Gostaria de começar esta conversa por perguntar quem é Isabel Padinha e quais são as principais características que tem colocado em prática na sua vida profissional até hoje?

A Isabel Padinha é uma pessoa comum que viu uma oportunidade e que tal como muito portugueses, a agarrou de mangas arregaçadas e uma vontade férrea de fazer mais, melhor e diferente.  Com este ponto de partida, trabalhou muito, sonhou bastante e concretizou muitas práticas de sucesso numa empresa internacional. Começámos com cinco quadros, hoje somos 125 quadros e cerca de 1500 pessoas na rua. Olhar para trás causa-me arrepios.

Lembro-me bem que na altura muitos me chamaram imprudente, pois iria trocar um emprego seguro (como se os houvesse!) por uma empresa com um nome com duas letras fora do alfabeto português: VORWERK!

Atualmente é Country Manager da Vorwerk, nome que a maior parte dos portugueses desconhece, mas que é a empresa alemã proprietária da marca Bimby, sobejamente conhecida pela maior parte das pessoas. Antes de irmos à marca propriamente dita, como se deu a sua entrada na Vorwerk e qual o balanço que pode fazer? 

A minha entrada na Vorwerk deve-se a um acreditar extremo no produto Bimby.  Os alemães estavam a fazer uma tentativa de entrada da Bimby via Espanha que não estava a ser muito bem sucedida, em minha opinião apenas ligada a uma liderança errada, e equacionavam se o mercado português seria um mercado onde a Bimby não se enquadrasse. (imagine-se!!)

Eu andava numa fase de vida de busca de nova vida, e tinha feito 300km para ver uma demonstração Bimby que me fascinara completamente.  Na altura, o pequeno Banco onde trabalhava tinha sido comprado por um grande Banco e eu passara de um dos 70 colaboradores com nome, a um dos 22.000 colaboradores, anónimos, da maior instituição bancária da altura.  Confesso que não adorei a experiência, mas aprendi muito, mas mesmo muito com ela.  Tenho uma máxima que me acompanha de toda a vida: “quando o aluno está pronto, o professor  aparece”.  soube, sei e continuarei a saber ser aluna para o resto da minha vida, tirando lições e aprendizagens que passam muitas vezes despercebidas aos que estão à minha volta.

O balanço que faço destes quase 14 anos, não pode ser mais positivo. Não seria o Líder que sou, se não tivesse ido ao terreno, aprender na base o que é entrar em casa de um cliente, fazer uma demonstração Bimby, aprender na pele o básico: o sim, o não, o talvez, o porquê, o porque não, o poder do hoje, a aprendizagem de ontem e a esperança no amanhã.   Fez de mim um Líder com consciência da prática, onde aprendi coisas que tenho a certeza, não se encontram em nenhum manual académico.

Contagiei uma equipa com esta descoberta e, não importa de que universidades vinham Licenciados, a escola Bimby começa em casa do cliente. Acredite-se ou não, isto empodera quando se dá formação, credibiliza o processo, faz seguidores, porque quando se fala, fala-se com muito conhecimento de causa e não porque se empinou uma matéria compilada pela experiência de outrem. Julgo, que este é parte do segredo do sucesso da Bimby em Portugal.  Na equipa, existe paixão e entrega a uma marca como nunca vi acontecer em nenhuma outra empresa por onde passei.

Afirmou uma vez que “na banca percebi a gestora que não quero ser”. Quais as razões desta frase e que género de gestora pretende ser e tem sido?

Esta frase foi descontextualizada e ainda bem que tenho a oportunidade de a explicar. Como referi anteriormente, aprendi muito na banca, mas aprendi também que se a vida pessoal e profissional não estiver em equilíbrio, que claramente não estava, pela enorme carga horária a que as pessoas eram sujeitas, a produtividade pode ficar comprometida.

Aprendi que colaboradores felizes em casa, são muito mais produtivos no trabalho.  Que quando conseguem uma harmonia entre o profissional e o privado, dão muito para além do que se lhes pede.

Na Vorwerk também temos picos de trabalho, simplesmente, eles não duram 365 dias e, quando existem, as pessoas sabem que é um momento de “tudo ou nada” e dão, mas dão com o coração.  Fora os picos, não gosto de ver ninguém depois das seis.  Vão para casa, para o filhos, o marido, o namorado, o ginásio, o pôr-do-sol, um copo, mas vão, porque tem que existir vida para além do trabalho.

