Quando foram edificadas a Dark Sky Alqueva e a Turismo de Aldeia e de que forma é que as marcas têm como principal desiderato conseguir oferecer momentos fantásticos a quem vos procura?

A Genuineland – Turismo de Aldeia foi criada formalmente em 2007 como resultado de um projeto de cooperação europeia iniciado em 2003. O Dark Sky® Alqueva surgiu em 2008 como modelo de gestão integrada de destino e como forma de diferenciar Alqueva através da utilização de um recurso, o céu escuro, base para um produto que considerava de grande potencial a médio prazo e que não estava aproveitado até à data. A Genuineland e mais concretamente os projetos inseridos no Programa Dark Sky® Alqueva centram-se no Turismo Científico.

O Dark Sky® enquanto produto organizado em torno da observação astronómica e atividades noturnas, tais como canoagem, birdwatching, provas cegas de vinho, passeios pedestres, astrofotografia, passeios a cavalo, etc, pretende transmitir experiências que apelam aos sentidos do olfato, tato e audição. À noite, estes sentidos são amplificados e permitem a quem nos visita sensações e experiências muito diferentes. Por outro lado, poder observar a Via Láctea a olho nu com milhares de estrelas e poder tornar aquilo que num céu citadino é apenas um “sonho”, em pura realidade, é sem dúvida uma experiência única e plena de sensações, capaz de tocar mais fundo cada pessoa que nos visita. Não nos podemos esquecer que existem, pelo menos, cinco mil milhões de pessoas que nunca viram a Via Láctea a olho nu, ou seja, cerca de dois terços da população mundial.

Como conseguem marcar a diferença com os vossos pacotes e ofertas? Em que moldes podemos analisar outro projeto denominado por Genuineland – Turismo de Aldeia?

A nossa diferença está na forma como vemos o cliente e os seus interesses ao mesmo tempo que pensamos no equilíbrio e sustentabilidade do destino e das comunidades residentes. Para nós é fundamental que o Dark Sky® represente acima de tudo um modelo de desenvolvimento do destino e que a experiência de quem nos visita seja melhorada por esta visão integradora das várias componentes que dele fazem parte. Por isso, existe todo um trabalho de sensibilização, de combate à poluição luminosa, de melhoria contínua dos serviços turísticos que pretendem no final transmitir uma experiência enriquecedora a quem nos visita, que aumente a reputação do destino, da referência que já é hoje em dia a marca Dark Sky® e marque assim a diferença no panorama internacional.

Quem é Apolónia Rodrigues para além de Presidente da Genuineland – Turismo de Aldeia e Criadora e coordenadora da Dark Sky Alqueva?

É difícil responder sobre mim mesma, mas diria que uma apaixonada pela natureza em geral, por viajar, e completamente encantada por gatos. Ao nível profissional, penso que se houvesse uma palavra ou duas que me pudessem definir seriam talvez a Persistência e o Empenho que dedico a todos os projetos dos quais faço parte e em que acredito. Sou uma pessoa muito interessada por todos os temas com que lido e gosto sempre de me manter o mais informada possível acerca do que me rodeia. Considero-me também uma boa amiga e que se preocupa com as necessidades dos que me rodeiam, e quando não consigo ajudar mais, isso parte-me o coração.

O número de mulheres em funções de liderança tem vindo a aumentar nos últimos anos, mas ainda assim a presença feminina em cargos de chefias em Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer. Como é estar na linha da frente das marcas Genuineland – Turismo de Aldeia e da Dark Sky Alqueva?

Estar na linha da frente é sempre difícil e exige uma dedicação total face aos constrangimentos que advêm dessa posição. Por diversos momentos senti que as minhas ideias pela sua diferença até seriam aceites se me limitasse a ficar em segundo plano perdendo a capacidade de seguir a ideia/modelo que tinha idealizado. Como acreditava que assim acabariam por se perder, optei, desde cedo, por assumir e desenvolver as minhas ideias e projetos com toda a responsabilidade inerente e muitas das vezes, sozinha. Claro que nunca foi fácil e quanto mais inovadoras e diferentes são as ideias mais árduo é o caminho. No entanto estar rodeada de pessoas próximas que nos apoiam, compreendem e incentivam é fundamental.

Serão as mulheres melhores líderes? O que diferencia as mulheres em cargos de liderança?

No geral todos podemos ser bons líderes se assim nos esforçarmos para tal e respeitarmos quem nos rodeia. No meu caso, desistir nunca foi opção e talvez a capacidade de observar, a perseverança, a vontade de me desafiar constantemente e a curiosidade em aprender cada vez mais ajudaram-me a chegar aqui. Talvez as mulheres se tenham que esforçar mais para demonstrar que merecem realmente os cargos que lhes são atribuídos quando comparado com os homens, provavelmente já decorrente de questões históricas e de uma mentalidade social mais antiga que acabou por se enraizar e traçar esse caminho.

Ver uma mulher em cargos de liderança ainda é visto mais como uma exceção do que uma regra. Durante o seu percurso profissional alguma vez sentiu dificuldades acrescidas pelo facto de ser mulher?

Sem dúvida senti muitas dificuldades mas não senti que fossem pelo fato de ser mulher, mas acima de tudo pela minha personalidade. Percebi muito cedo que para desenvolver certos projetos teria de mover montanhas e aceitei isso como um desafio e os enormes constrangimentos que daí advieram têm mais a ver com as mudanças que eram e ainda são necessárias na sociedade e nos meios onde desenvolvo o meu trabalho. Naturalmente, num meio onde os cargos de liderança sejam maioritariamente tomados por homens, as mulheres têm o acesso menos facilitado mas como sempre, criei o meu espaço e essa questão não foi sentida como um problema.

Uma sociedade equilibrada contempla a integração de homens e mulheres com igualdade de oportunidades. O sexo não torna o indivíduo nem mais nem menos apto para o desempenho de uma determinada função. O que é para si ser um bom líder?

Ser acima de tudo humano, sensível, competente, capaz de reconhecer os erros e não ter vergonha/preconceito em os admitir, nunca pensar que sabe tudo, aceitar os problemas como um desafio, ser humilde, persistente, curioso, aberto às novidades e ao diferente, e nunca se arrepender de escolhas passadas sejam boas ou más. Ser um líder nunca é fácil, seja homem ou mulher, pois espera-se muito dele mas a capacidade de lidar com essas expectativas e ao mesmo tempo liderar é algo natural e depende de uma personalidade forte. Ser um bom líder revela-se quando nos momentos difíceis quem está à nossa volta nos respeita e acredita em nós, acabando por aceitar de uma forma natural as nossas decisões sabendo que estas só poderão ser em prol de uma boa resolução de um problema e para o bem maior de todos!

O que podemos continuar a esperar da Genuineland – Turismo de Aldeia e da Dark Sky Alqueva?

Muitas novidades, muitas iniciativas e projetos que primem pela diferença. E fazendo referência à boa liderança, acreditem em expectativa, pois o que ainda está por vir está no segredo dos Deuses, mas será para que todos possam aproveitar mais e melhor de um Universo fascinante e em constante evolução, na janela aberta que é o Céu do Alqueva e quem sabe de outros pedaços de céu em terras lusas.