Qual tem sido a estratégia da Neutroplast para se posicionar e destacar no mercado?

O mercado farmacêutico é um mercado que passa bastante pela exportação devido à existência de poucos laboratórios fabricantes em Portugal. Portanto, a Neutroplast teve de apostar fortemente na internacionalização como veículo de crescimento sustentado, e de se adaptar aos mercados. Os mercados são diferentes, bem como as suas legislações, e os requisitos e as valorizações nem sempre são iguais também. Assim, o primeiro passo que a Neutroplast deu foi na certificação. As instalações obedecem aos requisitos da ISO 8 e considerando o Sistema de Gestão da Qualidade sustentado na norma ISO 9001 de extrema importância para o seu desenvolvimento e internacionalização, a Neutroplast obteve a sua certificação no ano 2000, bem como da norma ISO 15485 de packaging para a indústria do setor farmacêutico.

Em 2004 foi pioneira na certificação da marcação CE em Portugal, para dispositivos médicos com função de medição, validando e mantendo até hoje a linha doseadora para xaropes e concentrados farmacêuticos. A Neutroplast procurou, igualmente, registar os produtos na FBA para abranger todo o mercado europeu. 

O que torna a Neutroplast diferente?

A nossa proposta para os clientes abrange muito mais do que o próprio produto. Passa pelo serviço que prestamos. A empresa diferencia-se pelo seu capital humano ativo e estratégico na implementação dos processos de inovação, na mudança e na evolução constante. Fatores determinantes para o acompanhamento das necessidades do mercado, pois a farmacêutica tem exigências regulamentares muito fortes, matérias-primas e requisitos específicos, bem como sistemas de qualidade mais apurados. Portanto, tivemos de ir adaptando esse serviço que a farmacêutica exige para além do próprio packaging. 

Tecnologia e Inovação são palavras de ordem para a Neutroplast. De que forma se evidencia esta preocupação?

A farmacêutica está permanentemente a inovar. A longevidade da população aumentou, não só porque adotámos estilos de vida diferentes, mas porque temos esta indústria a ajudar. A farmacêutica exige qualidade por isso a Neutroplast tem de ser um parceiro de confiança. Por outro lado, no tempo que corre em que cada vez menos se recorre a stocks, a flexibilidade também é um fator muito importante. 

O setor da Saúde é um setor muito delicado que exige bastante das empresas que para ele trabalham. Que maiores desafios enfrentam atualmente?

Continuar a ser flexível mantendo-se extremamente rigorosa. É o grande desafio do nosso setor. Temos de dar resposta e resultados rápidos, mas ao mesmo tempo não podemos facilitar na produção e na sua qualidade. Ou fazemos bem ou não é feito. É este o nosso lema. 

E que oportunidades que vão marcar esta área?

O setor da farmacêutica é um setor estável e de excelência. Enquanto fizermos bem serão nossos clientes enquanto o produto durar, o que representa uma estabilidade e segurança para as empresas. Para além de ser um setor aliciante para trabalhar por se tratar de um setor que está sempre a inovar e à procura de novidades. 

O futuro passa assim por um acesso a tecnologias de saúde de “primeira linha”, maior celeridade nos processos de entrada de inovação e reforço das capacidades científicas nacionais. Neste sentido, que importância assume para a Neutroplast as parcerias e exportações?

São fundamentais. Já estamos presentes em Marrocos e temos, neste momento, o registo feito na África do Sul através de parcerias. Hoje os procedimentos são mais transversais por isso é importante procurar parceiros e possibilidades de encontro entre as necessidades de cada um. O mercado africano é um mercado de oportunidades, mas exportar é diferente de internacionalizar e estar presente noutros países. Conseguimos, igualmente, um cliente na Rússia, um mercado que considerava difícil de alcançar pelos custos associados à logística e transportes, mas temos os requisitos certos que que o mercado russo procurava. O futuro passa pelo crescimento e pelo contacto com os novos mercados e as novas tendências. No entanto, o mercado nacional tem de continuar a ser “acarinhado” e alimentado. Temos uma empresa nacional parceira, a Pack Point, para dar resposta a clientes que procuram os nossos produtos em quantidades pequenas. Também temos uma parceria com uma start up, a BeyonDevices, totalmente virada para a inovação e são esses parceiros que vamos criando à nossa volta que vão fortalecer a estrutura da Neutroplast. 

Os produtos Neutroplast já estão presentes nos cinco continentes, prova que a NEUTROPLAST alargou o seu alcance de forma global. Qual é o passo seguinte?

Ainda não. Ainda estamos longe. Queremos chegar à Austrália, mas é um mercado que será difícil devido ao transporte que acarreta custos elevados.

Por isso, a médio prazo, os nossos objetivos passam por cimentar os contactos e parcerias que já temos. As parcerias têm de ser bem trabalhadas pela sua complexidade. Se nos conhecermos bem uns aos outros, o trabalho será muito melhor feito.

Para si, o seu cargo também é um desafio?

A liderança para mim é conseguir inspirar e motivar diariamente as pessoas com quem trabalho. A liderança, para além de se aprender, tem que se querer aprender e gostar do que se faz. E eu gosto muito do que faço, gosto de trabalhar com pessoas. Temos de querer, gostar de ser líder e perceber que lidamos com pessoas. Por sua vez, as equipas têm de gostar do que fazem, por isso procuro envolver e proporcionar um espaço de animação para que cada um dos meus colaboradores se sinta bem em trabalhar cá e seja feliz aqui. Em tudo precisamos de dar o nosso melhor.

CURIOSIDADES

A Neutroplast foi reconhecida como uma das melhores empresas para trabalhar em 2016. A motivação, a aposta nas pessoas e o envolvimento de todos levou à distinção com o Prémio Melhores Empresas para Trabalhar (MEPT), atribuído pela EXAME em associação com a escola de negócios AESE e com a consultora EVERIS.