É o acessório que está a gerar mais controvérsia, entre tudo o que foi anunciado pela Apple na quarta-feira, na apresentação do iPhone 7. Os Airpods são os auscultadores in-ear (ou seja, para enfiar no pavilhão auditivo) com que a Apple quer dar um salto para um futuro sem fios e onde os smartphones não precisam da tradicional entrada áudio de 3,5mm. “Simples e sem fios. Parece magia” é o slogan da Apple para os Airpods, mas o receio de muitos especialistas é mesmo esse: que seja demasiado fácil fazê-los desaparecer, por “magia”, ou seja, perdê-los.

Pode ser um típico caso de “estranha-se, depois entranha-se” — a Apple já nos habituou a esse sentimento quando, por exemplo, abandonou as entradas para diskettes (floppy) nos seus Macs. Mas vários especialistas em design e analistas da Apple estão a colocar em causa o design dos novos auscultadores sem fios, que são a aposta da empresa de Tim Cook para convencer os consumidores de que os auscultadores tradicionais pertencem ao passado. A verdade é que os auscultadores in-ear estão longe de ser uma novidade, mas até aqui as marcas têm-se limitado a eliminar a necessidade de um fio entre o smartphone e os auscultadores — na maior parte dos casos, os dois auscultadores continuam a estar ligados por um fio, entre eles.

No caso dos Airbuds, os dois auscultadores são completamente independentes não só do aparelho emissor mas, também, entre si. Muito arriscado, comentaram logo vários observadores nas redes sociais.

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Nas redes sociais, as brincadeiras não tardaram: houve quem ainda nem os tenha comprado e já os tivesse perdido, quem tema que os Airpods vão perder-se no buraco negro para onde vão os bâtons meio-usados e, até, quem ache que os vai perder em menos tempo do que durou Cristiano Ronaldo na final do Campeonato Europeu de Futebol. Mas qual é o problema, afinal?

 

Uma das razões por que a maioria das marcas continua a ter um fio a unir os dois auscultadores (que é, normalmente, jogado para trás do pescoço) é que isso torna mais fácil utilizá-los. Se precisamos de os pousar para falar com alguém, basta deixá-los cair e eles ficam pendurados à volta do pescoço. Além disso, torna-se mais fácil “pescá-los” numa mala e, logicamente, torna-se mais fácil saber por onde andam.

Com os AirPods, que vão custar 179 euros em Portugal, não será assim. O utilizador terá de usar as duas mãos para segurar cada um deles quando os retirar dos ouvidos. E perdê-los facilmente pode não ser o único problema — nem o mais grave — dos AirPods. Houve, logo durante a apresentação da Apple, quem alertasse para o grande risco de que crianças ou animais possam engolir e sufocar com estes aparelhos.

A Apple não é a primeira marca a lançar auscultadores sem fios (entre os dois dispositivos). Como nota a Esquire, a Motorola e a Samsung também já enveredaram pelo mesmo caminho, com alguns modelos. A Apple tenta dar a volta a este problema levando os utilizadores a transportarem consigo, sempre, a pequena caixa que além de os guardar também inclui uma bateria interna que reforça a autonomia dos dois auscultadores.