A filosofia da Bluemater é muito objetiva: apresentar soluções eco-eficientes. “A Bluemater nasceu com a missão de desenvolver tecnologias inovadoras de tratamento de águas”, começa por referir Nuno Gomes. Esse é o mote do negócio e desde o início houve sempre a preocupação de que fosse direcionado para a sustentabilidade. “Começámos no tratamento de águas com o desenvolvimento de diversas soluções e hoje temos já dois sistemas patenteados. Recentemente o projeto Algamater da Bluemater, feito em parceria com a Universidade do Algarve e a Algar, entidade que gere os resíduos sólidos urbanos do Algarve, foi aprovado pelo programa horizonte 2020 da comissão europeia. Trata-se de um projeto congregador de toda a tecnologia desenvolvida pela Bluemater ao longo dos últimos dez anos”.

Com este projeto Portugal registou o melhor desempenho de sempre. Este fundo da comissão europeia para PME’s com elevado potencial de inovação tem uma taxa de aprovação de 2% e só foram atribuídos até hoje, em Portugal, a seis projetos, sendo o projeto Algamater o que obteve maior valor. Segundo esclarece a comissão europeia, desde 2008 que a empresa “tem vindo a desenvolver este conceito desafiador para o tornar num sistema comercial viável para o tratamento de águas residuais em aterros sanitários e na própria indústria”.

No que respeita as águas potáveis, a Bluemater privilegia os sistemas de tratamento de última geração por membrana, tanto de ultrafiltração, quando se pretende remover sólidos em suspensão e carga orgânica, como de osmose inversa, quando as águas se encontram salinizadas e é necessário remover sais. Ambos os métodos são eficazes na remoção de bactérias, vírus e protozoários causadores de doenças e são aplicados de modo selecionado consoante as características da água.

Quanto às águas residuais, a Bluemater desenvolve soluções próprias de tratamento biológico e aplica os sistemas mais avançados de remoção de sólidos suspensos, tendo em vista a ecoeficiência. Os sistemas de tratamento da Bluemater podem ser instalados à superfície e são cerca de dez vezes mais pequenos e poupam oito vezes a energia dos sistemas de lamas ativadas tradicionais.

A par dos dois sistemas já patenteados, a empresa tem já mais quatro patentes em preparação relacionadas com o tratamento de águas residuais e potáveis. “Patenteamos um substrato, o leito percolador natantia (que será vendido como Biocubo Natantia), que pode ser incorporado nas Etar existentes ou na nossa torre biológica, igualmente patenteada, para o tratamento biológico das águas. Este tratamento é direcionado para novas Etar como a nossa que é um modelo completo, mas pode ser incorporado noutros sistemas de outras empresas ou ainda para fazer o upgrade das Etar existentes a nível nacional”, explica o nosso entrevistado.

As Etar projetadas e operadas pela Bluemater incluem diversas tecnologias únicas e patenteadas. Esta Etar pode ser aplicada a diferentes efluentes, desde os lixiviados de aterros sanitários a efluentes industriais ou domésticos. É mais eficiente e estável e poupa até dez vezes a energia gasta pelas Etar convencionais.

Já a Torre Biológica Syconair da Bluemater é um novo método de tratamento biológico de gases industriais, que apresenta inúmeras vantagens em relação aos sistemas tradicionais de lavagem química: menores custos operacionais: maior rendimento, ausência de produtos químicos perigosos, sistema natural e amigo do ambiente. O sistema baseia-se na filtração biológica dos gases circulantes, através de um meio de enchimento orgânico e de irrigação com água, que promovem a fixação de um biofilme bacteriano com elevada capacidade de remoção dos poluentes gasosos.

