Escolheu a área das Tecnologias da Informação por influência do irmão mais velho, que percebeu que a irmã teria o perfil certo para seguir uma área que na altura era ainda muito pouco desenvolvida. Hoje, Sandra Neto dos Santos, é Gestora do novo Centro de Excelência de TI da Panalpina em Lisboa. O irmão tinha razão e Sandra afirma seguramente que nunca se arrependeu.

Quem é Sandra Neto dos Santos?

É sempre difícil autocaracterizarmo-nos, apesar de nas entrevistas fazer sempre essa pergunta… Mas cá vai. Sou uma pessoa descontraída, simples e dada, adoro comunicar com outras pessoas e ser sempre transparente. Digo permanentemente aquilo que me vai na alma. Não sou de longos discursos memorizados, gosto de falar com o coração.

Acho que as pessoas aqui no Centro de Excelência se aperceberam disso e já desde a fase inicial das entrevistas comigo.

E quem é Sandra Neto dos Santos, Gestora do Centro de Excelência de TI da Panalpina?

Sei que o facto de ter um título inibe muitas vezes as pessoas que entram no meu gabinete para serem entrevistadas, por outro lado, acho que a tendência é cortar com isso. Na Panalpina temos um princípio: qualquer pessoa pode falar abertamente com outra, independentemente da função que desempenha. Essa é a ideia que quero transmitir desde o início. O meu gabinete está sempre aberto, o meu telemóvel e e-mail estão sempre disponíveis. Implementei algumas iniciativas para que as pessoas se misturem umas com as outras. Existem áreas no centro dedicadas a promoverem um convívio saudável entre as pessoas que aqui trabalham. A cozinha que é copa e zona de bar assim como o lounge onde têm jogos de estratégia à disposição, um espaço onde podem conversar e descontrair… penso que este tipo de iniciativas é importante para marcar a diferença mas também para que as pessoas se sintam bem no local onde trabalham, que é por sinal o lugar onde passam a maior parte do seu tempo.

Desde o início em que entrei para a Panalpina senti que havia uma abertura total, mesmo com os cargos mais superiores.

Como é ser mulher no mundo das Tecnologias de Informação?

Ainda é claramente um mundo dominado por homens. Nota-se isso desde a faculdade e depois ao longo da carreira. No mundo das Tecnologias da Informação há de facto muito poucas mulheres.

É jovem e mulher. Alguma vez se sentiu discriminada?

Nunca fui discriminada pelo género de forma negativa. A experiência que tive até agora foi sempre muito positiva. Não posso por isso dizer que desde o início da minha carreira passei por algo do género, apesar de estar numa área predominantemente masculina. O que a minha experiência me mostrou é que as mulheres se sentem retraídas para se candidatarem a cargos de topo. Já tive várias vezes esse feedback. Considero que isso acontece porque um cargo de gestão é associado a ter de fazer uma escolha entre uma carreira ou uma vida familiar. E é difícil mas nem sempre temos de abdicar de algo.

Há falta de mulheres na área?

Há, muita. Aqui tem sido um tema debatido constantemente e cada vez que vamos até às universidades, com as quais estamos já a estabelecer alguns protocolos, sentimos essa realidade de perto.

Já existem muitas mulheres nas engenharias mas em engenharia informática ainda há muito poucas. A programação é algo que assusta, e é importante desmistificar esse mundo. Eu própria percebi que a programação nunca foi aquilo que queria fazer e daí ter optado pelas redes de computadores, onde a comunicação é constante.

O que procura nas pessoas que trabalham consigo?

Aquilo que faz uma grande empresa são as pessoas. É essencial não nos focarmos apenas em encontrar génios da informática: as características humanas são, a par da importância técnica, igualmente relevantes para o sucesso das empresas. Queremos que as pessoas se sintam à vontade e que se deem bem com os colegas, no fundo que comuniquem, que não sejam robôs. No mundo das TI acontece muitas vezes a pessoa isolar-se com o seu computador. Aqui não queremos isso, pretendemos que as pessoas se entreajudem e que tomem café juntas, se conheçam e que comuniquem umas com as outras.

Lisboa foi a cidade escolhida para a instalação do novo Centro de Excelência de TI para a gestão de serviços de TI e desenvolvimento de soluções customizadas, pelo Grupo Panalpina. Porquê Lisboa?

Portugal ainda está centralizado em Lisboa. Aqui havia uma grande disponibilidade de profissionais para uma contratação em grande escala e num ritmo célere. Como temos várias equipas a funcionar em paralelo, Lisboa pareceu-nos a melhor solução. Um exemplo é a proximidade com o aeroporto que dispõe de voos diretos para a nossa sede, na Basileia, o que é sem dúvida uma mais-valia para nós.

