Manuel Caldeira Cabral visitar a Bloomberg, para descansar os investidores: “Estaremos na minoria, ao lado dos países que cumprem o nível de défice acordado no Pacto Orçamental, algo que é positivo e que transmite confiança”.

A recuperação das contas do Estado será conseguida, garante o Ministro da Economia, através de uma aposta no comércio externo e turismo, com uma economia mais robusta e mais evoluída: “Acho que virámos a página no crescimento, com um tipo de crescimento diferente: um crescimento baseado nas exportações, e centrado em áreas e setores diferentes nos quais podemos ser globalmente competitivos”.

Um dos sinais de alerta mais claros tem sido dado pela banca; a curiosidade tem sido despertada pelos problemas no Novo Banco e Banif e as respostas aos investidores não convenceram os mercados. Caldeira Cabral admite dificuldades, mas garante que o Governo está atento e espera melhorias em breve: “Estamos confiantes que esses problemas estão a ser resolvidos. Estamos a trabalhar nisso”.

Interrogado pelos jornalistas da televisão norte-americana, o Ministro da Economia mostrou confiança numa inversão das dificuldades dos últimos meses, que culminará numa aproximação aos títulos de dívida mais procurados na Europa: “O desempenho negativo dos últimos meses irá transformar-se num desempenho melhor ao longo dos próximos meses, porque o ‘spread’ (entre a dívida portuguesa e a dívida alemã) é demasiado alto e os mercados estão a começar a reconhecer isso mesmo”.

“O clima nos mercados aqueceu, era mais gélido quando estávamos em Davos”, ironizou, referindo-se à estância de ski onde se realiza todos os anos o Fórum Económico Mundial.