Um especialista norte-americano em comportamento animal e ciência dos animais, Jonathan Balcomb, defende numa coluna de opinião do New York Times que os peixes têm sentimentos.

Jonathan Balcomb, da Humane Society Institute for Science and Policy dos Estados Unidos, fundamenta a sua opinião num estudo publicado em março passado no Journal of Ethology. Na pesquisa, os investigadores filmaram raias manta gigantes a verificar os seus reflexos num grande espelho instalado no aquário onde vivem nas Bahamas.

As duas raias manta em cativeiro circularam em frente ao espelho, sopraram bolhas e realizaram movimentos corporais incomuns, como se estivessem a verificar a sua imagem refletida. As mantas não fizeram nenhuma tentativa óbvia de interagir socialmente com os reflexos, o que sugere que não estavam a confundir as imagens com outras mantas. Este comportamento sugere que podem ser auto-conscientes.

O “teste do espelho” tem sido amplamente utilizado pela comunidade científica como forma de tentar aferir o grau de auto-consciência de animais mas apenas um número reduzido de espécies, sobretudo primatas, passaram no teste. A utilização do “teste do espelho” é amplamente discutida entre os cientistas como forma de medir a auto-consciência das espécies, já que muitos alegam que se desconhece até que ponto os animais conseguem realmente “ver” as imagens que são refletidas.

Apoiado na sua experiência como biólogo especializado em comportamento animal que tem passado os últimos quatro anos a explorar a ciência sobre a vida de peixes e somando ao resultado do “teste do espelho” das mantas, Jonathan Balcomb, considera que se está a subestimar as capacidades de diversos vertebrados marinhos.

Jonathan Balcomb conclui que as evidências acumuladas até ao momento levam à conclusão inevitável de que os peixes pensam e sentem. Uma opinião em sintonia com o debate da semana passada no parlamento sobre o reconhecimento dos animais como seres sensíveis no Código Civil e no qual os partidos discutiram e aprovaram o enquadramento legal dos animais como “seres vivos dotados de sensibilidade”.

O etologista é também autor do livro “What a Fish Knows: The Inner Lives of Our Underwater Cousins” onde escreve que os peixes são “criaturas sensíveis que vivem vidas governadas pela cognição e percepção” baseando-se na sua própria experiência de investigação com peixes e em diversos estudos científicos levados a cabo por outros investigadores.