“As Tecnologias de Informação são um motor fundamental no sucesso comercial da Panalpina”. Como pode ser explicada esta afirmação?

As TI são aquele motor que ajudam uma empresa em qualquer área a crescer em grande escala e principalmente se for o caso de uma multinacional como nós, presente nos seis continentes e em 150 países. Por isso temos sempre uma grande demanda de novos produtos e serviços para podermos oferecer uma melhor experiência aos nossos utilizadores e clientes, desde o site à plataforma de encomendas. Então, é essencial continuarmos a investir nesta área para podermos continuar no topo da Inovação e Liderança do ramo. O Centro de Excelência de TI é já um pilar cada vez mais marcante e complemento decisivo na arquitetura mundial do Grupo Panalpina.

Qual a decisão mais difícil que tomou na sua carreira?

Nos meus tempos em Dublin, quando estava ainda na Central de Desenvolvimento de Produtos da Microsoft, tinha tudo lá. Adorava o meu estilo de vida na época. Desde cedo comecei a definir alguns dos meus objetivos e metas e viver noutro país fazia parte deles. Tinha curiosidade sobre como seria… e queria trazer as experiências aprendidas para mais tarde ajudar a desenvolver o meu país. Na altura desejava muito experimentar sair de Portugal e saí.

Em Dublin já tinha atingido algumas metas que tinha definido: integrar um gigante multinacional, num país de expressão inglesa, que é muito importante na área uma vez que é tudo em inglês, e o mais fascinante era a multiculturalidade que se vivia, pois isso faz-nos abrir os nossos horizontes e ver o mundo de forma mais completa. No entanto, outro objetivo era regressar a Portugal.

Em Dublin tinha uma carreira promissora, adorava o que estava a fazer e principalmente porque tudo era a uma escala global e o ambiente era ótimo. Tinha tudo para ser feliz e já estava a entrar numa fase em que iria dar o próximo passo na minha carreira, porém, se aceitasse essa oferta teria que lá ficar mais tempo. O que me fez não aceitar foi a falta que sentia do clima de Portugal, nomeadamente do sol. O facto de não ter luz natural como cá fazia-me muita confusão. Então decidi que estava na hora de regressar, apesar das excelentes condições de que dispunha. Foram dois anos ótimos, num país lindo mas o clima fez-me voltar a Portugal. Desisti da Irlanda e da Microsoft. Esta decisão não foi nada fácil mas foi extremamente importante para mim.

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O que é para si um líder?

Um líder não se escolhe, é escolhido. Ele nasce assim e as pessoas é que o começam a assumir como tal. Aquela pessoa cujas ideias gostamos de ouvir, que nos faz sentir bem, que nos transmite empatia. O objetivo de um líder deverá ser retirar a carga negativa das pessoas e fazê-las concentrarem-se naquilo que é essencial para o seu dia-a-dia. Apoiar e ouvir. Não sou só eu que estou aqui, estamos todos e por isso todas as ideias são válidas. Um líder tem de saber ser criativo e perceber que cada pessoa é única e que tem a sua experiência pessoal… um líder não se impõe, ele nasce naturalmente.

Para ter sucesso é preciso…?

Se quisermos gerir pessoas, temos de ser transparentes, sermos nós próprios, porque quando somos constantes, os outros sabem com o que podem contar. Penso que é essencial ter objetivos, um rumo. Se a pessoa não souber o que quer, tem de começar pelo menos por saber aquilo que não quer. E mais importante que tudo, há que tratar bem os outros. O ditado é antigo mas é verdadeiro: “Fazer o bem sem olhar a quem.”

Um sorriso e conquistamos o mundo. ‘Mesmo quando estivermos ao telefone devemos sorrir’, disseram-me em tempos esta frase e na altura não entendi. Hoje sei que isso muda realmente tudo.

Panalpina em Portugal

Da equipa do novo Centro de Excelência de TI fazem parte 50 engenheiros e outros especialistas em Tecnologias da Informação. Sobre os projetos desenvolvidos, destaque para a personalização do sistema de gestão de pedidos da Panalpina, melhoria do seu sistema de cobrança eletrónica, e gestão de toda a infraestrutura e sistemas de ti a nível mundial. A empresa no Atrium Saldanha continua em fase de contratação direta e espera contar com pelo menos 80 especialistas até ao final do ano, continuando a crescer em 2018.

Grupo Panalpina – 500 Escritórios

O Grupo Panalpina opera numa rede global com cerca de 500 escritórios em mais de 70 países e trabalha com empresas parceiras em mais de 90 países. A Panalpina emprega aproximadamente 14.500 pessoas em todo o mundo que oferecem um serviço abrangente aos mais altos padrões de qualidade – onde e quando.