“Procuramos analisar as mudanças como oportunidades de potencializar a cooperação entre os países”

Talita Brito, Presidente da Câmara de Comércio Europeia no Brasil, abordou o Dia da Europa que se comemorou no dia 9 de maio. A nossa entrevistada deu conta das relações entre a Europa e o Brasil, lembrando que atualmente as “as empresas brasileiras estão numa fase de interesse crescente de internacionalização e exportação. A Europa precisa estar mais aberta para essa entrada de novos conceitos e criar mecanismo de apoio à atividade empreendedora também para empresas estrangeiras de países terceiros”.

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A Câmara do Comércio Europeia no Brasil – CCEB assume-se como um player consolidado e de enorme importância. Como analisa e avalia a abrangência da instituição a nível nacional e internacional? 

A abrangência internacional é consequência do trabalho desenvolvido ainda em 2014 quando voltei ao Brasil para implementar a European Chamber. O Brasil é o celeiro do mundo, o maior produtor de proteínas e daí a nossa presença no mercado fez com que as operações internacionais, não somente com a Europa, pudessem ter uma segurança maior por parte dos compradores.

Um dos principais resultados alcançados diariamente pela CCEB é proporcionar aos membros a visibilidade dos seus produtos e serviços em toda a rede que abrange a ação do organismo. Qual o alcance desta rede e de que forma promovem essa visibilidade de produtos e serviços da instituição? 

A European Chamber tem 109 delegações por todo o mundo, onde apresentamos não só os produtos e serviços das empresas e organismos membros, mas também criamos os canais para o estabelecimento da relação comercial entre empresas e organismos de forma clara e segura para todas as partes. 

Conseguem criar também uma ligação com países denominados não europeus? Como se fazem representar nestes países e quais as maiores dificuldades? 

Através das delegações e representantes da European Chamber também em países não europeus mas que tenham relações comerciais seja com Europa ou Brasil.

Qual a força comercial e institucional da CCEB a nível internacional? 

É grande. Temos colaborado bastante na segurança de diversas operações e consequentemente no aumento do volume de exportações e importações porque certificamos e validamos todos os fornecedores assim como os contratos de compra e venda internacional.

O que ainda falta às empresas de génese brasileira para que possam estar mais presentes no continente europeu? Quais são as áreas que na sua opinião carecem de maior apoio? 

As empresas brasileiras estão numa fase de interesse crescente de internacionalização e exportação. A Europa precisa estar mais aberta para essa entrada de novos conceitos e criar mecanismos de apoio à atividade empreendedora também para empresas estrangeiras de países terceiros. 

O Dia da Europa comemora-se no dia 9 de maio, onde se pretende festejar a paz e a unidade do continente europeu. Que comentário lhe merece esta efeméride e como pretendem assinalar o mesmo? 

A European Chamber comemora anualmente o Dia da Europa com atribuição da medalha 9 de maio para personalidades, empresas, negócios, projetos e estudos que se destacam não só no Brasil e Europa, mas em todo o mundo. Inclusive, este ano, estivemos a entregar a medalha 9 de maio a alguns nomes portugueses.

Que impacto tem tido no Brasil e na vossa orgânica enquanto instituição todas as mudanças ao nível da Europa, como por exemplo o Brexit? 

Procuramos analisar as mudanças como oportunidades de potencializar a cooperação entre os países, os continentes.

A terminar, e recordando que está à frente dos destinos da câmara do comércio europeia no Brasil desde julho de 2014, que desafios se colocam para o futuro e o que podemos esperar de si enquanto líder da instituição?

Aumentar o volume das exportações de commodities agrícolas e carnes do Brasil para o mundo, aumentar o número de delegações para 200 até  maio de 2018 e continuar a emprestar a minha credibilidade a todas as operações que nós validamos e garantimos através desse organismo que tanto tem crescido e ajudado compradores e fornecedores a crescer em todo o mundo.