UMA VIAGEM CULTURAL PELOS CASTELOS PORTUGUESES

A propósito do dia Nacional dos Castelos, que se celebrou a 7 de outubro, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Francisco Sousa Lobo, Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos (APAC) para ficar a conhecer um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido pela associação em prol do património fortificado português.

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A Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos – APAC foi edificada em 1983, tendo, desde esse período, vindo a fazer um trabalho meritório e fundamental, contribuindo para a conservação, protecção, divulgação e salvaguarda do património fortificado português. Quais são os principais pilares da instituição e que análise perpetua destas mais de duas décadas de existência?

Temos um grande ideal. Foram trinta e três anos de vida a criar e aperfeiçoar o sistema operacional. Ao fim de algum tempo concebemos uma estrutura interna baseada em três áreas: património, serviço educativo e visitas de estudo. Esta última atividade é a geradora de fundos que as cotas dos associados reforçam, conferindo um prudente equilíbrio financeiro. O ambiente de trabalho nas instalações é muito bom.

Um dos vossos grandes desideratos passa pela estimulação do estudo, investigação e interesse pelos castelos e fortalezas lusas. Acredita que esse caminho tem vindo a ser realizado? O que ainda falta?

A recolha de informações sobre o património histórico/militar é permanente. Temos um inventário que se alarga todos os anos. A biblioteca é dirigida por um voluntário muito competente que angaria em continuidade livros oferecidos por entidades públicas e privadas.

Acredita que atualmente existe uma maior consciência da importância do património fortificado português por parte do domínio público?

O ensino da fortificação e arquitetura militar é ministrado há muitos anos na Academia Militar e suas antecessoras.

Fui ali professor dessas fascinantes cadeiras, durante anos. Hoje já se ministra em várias universidades. Por outro lado, com a democracia, o país abriu-se ao exterior. As nossas viagens culturais pelos cinco continentes colocam os castelos e fortalezas portugueses sob nosso olhar direto!

Acredita que ainda faltam redes activas para a defesa dos vestígios materiais e imateriais do passado em Portugal? Qual o cenário actual?

Temos procurado, a par de outras entidades, conciliar esforços. Penso que o tempo corre a favor das pessoas e organizações que têm uma forte consciência do valor do património. As associações culturais ganham estreitando laços e trabalhando em rede. Isso acontece de uma forma crescente. Estamos bastante otimistas.

A sociedade em geral já começa a dar maior relevância para este tema? De que forma são fundamentais os mais jovens nesta promoção? A APAC tem promovido projetos educativos junto dos mais jovens?

Muitas autarquias têm tirado partido dos recintos fortificados situados nos seus concelhos. Cada castelo ou fortaleza deveria ter “um alcaide”, alguém que daria o alerta para os problemas que surgissem. A Direção Geral do Património é a entidade de tutela que tem desempenhado um bom papel, com o apoio das suas direções Regionais. Há muito a fazer o que exige uma convergência alargada de esforços.

No dia Nacional dos Castelos, que se celebrou a 7 de outubro, foi possível visitar gratuitamente vários castelos portugueses e conhecer um pouco mais da história destes edifícios emblemáticos da história portuguesa. Que relevância tem esta efeméride para esta promoção? O que foi realizado neste dia pela APAC?

O Dia Nacional dos Castelos foi instituído pela nossa Associação há cerca de trinta anos. As comemorações dispersam-se pelo país de acordo com a iniciativa das escolas, das autarquias, ou de outras entidades ligadas ao Património. Esta é uma forma de valorizar a arquitetura militar salientando a importância dos castelos e fortalezas na formação da identidade portuguesa.Este ano comemorámos o Dia Nacional dos Castelos na Cidadela de Cascais. Este conjunto fortificado incorpora séculos de fortificação. D. João II mandou construir, no final do século XV, o Castelo de Cascais, hoje encastoado no ângulo sudeste da cidadela.

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