Ao longo da minha vida vi muito poucos líderes estimularem isto no mundo do trabalho. Sobre os poucos que vi, lembro-me de pensar que eram super inteligentes! Tinham as equipas sempre com eles

Ver uma mulher em cargos de liderança ainda é visto mais como uma exceção do que uma regra. Durante o seu percurso profissional alguma vez sentiu dificuldades acrescidas pelo facto de ser mulher?

Claro que sim. Trabalho para uma multinacional, na qual Portugal se encontra em minoria quando falamos de CEO’s e CFO’s femininos.  Quase todos os países têm na liderança destes cargos um homem e sei que muitas vezes custa aceitar ver sair de Portugal grandes práticas que são aproveitadas por todos os outros países.  Nós queremos sempre ser o “pilot country”. Poderia enumerar-lhe uma grande lista de áreas onde fomos pioneiros a nível internacional: Fomos o primeiro país na área digital (lançamos uma app de receitas, o primeiro a ter uma Agenda digital para a força de vendas, o primeiro no Facebook, o primeiro a fazer um lifestreaming…), o primeiro a ser Superbrand, o primeiro a ganhar um prémio Internacional com um livro de receitas, os “Gourmand Awards” que são os óscares dos livros e, Portugal tem vários livros premiados, incluindo um livro que foi considerado o Melhor Projeto de Solidariedade e Angariação de Fundos da Europa. Fomos os primeiros a ter uma Revista em Banca (que também já recebeu um Gourmand), os primeiros a “Cozinhar por uma Causa” e usar a Bimby em projetos de responsabilidade social. Já exportámos recursos lá para fora. Hoje é uma portuguesa que está à frente dos destinos do México, há uma portuguesa como Product Manager a trabalhar com os Engenheiros alemães, há uma portuguesa a abrir o mercado de Nova Iorque; é portuguesa a equipa que produz filmes para maioria dos países. É portuguesa a empresa de formação com que Portugal trabalha que também já é responsável por áreas de formação em alguns países. É portuguesa a empresa de design e produção dos nossos livros que já algumas empresas Vorwerk utilizam. O que concluo também, é que quando os portugueses têm a oportunidade de se mostrar, normalmente, o fazem muito bem. Infelizmente, somos um país pequeno onde nem sempre surgem oportunidades.

Uma sociedade equilibrada contempla a integração de homens e mulheres com igualdade de oportunidades. O sexo não torna o indivíduo nem mais nem menos apto para o desempenho de uma determinada função. O que é para si ser um bom líder?

Ser um bom Líder é conhecer muito bem o “job description” de cada colaborador com quem se trabalha.  É ter a certeza que ele o conhece e que sabe o que é esperado no final de cada dia, de cada semana, de cada mês, de cada tarefa e de cada projeto.  Esta é a única forma que conheço de não criar expectativas desnecessárias e frustrantes.  É investir na formação dos colaboradores, mantê-los atualizados, dar-lhes ferramentas para um melhor desempenho.  É saber colocar a pessoa na função certa.  Já tive casos de pessoas com baixa performance em determinadas áreas e que se revelaram excelentes colaboradores quando colocados de acordo com as suas competências técnicas, pessoais e aspiracionais. É acreditar que a pessoa pode ir mais longe. Que eu Líder acredito, mas que ela também tem que acreditar.

Julgo que um bom líder ensina a pessoa a capacitar-se, ajuda-a a ver umas asas que ela julgava não ter e, depois até sorri ao vê-la voar.  Sei que soa um bocado poético, mas já vi isto acontecer dezenas e dezenas de vezes ao longo destes 14 anos.  Um bom líder tem que ser dotado de uma enorme inteligência emocional para conseguir “calçar os sapatos do colaborador” nos momentos de grande tensão.

Um bom Líder deve ter um foco na Formação desde o primeiro minuto.  À velocidade alucinante a que acontecem as mudanças nos dias de hoje, é preciso que os colaboradores se sintam preparados e, por isso, procuro ter sempre um budget anual que cumpra com as necessidades de motivação e atualização da minha equipa, tendo em conta tanto a formação técnica como a comportamental.

Um bom Líder explica o “porquê” por detrás do “faz” e o Colaborador, entendendo, torna-se criativo. Reconhecer um bom desempenho é também a chave de uma liderança inspiradora.

Acredita que o país e o mundo começam a mudar mentalidades e comportamentos no que concerne às Mulheres e os cargos de Liderança? O que ainda falta? 

