Maria Marcos é Administradora da Dimensão Seguros desde 2008. Como descreveria o seu percurso até aqui? Que fatores foram determinantes para ser hoje uma mulher de sucesso no mundo dos negócios?

Tenho 52 anos, nasci em Tomar, fui criada em Lisboa e atualmente vivo em Setúbal, onde tenho a sede da minha empresa. Escolhi o universo dos seguros, assim como o meu pai, o meu irmão e um tio, que estão também ligados a esta área. Trabalhei em várias seguradoras, passei por diversos setores onde adquiri o meu know-how ao longo de 30 anos. Em 2008 criei a Dimensão Seguros, uma empresa de mediação de seguros. No início foi muito difícil, as 24 horas do dia pareciam não chegar, mas com o passar do tempo, com muita resiliência e com uma boa dose de vontade tornou-se gratificante.

Ao longo da nossa vida somos educados para executar, temos sempre alguém que nos diz o que fazer, começa em casa com os pais, depois na escola com os professores, mais tarde no trabalho com os patrões… somos sempre educados para obedecer. Ninguém está preparado para tomar iniciativas, criar, decidir e muito menos correr riscos. O meu caso foi o de alguém que arriscou tudo. Antes de abrir a empresa tinha um excelente emprego, trabalhava numa seguradora do Grupo Caixa Geral de Depósitos, tinha bastantes regalias, mas passei disso para fundadora de uma empresa, numa área complexa que são os seguros. Quando decidi criar a empresa, recebi um convite dos administradores da Set Holding SA., para integrar essa mesma Holding com o ramo dos seguros, com isto o meu desafio aumentou e o sonho que eu tinha de trabalhar seguros das diversas marcas do mercado, concretizou-se… aquele foi o momento em que eu ia poder decidir como e com quem trabalhar… não ficando exclusiva de nenhuma seguradora. Este foi um fator determinante, juntando os conhecimentos de gestão que adquiri com os administradores da Set Holding SA., “que por mero acaso são sete e todos homens “deu-me a valência para poder construir a minha empresa e garantir-lhe o sucesso que alcançou.

Propõe-se a liderar a sua equipa gerando motivação. Que importância assume para si o capital humano? É fácil gerir pessoas?

A motivação é uma das condições indispensáveis. Para termos uma boa equipa, primeiro é preciso motivar. Os meus colaboradores são a parte mais importante do meu negócio, porque sem eles a empresa não existiria. Há que trabalhar, fazer crescer e posicionarmo-nos no mercado, quando temos uma equipa que está motivada e quer o mesmo que nós para a empresa, a equipa torna-se fácil de gerir. Se for bom para mim é bom para todos, este é o meu lema. Um grande problema de gestão é quando um gestor concentra toda a informação em si, não partilha… as pessoas têm de saber o que se passa. Considero que um bom líder tem que ser aberto e próximo e assim torna-se mais fácil gerir o capital humano que é extremamente importante.

O que significa para si ser um bom líder?

Um bom líder é aquele que sabe fazer, discutir, brincar, agradecer, partilhar e delegar. Aprendo e partilho o meu conhecimento para um dia ser substituída.

Vários estudos apontam que as mulheres possuem características para serem melhores líderes do que os homens e que as empresas lucrariam mais se houvessem mais mulheres a “comandar”. Concorda?

Concordo. As lideranças deveriam ser mais partilhadas no género. Na verdade conheço boas gestoras que não aumentam os seus resultados por não terem o poder de decisão. As empresas não lhes dão esse poder, elas fazem o trabalho e não podem decidir sobre ele. Acho que as empresas só perdem com isso e por isso sou a favor de uma mudança de postura.

Na minha área as mulheres são mais sensíveis, mais protetoras e mais pacientes. Temos de estabelecer diálogo e confiança para fazer negócio. Temos de desmistificar a linguagem típica contratual e transformá-la em prática corrente. Ora, as mulheres fazem a diferença neste aspeto. Trabalho maioritariamente com mulheres e verifico que isto é um facto.

Afirma que “na escola da vida aprendemos a ser empreendedores, temos que agarrar todas as oportunidades para deixar a nossa marca”. De que forma pretende deixar a sua marca?

Eu deixo a minha marca todos os dias, primeiro na minha família, depois nos meus colaboradores, nos meus parceiros de negócio e nos meus clientes. Acredito que a vida é um jogo de energias, ou seja, aquilo que fazemos aos outros volta para nós. Por isso, considero importante termos uma postura de tentar fazer o bem e melhor. Em termos de legado, a nossa empresa aproxima-se neste momento de um ponto crucial: a responsabilidade social. Já fizemos várias acções, mas estamos mais próximos de uma instituição aqui de Setúbal, a APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental), estamos a apoiá-los com a captação de investimento para os ajudar da melhor forma possível a melhorarem a vida destas pessoas. Estas pessoas são especiais, em termos de motivação são muitas vezes superiores às pessoas ditas normais. Estamos a apostar para que a nossa marca seja deixada também aqui, desta forma muito especial.