“A par destes dois produtos, desenvolvemos outro produto inovador com microalgas para a etapa final do tratamento dás águas. O tratamento passa por diversas etapas e no fim afinamos tudo com microalgas para a reutilização da água e a melhor gestão de lamas resultantes do processo, que se apresentam como um problema. Este reator pode ser, igualmente, utilizado na aquacultura e temos já várias universidades e empresas interessadas no nosso produto”, elucida-nos Nuno Gomes. Porém, o nosso entrevistado lamenta que em Portugal não se dê a devida atenção à reutilização das águas residuais porque, felizmente, temos água em abundância, mas noutros países este tratamento, que é um processo simples, é relevante.

Parcerias e o Mercado Internacional

A Bluemater já está presente em Angola através de um representante com os seus sistemas de tratamento de águas. No entanto, o objetivo passa por explorar o mercado europeu, com foco no mercado espanhol. “É uma prioridade, pois como as tecnologias da Bluemater são avançadas, o mercado europeu tem apetência para absorver os seus produtos. Posteriormente, pretendemos voltar a focar-nos no mercado africano quando a sua situação económica estabilizar”, avança Nuno Gomes. Para a exploração do mercado da Europa central a Bluemater pretende abrir uma filial na Holanda, mas a fabricação dos produtos será sempre feita em território nacional, não fosse a Bluemater uma empresa que olha para a sustentabilidade e rentabilidade do país.

A Bluemater vai estar presente, em outubro, na maior feira mundial de águas na Holanda, a Aquatech, que é uma mostra líder em tecnologia de processamento e consumo de água e esgoto, em Amesterdão. O programa da Aquatech abrange uma ampla análise sobre os últimos desenvolvimentos no campo de tratamento da água, do seu transporte e armazenamento, processos de controlo e automatização.

Entretanto a Bluemater tem já outro projeto a decorrer em parceria com a Corticeira Amorim para desenvolver uma nova tecnologia de tratamento de águas, as ilhas flutuantes em cortiça. Estas ilhas permitem cultivar plantas ou legumes à superfície da água. “O nosso foco com estas ilhas flutuantes são as barragens para se recriar as margens, pois como o nível das albufeiras é flutuante, têm uma cinta à sua volta sem vegetação. Os primeiros ensaios irão ser feitos na barragem de Crestuma”, refere o nosso entrevistado para quem esta parceria é uma porta aberta para o mercado americano devido à filial que a Corticeira Amorim tem nos estados unidos. Note-se que a Corticeira Amorim é a maior empresa mundial de produtos de cortiça e a mais internacional das empresas portuguesas. Outra aplicação destas ilhas prende-se, uma vez mais, com o tratamento de águas. “Temos mais de 600 Fito-Etar em Portugal, que são lagoas de tratamento de águas residuais à base de plantas palustres como o caniço e a tábua e que são sistemas seminaturais. O problema é que essas plantas estão presas no fundo e as lamas acabam por as «sufocar». Portanto, o objetivo é muito simples. Colocar as plataformas flutuantes com as plantas à superfície para absorver os poluentes da água através das suas raízes”, avança Nuno Gomes.

A Bluemater está, ainda, a avançar com uma candidatura em parceria com duas das maiores indústrias agroalimentares, para aplicar a Torre Biológica Sycon no tratamento de águas residuais e gases industriais. 

10 Anos de bluemater

O maior desafio para a empresa prende-se com a dificuldade em implementar os projetos. “Foram necessários dez anos para as pessoas acreditarem em nós e nas nossas ideias inovadoras. Fizemos imensos ensaios pilotos e experiências em diferentes entidades. Algumas empresas apoiaram-nos e foram acreditando em nós, mas, de facto, até agora o nosso trabalho baseou-se em experimentação e colocar a nossa tecnologia à prova. O projeto Algamater e o financiamento do programa europeu são um ponto de viragem para a empresa. Prevemos um rutura completa com o passado recente e agora os desafios já não são nacionais e passam pela internacionalização. Neste momento ainda somos uma equipa pequena constituída por quatro pessoas, mas estamos já a recrutar novos colaboradores e queremos incorporar mais cinco pessoas pelo menos”, afirma Nuno Gomes.