Talvez falte perceber que a mulher tem que provar muito mais do que um homem para fazer o lugar. Que para estar ali, naquela reunião, o seu dia já começou há muitas horas atrás onde, provavelmente, já viveu vários papéis: já despachou os filhos, fez lancheiras e marmitas, ajeitou fardas, trocou de roupa pois aquele filho deu-lhe “aquele abraço” esquecendo-se que as pontas dos dedos tinham restos de estrelitas de chocolate, fez de motorista, passou pelo cabeleireiro, retocou as unhas. Falta perceber, que todo este esforço traz, sem querer, competências enormes na área da Diplomacia, Estratégia, Organização, Planeamento e Comunicação. Gosto muito de trabalhar com mulheres que foram mães. São umas excelentes negociadoras.

Como Country Manager da Vorwerk, que análise perpetua das Mulheres no seio da empresa e das oportunidades que lhes são concedidas? É uma marca que promove a equidade entre géneros?

Sem dúvida que sim, embora inexplicavelmente na área comercial a tendência seja, maioritariamente, feminina. Não porque o procuremos mas acaba por ser assim. Tenho 21 Gestoras de Loja, distribuídas de Norte a sul do país, três Área Managers, uma Regional Sales Manager e uma Marketing Manager, tudo isto no feminino. Se as conhecesse, ficaria rendido. É uma equipa tão lutadora, sempre em busca da excelência que vive o seu dia-a-dia como atrás lhe descrevi. Vivem mil vidas num só dia.

Que conselho deixaria às Mulheres que diariamente convivem e lutam contra o preconceito, o ceticismo e a dúvida pelo simples facto de serem Mulheres?

Não se conformem.  Comparem-se com o melhor de si próprias e não olhem para trás a ver quem vem aí.  Lembrem-se que os olhos não são na nuca. Eu nunca olho trás, salvo se for para tirar alguma lição que me sirva para a frente.

BIMBY (2)

Que análise pode fazer do crescimento e evolução dos robôs de cozinha Bimby em Portugal? Veio revolucionar a vida dos portugueses? Em que aspetos?

A análise clara que faço é que foi a Vorwerk que criou a concorrência no mercado de robots.  Durante mais de duas décadas estivemos como Adão e Eva no paraíso e, de repente, começámos a ver o mercado a ser invadido por robots de cozinha, alguns a “colarem” a sua abordagem à da Vorwerk, tanto ao nível do equipamento como ao nível da imagem gráfica dos nossos livros e revista.  Sem dúvida, que a Bimby veio revolucionar a forma de estar na cozinha e em muitos casos teve um impacto até na forma de estar em família.

Será legítimo afirmar que a Bimby conseguiu aproximar famílias pelo simples facto do processo de cozinhar se ter tornado mais simples, eficaz e célere? 

Para nós, a Bimby não tem um cliente padrão. Qualquer pessoa podia aderir ao nosso produto, independentemente do sexo, idade ou estrato social; desde o pai divorciado que nunca tinha cozinhado e que deixava de mandar vir pizas para as fazer em família com um filho de cada lado na cozinha, à mãe que tinha um bebé a dar os primeiros passos na alimentação, à avó que recebia a família para o almoço de Domingo, os que sabiam cozinhar e os que não sabiam, os que queriam aprender, os que tinham restrições alimentares, os que se importavam com os rótulos dos ingredientes, os que sonhavam com a aventura da cozinha, os Celíacos, os Vegetarianos, os Vegan, os Paleo, enfim…Neste momento, temos uma Bimby que permite responder cada vez mais às necessidades dos nossos clientes, que permite sentar à volta da mesa a família e ir buscar “aquela receita que a avó fazia” mas também fazer um menu para a semana inteira e vê-lo no ecrã da Bimby, enviar a lista de compras desse menu para o smartphone e facilitar a ida ao supermercado. Uma Bimby tão vanguardista que já é possível abrir o frigorífico e ver que só há, por exemplo, bifes de frango, e fazer uma pesquisa por ingrediente e ver imediatamente listadas duas ou três sugestões de receitas para fazer com aqueles bifes!  Uma Bimby que permite criar pequenos “livros” dentro da máquina com nomes personalizados como “as preferidas do pai”, “bons almoços de domingo”, “lanches que não falham” “as minhas dietas”, “jantares infalíveis”, etc.  Esta Bimby, é o casamento perfeito entre tecnologia e tradição com um impacto inegável na aproximação da família ao momento de cozinhar. Deixou de ser um momento da mãe para passar a ser um momento de todos.  Enquanto uns escolhem o menu, outros vão às compras, outros preparam … a Bimby cozinha e …todos desfrutam!

