Fernanda Marques Lopes concluiu a Licenciatura em Direito, em 2006, pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, com as áreas de especialização em Ciências Jurídicas Forenses e Ciências Jurídicas Empresariais. Como descreveria o seu percurso profissional até aqui?

O meu percurso profissional tem sido sempre no sentido ascendente. Conclui a Licenciatura em Direito em 2006 e ingressei logo no estágio da Ordem dos Advogados, do qual obtive aproveitamento em 2009. No decurso do estágio, no início de 2007, optei por reforçar competências, frequentando um curso de formação de formadores. Nesse mesmo ano, iniciei o meu Mestrado em Direito, também na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, versando a minha tese de mestrado sobre um tema que cada vez mais merece a nossa atenção e estudo, “O Assédio Moral no Local de Trabalho”, o qual conclui em 2009. No ano de 2016, dediquei-me a um curso profissional de Gestão de I.P.S.S.

Além da Advocacia, dedico-me, desde 2009, paralelamente, à Formação Profissional de jovens e adultos, ministrando formação em diversas entidades formativas, como centros de apoio a empresários, escolas profissionais e escolas de condução, mas também em empresas, nomeadamente nas áreas do Direito do Trabalho, em Direito Rodoviário Nacional e Internacional.

Integra o escritório de advogados Amaro & Lopes Advogados. Quando é que se deu o ponto de viragem? Como encarou este desafio?

O exercício consciente e contínuo da Advocacia é já em si um desafio. Em finais de 2012 entendemos, eu o meu Colega, Dr. António Gonçalves Amaro, que os nossos percursos profissionais distintos poderiam confluir num projeto único, proporcionado pelo desenvolvimento da nossa atividade profissional. Com sensibilidades diferenciadas, o Colega com vasta experiência em contencioso, na banca e em procuradoria, eu com um acompanhamento muito próximo do setor dos transportes e também da esfera jurídica das I.P.S.S., a base da nossa parceria é uma partilha de princípios e valores e a forma de ver a profissão e o seu exercício na sociedade contemporânea portuguesa. Acima de tudo, pugnamos por proteger e valorizar os interesses dos nossos clientes, auxiliando-os no planeamento e estruturação dos seus negócios e interesses, praticando uma advocacia preventiva, e, defendendo os seus direitos, tentando compreender as suas inquietações e resolver as suas preocupações. Tudo isto sempre lutando pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da Justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e instituições jurídicas.

Em suma, podemos ser encarados como uma Boutique de Advocacia, onde o acompanhamento é personalizado, regendo-se pela confiança, tenacidade, multidisciplinaridade, e privilegiando o sigilo característico da atividade. Neste caso, o encontro de saberes e o equilíbrio alcançado entre a sensibilidade feminina e a objetividade masculina resultou numa aliança perfeita.

A advocacia, apesar de ser cada vez menos, é uma atividade associada a homens. Sentiu dificuldades em “impor-se” neste “mundo” de homens?

Nunca senti qualquer dificuldade nesse sentido. A área do direito cada vez se desenvolve mais no feminino. Recordo-me que na faculdade mais de metade da turma era constituída por mulheres. Na sala de audiência, entre magistrados, advogados e funcionários judiciais por vezes estamos in totum no feminino. Pessoalmente, não creio que seja condicionante para o bom exercício da profissão. A essência encontra-se na vocação e não no género.

O conceito “Liderança Feminina” tem sido debatido para consciencializar a sociedade sobre a problemática, ainda existente, da desigualdade de género. Alguma vez foi alvo de discriminação pelo facto de ser mulher?

Entendo que em alguns setores essa desigualdade ainda se faça, de alguma forma, sentir, mas acredito que com competência e brio profissional essa é uma ideia cada vez mais do passado. Venho de uma família de forte ascendência matriarcal, de mulheres de fibra, onde apesar de tudo nunca existiu um único jurista, tendo sido pioneira nesse sentido. Com empenho e determinação, não foi difícil concretizar o sonho de menina de ser advogada. E pela forma como encaro os demais operadores judiciários e a sociedade civil em geral nunca me senti alvo de qualquer discriminação.

A sociedade impõe que as mulheres sejam mães e se dediquem à família, mas elas, cada vez mais, querem apostar na sua carreira profissional. Uma coisa invalida a outra?

De todo. Creio que uma coisa não invalida a outra. As mulheres, por natureza e instinto, conseguem desempenhar múltiplos papéis simultaneamente, sem prejudicar uns em detrimento de outros. É claro que uma boa base familiar ajuda, e não tenho dúvidas que sem a colaboração dos meus pais ou do meu marido não conseguiria dedicar tanto tempo à profissão que decidi abraçar desde os bancos da primária. É uma questão de organização, disciplina e definição de prioridades, é uma luta diária e constante que no final gera a recompensa de nos sentirmos realizadas. Pelo menos é assim que aos trinta e três anos me sinto, na certeza que tenho muito caminho pela frente, na senda do sucesso.