Regresso dos Resineiros aos pinhais

Portugal já foi o segundo produtor mundial de resina, no entanto, das mais de 100 fábricas existentes nos anos 80 só restam seis nos dias de hoje. Isso deveu-se ao desinvestimento na floresta nos últimos 30 anos, desencadeando o abandono das zonas rurais, emigração, destruição do património florestal e incêndios.

A Bluemater irá, portanto,  promover a reabilitação da fábrica de resinas de Figueiredo de Alva, São Pedro do Sul, fundada em 1951 e que fechou em 1994 quando o preço da matéria-prima caiu a pique. Hoje as condições do mercado melhoraram e o negócio voltou a ser rentável, o que levou Nuno Gomes a querer reabrir a fábrica que se encaixa na filosofia geral da empresa: apresentar soluções eco-eficientes. Nuno Gomes é natural de São Pedro do Sul onde o seu pai chegou a vender resina, nos anos 80, para a fábrica adquirida. Por isso mesmo, juntou-se o útil ao agradável. O projeto irá permitir o regresso dos resineiros aos pinhais, uma atividade que praticamente deixou de existir e que hoje começa a ser de novo rentável. A resina que será tratada nesta região terá como destino o mercado externo para áreas tão diversas como os cosméticos ou a indústria alimentar. A matéria-prima pode ser utilizada para fazer diluentes, tintas, colas, pastilhas elásticas e até para dar a fragância de pinho nos ambientadores. O objetivo é que a fábrica comece a laborar em 2018 e criar, em cinco anos, 500 postos de trabalho, diretos e indiretos. Mas, para além do impacto económico, este investimento terá, igualmente, um impacto ecológico muito importante. Isto porque verifica-se um abandono significativo das florestas que se traduz em incêndios ou a ocupação por eucaliptos, que já são hoje a maior mancha florestal de Portugal, não havendo paralelo na Europa. Metade da área florestal ardida na Europa diz respeito a Portugal e isso deve-se principalmente ao abandono florestal. Assim, a atividade dos Resineiros não só permitirá a vigilância das florestas e prevenção de incêndios como contribuirá para a biodiversidade. Neste sentido, e como é preciso falar e divulgar esta atividade, outrora geradora de riqueza, está a decorrer um congresso, nos dias 2 e 3 de junho, intitulado de “Resinagem, Ambiente e Indústria”, organizado pela Bluemater, em conjunto com o município de São Pedro do Sul e a AIMMP – Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal. O congresso “Resinagem, Ambiente e Indústria” teve lugar no Cine Teatro Jaime Gralheiro, em São Pedro do Sul, e termina hoje, sábado, na fábrica de resinas de Figueiredo de Alva.

Editora Exclamação: A arte da palavra

A Editora Exclamação é uma editora nova, “mas que vai continuar a preservar todos os títulos antigos, comprometendo-se a trazer publicações que para muitos podem ser surpreendentes”.

Com propostas de reedições como Planeta Darwin, propostas de novas publicações ou coleções já publicadas como l Miu Purmeiro Libro em Mirandés, Diário da Natureza ou o Sentimento do Porto, Nuno Gomes afirma que sempre teve interesse pela edição. “Era uma área que me fascinava e verificava que havia muitos livros que gostaria de ver publicados e que não estavam. Quando iniciei este projeto estava mais direcionado para livros relacionados com a natureza, mas percebi que não era sustentável e nem havia títulos suficientes pelo que alargamos o nosso portefólio”, afirma o CEO da Bluemater. Apesar do mercado estar em decadência, Nuno Gomes realça que vai manter a editora por prazer e por gostar do que faz.

É o seguimento do projeto planeta vivo, uma empresa que tinha como foco a natureza, observando e intervindo, testando métodos e descobrindo soluções mais saudáveis para o planeta. Este centro de investigação ambiental procurava conciliar o esforço da investigação científica e a sustentabilidade ambiental, de modo a promover a biodiversidade, no conhecimento e na conservação. Outro serviço prestado era o de consultadoria ambiental, sobretudo sobre ecologia e temas relacionados com a conservação da natureza.