A Importância dos Sistemas de Informação Geográfica (Sig) para o Setor Florestal

A floresta possui um enorme valor económico e social que, a par do seu elevado valor ambiental, a transforma num dos recursos mais importantes do nosso país.

2288

No entanto, nos últimos anos os incêndios florestais foram os principais responsáveis pela destruição anual de uma área considerável dos espaços florestais, constituindo deste modo uma grave ameaça ao desenvolvimento sustentável da floresta portuguesa. Perante este cenário foram colocadas na agenda da atualidade as questões relacionadas com o ordenamento florestal.

Uma gestão florestal sustentável implica o conhecimento do território e dos seus recursos, calculando as suas potencialidades assim como as suas debilidades e efetuando um correto planeamento das operações. Neste campo os SIG vieram revolucionar a forma como os gestores florestais passaram a gerir as suas propriedades e a atividade florestal. O conceito dos SIG não se restringe à mera representação cartográfica, apesar da sua importância, mas sim faz uso dessa componente aliando esta a um amplo conceito de análise espacial, proporcionando por esta via um suporte mais robusto e sustentado à tomada de decisão.

Os SIG vieram acrescentar uma maior eficiência ao ordenamento florestal, onde podemos verificar a aplicação desta tecnologia na definição de políticas e estratégias de gestão florestal, nomeadamente no zonamento do território de acordo com as suas características, na confrontação e articulação com outros instrumentos de planeamento como os PDM e os PROF, na análise da vulnerabilidade contra agentes bióticos e abióticos, na instalação de infraestruturas florestais, e no desenvolvimento de programas de gestão estratégica dos combustíveis florestais.

Esta tecnologia encontra-se presente nas diversas etapas da gestão florestal, desde o planeamento, passando pela operacionalização e avaliação dos resultados. De facto podemos verificar a sua presença em trabalhos de análise e diagnóstico, inventário florestal, cadastro da propriedade, planeamento das arborizações, silvicultura preventiva, projetos de recuperação e na exploração florestal.

Numa abordagem geral podemos afirmar que os SIG podem contribuir para um correto ordenamento florestal, proporcionando uma análise abrangente dos espaços florestais e permitindo aos gestores florestais uma tomada de decisão mais consciente e direcionada para a obtenção de melhores resultados.

Foi assente nesta visão e conscientes da importância que os SIG desempenham no setor florestal que a Associação Florestal de Entre Douro e Tâmega, com o apoio da ESRI Portugal, lançou em março deste ano o projeto GeoForest. A proposta passa pela elaboração conjunta de uma plataforma colaborativa para o setor florestal. Este projeto pretende criar verdadeiras Comunidades Florestais Inteligentes, promovendo a partilha de informação e a colaboração no setor florestal. A ideia consiste na criação de uma estrutura que englobe as questões relacionadas com a defesa da floresta contra incêndios e sensibilização da população em geral, possibilitando um conjunto de ferramentas de apoio à decisão.

Os principais destinatários são as autarquias e as comissões municipais de defesa da floresta. Este projeto tem como objetivo o envolvimento das entidades, proporcionando a criação de hubs de conhecimento e inovação capazes de melhorar a partilha de informação, a comunicação, a análise e a colaboração em redor de um problema comum: os incêndios florestais. A capacidade de compreensão e de previsão do comportamento dos incêndios florestais constitui uma ferramenta imprescindível de apoio à decisão no que diz respeito às ações de prevenção e combate dos incêndios florestais, contribuindo para otimização dos recursos e infraestruturas de DFCI disponíveis.

O GeoForest vai promover a criação de aplicações específicas de visualização de dados geográficos referente aos espaços florestais e que se irão focar em cinco temas base: Colaboração, Compromisso, Consciência, Análise Espacial e Mobilidade.

Numa primeira fase, a AFEDT conta já com a colaboração da Esri Portugal e dos municípios de Amarante, Cinfães e Marco de Canaveses enquanto entidades que contribuem com dados para o projeto. Contudo o objetivo passa pelo envolvimento das restantes autarquias da região, assim como o desenvolvimento de ligações de cooperação com outras entidades que possam conceder uma mais valia para o projeto.

Para mais informações sobre o GeoForest, visite geoforest.maisfloresta.com

Opinião de Pedro Alves , Técnico DFCI – Associação Florestal de Entre Douro e Tâmega