Sofia Alves, Chefe da Represetação da Comissão Europeia em Lisboa. 4 de Agosto de 2016.
Sofia Alves, Chefe da Represetação da Comissão Europeia em Lisboa. 4 de Agosto de 2016.

Além disto, o lema «unida na diversidade» demonstra que a UE respeita essa tal diversidade. Estamos unidos e temos símbolos comuns que identificam essa mesma união na diversidade: a bandeira europeia, o Dia da Europa (9 de maio) e o hino europeu. Com tantos desafios globais como os que vivemos atualmente, nenhum estado-membro da UE, por si só, tem peso para afirmar e defender os nossos valores. Isto só é possível em conjunto, dentro de uma união europeia. Por conseguinte, é evidente que a Europa tem de funcionar unida e de se afirmar no mundo globalizado enquanto grande casa comum que é. Para tal, apesar de todos os diferendos e todas as crises, os estados-membros devem ultrapassar as suas divergências e unir-se no seu próprio interesse. Já que, como em todas as grandes famílias, na UE discutimos e fazemos as pazes, elevando aquilo que nos une, isto é, os valores europeus, impressos no código genético de cada um/a de nós. E somos nós os responsáveis por levar o projeto europeu mais além, trabalhando em conjunto para mais Europa, para mais anos de história(s) de uma integração europeia.

A UE não é só a região do mundo preferida para passar férias: é grande nas grandes questões, pequena nas pequenas questões. Também não é nenhum monstro administrativo: custa-nos menos do que efetivamente pensamos. A Europa também não é o faroeste: é uma economia de mercado de cariz social, que promove a prosperidade, o crescimento e o emprego, ao mesmo tempo que apoia as regiões menos desenvolvidas, os seus agricultores e garante um comércio justo com as diferentes partes do mundo. Neste contexto, o euro é uma moeda estável e oferece diversas vantagens. Mas, para tal, a UE garante a concorrência e controla os grupos empresariais, ao mesmo tempo que luta pela justiça fiscal e supervisiona os bancos. Por sua vez, o mercado interno comum contribui para a diminuição dos preços: como a UE tem como prioridade baixar o custo de vida dos seus cidadãos, procura tornar os medicamentos, as chamadas telefónicas e os bilhetes de avião cada vez mais baratos, além de diminuir as despesas bancárias e os custos de utilização dos cartões de crédito, por exemplo. A par disto, a união europeia protege os consumidores, fazendo valer os seus direitos em vários domínios, como por exemplo, nas vendas ao domicílio, ao efetuarem compras em linhas, quando viagem (de avião ou de comboio, sobretudo), além de garantir os direitos dos compradores em caso de produtos defeituosos, procurando, ainda, proteger as poupanças de todos os cidadãos europeus. Falando destes, em particular, a UE garante as necessidades básicas de todos e todas nós: defende alimentos saudáveis e um ambiente limpo. Neste sentido, a união europeia protege-nos dos falsificadores de alimentos e defende as especialidades regionais. Além disto, garante água limpa – para tomar banho ou ingerir – e é líder mundial na proteção do ambiente, assegurando, por exemplo, a reciclagem dos resíduos eletrónicos. Por outro lado, a UE facilita as viagens e o trabalho em todo o continente: graças à existência de uma união europeia, é possível viajar e trabalhar em todos os seus países-membros, sem controlos nas fronteiras graças ao espaço Schengen. Além disto, é assegurado um seguro de doença para as pessoas que viajam no estrangeiro, existindo um número de emergência europeu (112) para assistência nos mais variados casos de acidentes e incidentes. Para os evitar, a UE procura melhorar, por exemplo, a mobilidade dos automobilistas e, após dois anos de estagnação, 2016 marcou o regresso de uma tendência de descida da sinistralidade rodoviária que, nos últimos seis anos, sofreu uma redução de 19 %. No que toca à educação, à investigação e à cultura, a UE promove experiências académicas no estrangeiro, através do programa Erasmus+, propôs um novo serviço de voluntariado – o corpo europeu de solidariedade -, abrindo portas aos jovens a nível de oportunidades de emprego e enriquecimento curricular, profissional e pessoal. Por outro lado, os investigadores – onde os portugueses estão incluídos -, recebem centenas de milhões de euros dos programas de financiamento europeu à investigação. Neste contexto, destaque para o financiamento do programa horizonte 2020, das bolsas do conselho europeu de investigação (ERC) e do instrumento para PME’s. A nível cultural, a UE defende a sua diversidade e designa as capitais europeias da cultura, promovendo, assim uma Europa das culturas.

A nível de desafios globais, destaque para a promoção da segurança interna – combate ao terrorismo, à criminalidade organizada e proteção conferida às mulheres e crianças contra o tráfico e abusos -, prestação de ajuda na crise mundial de refugiados – salvando vidas, combatendo o tráfico de seres humanos e as causas profundas da migração, ao mesmo tempo que protege as suas fronteiras mas luta por normas comuns de asilo na Europa. Neste contexto, de destacar que a Europa é o maior doador mundial de ajuda ao desenvolvimento: além de apoiar os países vizinhos, a ajuda da UE face à crise síria tem-se demonstrado determinante, não fosse a Europa o maior doador de ajuda humanitária no mundo.

Temos, portanto, boas razões para nos orgulharmos da Europa. Queiramos fazer parte, conhecê-la mais, debatê-la mais… queiramos mais Europa, mais 60 anos de boas estórias de uma verdadeira integração europeia.

Opinião de Sofia Colares, Representante da Comissão Europeia em Portugal