“Estamos a brincar com fogo”. Especialista desaconselha uso de Airpods

Especialistas e investigadores alertam para os efeitos na saúde do uso de auriculares sem fios com Bluetooth, como os que a Apple vai começar a vender em breve.

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A decisão da Apple de abandonar os auscultadores comuns, trocando-os pelos auriculares sem fio AirPods, foi contestada por vários utilizadores e clientes. O principal argumento é que estes são fáceis de perder e são caros. Agora, mais um problema ameaça juntar-se à lista de críticas: os AirPods podem ser muito prejudiciais à saúde, segundo especialistas.

Os auriculares por bluetooth transmitem ondas de rádio de baixa intensidade e, ao longo do tempo, estas emissões constantes podem afetar a barreira hematoencefálica, uma camada protetora entre o sangue e o cérebro que protege este órgão de toxinas.

“Estamos a brincar com o fogo”, afirmou Joel Moskowitz, professor na Escola de Saúde Pública na Universidade da Califórnia em Berkeley, ao Daily Mail. “Porque é que alguém haveria de inserir dispositivos que emitem micro-ondas dentro dos ouvidos, ao lado de cérebro, quando há formas mais seguras de usar o telemóvel?”, perguntou.

“Eu recomendo essencialmente o uso do telefone com auscultadores ou em modo mãos livres, não com auriculares sem fios”, afirmou o professor Joel Moskowitz, focando-se especialmente na frequência emitida especialmente pelos dispositivos com Bluetooth.

Apesar de ainda não ter sido divulgada a frequência exata das ondas que os Airpod emitem, os engenheiros da Apple garantem quem esta não ultrapassa as normas da Comissão Federal de Comunicações, que regulam as telecomunicações e a difusão de rádio nos Estados Unidos.

Mais de 200 especialistas em saúde pública que estudam os efeitos dos campos eletromagnéticos argumentam, no entanto, que as normas da Comissão Federal de Comunicações são insuficientes para proteger o público, pois estabelecem limites diferentes dos aconselháveis.

A relação entre aparelhos com Bluetooth, como o telemóvel, e os efeitos negativos sobre o cérebro têm sido documentados nos últimos anos, mas ainda assim parece não haver nenhuma consequência prática, pois estes aparelhos continuam a ser produzidos e comprados.

“Isto tem sido observado ao longo de várias décadas”, continuou o investigador. “É como se nós estivéssemos sempre a descobrir que o Bluetooth é prejudicial e tentássemos esquecê-lo porque não sabemos como lidar com essa descoberta em termos de normas e políticas”, concluiu Joel Moskowitz.