Um dos aspetos interessantes é que mesmo com a crise que o nosso país viveu, a marca conseguiu manter níveis de negócios e lucros bastante acentuados. A que se devem estes resultados positivos?

Os resultados devem-se a um produto de excelência, aliado a uma equipa de excelência nos bastidores da Vorwerk em Portugal combinado com um serviço Premium prestado pelos nossos agentes no terreno.  O cliente, sem saír da sua casa, vê o produto, experimenta-o, comprova resultados e recebe, mais uma vez no conforto da sua casa, uma entrega personalizada, onde em vez de ter que ler um manual de instruções, tem alguém que lhe explica tudo o que precisa saber para o utilizar e rentabilizar.  Costumamos dizer que a Bimby se paga a ela própria e, sem dúvida, se o cliente a utilizar, rapidamente vê o retorno do investimento.  Ás vezes, tenho amigas que me dizem: “tenho uma Bimby, mas só faço sopas”!  Pergunto-lhes logo: porque não compraram antes uma varinha mágica?

Agora, bom mesmo, é ver sorrir aqueles clientes que fazem sopas, rolo de carne, douradas ao vapor, iogurtes, marmelada, pizas, tartes, marmitas para o colégio e que ainda se aventuram onde antes nunca pensaram ir, tipo, “sericaia da minha avó”, ou  ouvir aquele pai, cujo filho sofria de uma restrição alimentar e que pode, pela primeira vez, vê-lo saborear um sorvete feito em casa. Isto sim, aquece o coração!

Bimby 5ª Geração. Quais as valias deste produto? Passa, acima de tudo, pela capacidade que tem em aliar a cozinha tradicional com as novas tecnologias?

As mais-valias para além de tudo o que já se disse em termos de tecnologia e inovação, são os serviços que suportam o cliente e vieram facilitar todo o processo do “antes, durante e depois” da única tarefa que não pode ficar para amanhã: alimentar a família. Há uma Equipa de vendas credenciada para estar no terreno e que tem formação contínua; Há um Departamento de Desenvolvimento de Receitas que só coloca um selo Bimby numa receita depois de esta ter passado pelos 10 Critérios de Qualidade Vorwerk; Há livros publicados e uma revista mensal em banca que ajudam o cliente nesta aventura da gastronomia; há um Portal de Receitas digitais, o Cookidoo, onde o cliente desfruta de mais de 1200 receitas temáticas, segmentadas em função das suas necessidades e onde pode ainda escolher receitas internacionais; através deste serviço o cliente pode fazer menus com os filhos, onde cada um escolhe uma receita para um dia da semana, criar a sua lista de compras e enviar para o telefone, ficando com todos os ingredientes que vai precisar disponíveis, assegurando que não lhe vai faltar nada; Há as aulas de cozinha e os Workshops Cook-it. Há um serviço técnico para apoio ao cliente. Eu diria que a 5ª Geração é uma aposta para todos e onde todos podem participar, pois é uma viagem à cozinha Tradicional, à cozinha Automática e à cozinha Guiada passo-a-passo. Mas a melhor forma de perceber isto com muita facilidade é, sem dúvida, ver uma Demonstração personalizada.


BIMBY

A terminar, quais os grandes desafios que se colocam à marca para o futuro em Portugal?

Continuar a ser Líder de mercado num mercado com concorrência. Dói, dá trabalho, exige a excelência. Mas, venha ela! A acrescer a isto, olhar para a nossa forma de trabalhar que esteve sempre centrada num único canal e ir adaptando-a àquilo que o cliente pede. Hoje, fala-se muito já de “Omnichannel” e a Vorwerk, com certeza, que terá que fazer os seus ajustes para continuar a servir o cliente, mas como lhe disse, a marca já sobreviveu a mudanças tremendas e sempre se adaptou.

Ser Mulher é…?

Ser Mulher dá um trabalhão. É fazer, é mandar fazer, é estar sempre bem, é disfarçar, é permanecer, é desapegar, é perdoar, é exigir, é desculpar, é acreditar, é cuidar. Ser mulher, é concentrar em si quase todos os verbos em todos os tempos verbais!

E já agora, deixo um obrigada a todas as mulheres com quem trabalho e trabalhei porque, seguramente, todas elas de alguma forma, contribuíram para fazer de mim a mulher que hoje sou.

 

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