Inovação e desafios em Oftalmologia 

O evento incluiu, no primeiro dia, uma sessão de abertura com uma comissão de honra com oradores de renome que se pronunciaram sobre as jornadas, os cuidados de saúde à população, o serviço nacional da saúde e os desafios que os profissionais de saúde enfrentam.

Para além do habitual programa científico, o evento contou, ainda, com um curso eupo focado na córnea e cirurgia refrativa.

PEDRO MENÉRES..Pedro Menéres, Médico Oftalmologista, Diretor do Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar do Porto, professor de oftalmologia no ICBAS e Presidente das Jornadas, foca a importância do evento, pelo impacto da reunião na formação e pela interação científica que as jornadas permitem com a comunidade oftalmológica em geral e com os serviços que se dedicam à investigação.

As XXXII Jornadas Internacionais de Oftalmologia revelaram-se um sucesso, em termos de participação e a nível científico, com cerca de 270 inscritos e com a presença de relevantes oftalmologistas internacionais.

Pedro Menéres reforça a importância do tema da córnea que está a passar por uma etapa de revolução. “Os transplantes de córnea deixaram de ser uma transplantação integral de todas as camadas da córnea passando a ser frequentemente uma transplantação apenas de uma parte da córnea que não está completamente funcionante, preservando parte do tecido do recetor que está bom e que não precisa de ser transplantado na totalidade. Verifica-se uma evolução significativa nos transplantes da córnea (no CHP já se realizaram mais de 4000) com maior sucesso, uma reabilitação mais rápida e, em muitos casos, o potencial de uma acuidade visual superior”, explica Pedro Menéres.

Este foi um dos temas abordados nas jornadas a par dos temas relacionados com outras intervenções cirúrgicas na córnea que mereceu por parte da organização um destaque para debate.

“Quando falamos de aspetos como o sucesso de intervenções cirúrgicas, avanços científicos e cuidados à população, o nosso país está, efetivamente, na linha da frente da saúde mundial.

Temos programas inovadores e estamos a avançar, com o apoio da ordem dos médicos e do ministério da saúde, com um programa relevante no que diz respeito à ambliopia. É um programa que está implementado, numa primeira fase, no norte, para que seja possível detetar nas crianças de dois anos problemas que mais tarde têm maior dificuldade de tratamento. Utilizamos as melhores tenologias no tratamento de diferentes patologias com resultados bastante bons e encorajadores”, avança o diretor do serviço de oftalmologia do CHP.

O CHP é uma instituição em mudança e o serviço de oftalmologia do CHP já comemorou 120 anos. “Temos vindo a demonstrar esta preocupação de qualidade na atividade assistencial conjugada com o ensino dos alunos do mestrado de medicina do instituto de ciências biomédicas Abel Salazar (ICBAS) agregado ao centro hospitalar do porto, bem como uma formação de internos da especialidade que é uma atividade muito importante do serviço com um caráter formativo completo, juntamente com a atividade de investigação. Temos participado em muitos ensaios clínicos multicêntricos internacionais constituindo uma parte do contributo para os avanços que se aplicam em conjugação com outros centros internacionais que participam em rede em ensaios clínicos”, reforça Pedro Menéres.

O antigo Hospital de Santo António transforma-se num grande centro hospitalar, o centro hospitalar universitário do porto devido a esta perspetiva de formação crucial, bem como pelos desafios de crescimento da capacidade assistencial, e pela necessidade de restruturação das instalações devido à procura crescente destes serviços médicos por parte da população.

O que se diz…

Fernando Araújo – Secretário de Estado Adjunto e da Saúde

FERNANDO ARAÚJOEstamos totalmente envolvidos no objetivo de captar e fixar os melhores profissionais. Queremos ofereceres-lhe uma carreira e um percurso que seja gratificante e aliciante. Isso passa, seguramente, pelo reforço da comunidade médica, por projetos de investigação e formação, por questões ligadas à retribuição, e, principalmente, pela existência de um contexto onde os profissionais podem realizar-se profissionalmente, crescer e prestar cuidados médicos de excelência aos portugueses.

A saúde visual para nós é extremamente relevante. O impacto social é enorme e estamos a apostar em projetos e na criação de áreas de valor na oftalmologia e na saúde em geral.

Estas jornadas são umas jornadas de excelência que reúne os melhores especialistas a nível nacional e é importante estar presente e demonstrar que o ministério da saúde orgulha-se do trabalho que tem sido desenvolvido.

Uma grande parte do nosso trabalho prende-se em conseguir trazer equidade ao país pelo que temos desenvolvido medidas inovadoras relacionadas com a fixação de médicos no interior do país. Os médicos jovens que vão para zonas mais carenciadas recebem um aumento da retribuição, têm mais dias para formação e melhores condições para crescer profissionalmente.

Ainda temos regiões em que os portugueses têm menos acesso aos cuidados de saúde e uma das formas de diminuir essa iniquidade é, precisamente, captar bons profissionais e colocá-los para que todos os cidadãos tenham acesso ao mesmo nível de qualidade de cuidados de saúde. 


Miguel Guimarães – Bastonário da Ordem dos Médicos

MIGUEL GUIMARÃESEstas jornadas têm uma dupla função: a primeira é reunir oftalmologistas de todo o país e só por isto as jornadas já têm a sua validade pelo networking que aqui se cria; depois porque se faz, de facto, formação médica contínua. Para além da troca de experiências há uma formação médica fundamental para manter os médicos atualizados. Não chega só formarmos excelentes profissionais, mas dar também um sinal positivo à sociedade civil de que continuamos a ter bons especialistas. Nessa perspetiva estas jornadas devem merecer, não só o nosso reconhecimento, como devem ser acarinhadas, quer pela ordem dos médicos, quer pelo estado português e pela própria universidade.

Podemos dizer que temos um bom serviço nacional de saúde (SNS) porque temos boas pessoas e essa é a caraterística que distingue o nosso SNS. Temos uma formação médica e programas de formação de elevada qualidade e é por isso que muitos países tentam recrutar médicos portugueses. A nível de capital humano temos um bom serviço, no entanto faltam-nos, ainda, alguns recursos a nível de equipamentos, materiais e um maior investimento financeiro no SNS. O nosso ministro não tem contratado os médicos que são precisos e os jovens de hoje são jovens que não têm barreiras nem qualquer tipo de fronteiras. São jovens da internet, redes sociais e geração low cost que tanto trabalham no seu país como em qualquer outro país dentro ou fora da união europeia onde as condições oferecidas são muito diferentes e nalguns casos até são mais aliciantes e favoráveis. E, neste momento, o estado tem de conseguir ser concorrencial.


António Sousa PerANTÓNIO SOUSA PEREIRAeira- Diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS)

Quando falamos de serviços que pretendem estar na vanguarda da tecnologia e que pretendem oferecer os melhores cuidados de saúde é importante que este género de eventos aconteçam. Estas jornadas traduzem-se no empenho de um serviço em fazer a diferenciação técnico-científica. O Centro Hospitalar do Porto juntamente com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) constituem, há cerca de dois anos, o centro académico clínico e agora o Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), portanto, em termos de ensino na área da saúde somos uma única instituição pelo que o compromisso do ICBAS com a formação de médicos, a nível de ensino pré-graduado, tem de corresponder à formação e diferenciação científica dos profissionais de saúde que trabalham nos serviços hospitalares com os quais colaboramos. Formamos bons profissionais, mas mais importante do que sermos nós a dizê-lo é a aceitação que os portugueses têm tido lá fora.


 

Luís Oliveira – Responsável da Unidade de Córnea e Transplantes do Centro Hospitalar do PortoLUÍS OLIVEIRA

Organizamos este congresso de dois em dois anos, variando o tema. Este ano o tema é a córnea, uma área com crescente importância e onde se tem verificado uma forte evolução nos últimos anos, nomeadamente ao nível dos transplantes, técnicas cirúrgicas e meios de diagnóstico.

Por isso mesmo assume uma importância cada vez maior nos cuidados de saúde de oftalmologia. É das áreas que mais inovação tem tido, no entanto, a nível de diagnóstico e de tratamento ainda enfrentamos alguns desafios. Mas a ciência é mesmo assim e o caminho vai-se fazendo devagar.


Manuel Monteiro-Grillo- Presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO)

Manuel Monteiro-GrilloFui convidado como Presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), mas como oftalmologista faço questão de estar presente nestes eventos. São eventos bastante didáticos e educativos, tanto pelas intervenções e oradores aqui presentes, como pelo contacto e troca de experiências com outros profissionais. É uma área que tem sofrido muita inovação, e apesar dos desafios diários tem sido possível ultrapassar os obstáculos.