O Mercado Eletrônico está presente no mercado para ajudar os profissionais de compra. O que pode ser dito sobre o trabalho que o Mercado Eletrônico tem desenvolvido para consolidar eficientemente as transações comerciais entre empresas?

Carolina Costa (CC) A empresa Mercado Eletrônico nasceu no Brasil em 1994, quando o Fundador e CEO da empresa, Eduardo Nader, com apenas 27 anos, decidiu deixar o seu cargo na área de compras numa indústria têxtil da família – confrontado com a burocracia e a falta de organização no seu dia-a-dia, para desenvolver uma plataforma com foco no B2B, numa altura em que o mundo “online” era inimaginável e nem existia a função comprador, como conhecemos hoje.

Desde então, todos os dias uma equipa de investigação & desenvolvimento e toda uma grande estrutura por detrás, desenvolve, testa, mantém a evolução de soluções com uma única missão: ajudar profissionais de compras a identificar e qualificar melhor os fornecedores, analisar as melhores ofertas, ser compliant, garantir o foco no estratégico, governança e transparência em todo o ciclo do Procurement.

Luís Sobral (LS) O Mercado Eletrônico tem atuado a nível global com as maiores empresas e sempre num contexto de eficiência do processo de compra e na obtenção de poupanças, com um impacto direto nos resultados financeiros das empresas. Neste contexto, o uso da tecnologia e de boas práticas implementadas nos nossos clientes, têm ajudado os profissionais de compras, primeiro no foco do que efetivamente é o mais importante na sua atividade (redução de custos, poupanças e minimização de risco), libertando estes profissionais das tarefas administrativas, operacionais e de baixo valor acrescentado, automatizando e descentralizando esses processos. Por outro lado, disponibilizando métodos e tecnologias nas atividades relevantes em procurement para que o profissional de compras consiga obter a melhor performance e disponibilizando indicadores para a sua melhoria contínua.

Para elucidar o nosso leitor, compras e Procurement é a mesma coisa?

CC O Procurement é a função primordial, onde e a partir de diretrizes, temos a visão de todo o processo de compras e aprovisionamento ciclicamente, o pensamento estratégico. Compras, é o culminar desse processo, é a fase tática. Ter uma área de procurement ou de compras dentro de uma empresa, vai sempre depender da dimensão, da cultura, mas principalmente do entendimento entre todos os stakeholders na mudança desse paradigma.

LS A compra é o ato em si da aquisição, em que existe um formalismo necessário para o efeito. O procurement é muito mais do que isso, é todo o processo que deriva de uma estratégia estabelecida e que passa por atividades como o estudo do mercado potencial, a pesquisa e qualificação de potenciais fornecedores, o uso de táticas de negociação e também as atividades de compra propriamente ditas que visam operacionalizar o resultado final.

Qual é a importância do Procurement e o impacto das compras na competitividade das empresas?

CC Com a globalização, foi imperativo a evolução das compras da maneira como a conhecemos e com ela, veio também a importância do foco no estratégico, para não ser apenas uma área onde “coloca e recebe o pedido da necessidade de compra” (sumariamente falando), mas que analisa a sustentabilidade da empresa num todo. Aqui entra a importância de ver a “fotografia” do processo e os impactos que este vai gerar com base nos objetivos que a empresa se propõe. Com a internet e a evolução tecnológica, foi possível relacionar-se com os stakeholders do mundo inteiro e tudo ficou muito exposto, otimizado e fácil. Foi necessário rever os processos de avaliação, qualificação e medição de fornecedores, para também poder garantir melhores compras e parcerias.

LS O papel do procurement evoluiu muito nos últimos anos, não é mais uma função administrativa de compras, antes é uma área geradora de resultados. O impacto da performance de compras na empresa evidencia-se diretamente no resultado.

O foco na obtenção de poupanças, ou seja, do menor custo para a melhor qualidade, permite às empresas serem mais competitivas. Comprar melhor que o concorrente pode significar o sucesso da empresa e inclusive a sua sustentabilidade. Por outro lado, o papel do procurement é bem mais do que negociar, é internamente saber colocar as questões pertinentes e procurar as respostas para que a compra seja a certa, para que não existam gastos desnecessários e por forma a que se minimize o risco na cadeia de fornecimento.

Porque devem as empresas adotar um processo de gestão de compras e que fatores são importantes para o desenvolvimento da função Compras nas organizações?

CC Na última década, gradualmente, tem-se evidenciado a importância de adotar processos eficientes nas áreas de compras. Temos acompanhado de perto os esforços das associações do setor e das empresas pioneiras, que têm contribuído com os seus testemunhos para reforçar a importância da mudança do paradigma. Identificar a estratégia, analisar o mercado, organizar, medir, capacitar a equipa, preservar a imagem e a reputação da empresa são apenas alguns dos fatores importantes para o desenvolvimento da função compras. Se adicionarmos tecnologia à gestão de compras, para além de permitir de forma ágil a realização dos fatores acima, também permitirá o armazenamento de toda a informação gerada e trocada entre todos os intervenientes do processo, que também servirá de benchmarking para análises futuras, em novos processos. Neste sentido, a tecnologia aliada às compras trouxe velocidade, agilidade e eficiência às transações comerciais, mas também trouxe uma grande preocupação: a Compliance, – garantir que estamos a cumprir com as normas, regulamentos, políticas e regras do negócio, evitando as não conformidades e desvios, preservando a imagem e os valores éticos das empresas no mercado. Este aspeto passou a ser de alta relevância e o reconhecimento desses valores nas organizações passaram a ser valorizados por todo os stakeholders. Respeitando as normas de compliance no mercado eletrónico, toda a documentação e informação gerida, partilhada e armazenada passa a ser alvo de registo e auditabilidade, sendo totalmente transparente aos olhos de todos, permitindo não só valorizar a imagem da empresa no mercado, como cumprir com os objetivos da organização, elevando os padrões de ética.

LS Tudo deve começar por uma definição estratégica da empresa e o procurement deve fazer parte dessa definição, nomeadamente estabelecendo regras de compliance e objetivos claros. Com essa definição, o papel das compras deverá ser orientado e focado, aqui o uso da tecnologia permite por um lado garantir a normalização dos processos de acordo com as regras de negócio e estratégia estabelecida e por outro lado automatizar as tarefas que são administrativas ou operacionais. Assim, destacamos como principais fatores para o desenvolvimento da função compras, a estratégia de procurement, eventualmente a sua materialização em manual de compras para uso interno, o desenvolvimento de skills específicos em procurement, nomeadamente, em negociação, o envolvimento em colaboração com as áreas clientes e a constante medição de resultados evidenciando o seu contributo interno. Para isso, o uso de tecnologia é fundamental, nomeadamente como garante de compliance (processos e normas), como repositório de informação, como garante de auditabilidade, como forma de implementação de processos eficientes e finalmente como ferramenta para navegação e reporting de dados de compras.

Quando falamos de Procurement falamos de empresas que procuram gerir o risco dos seus fornecedores e identificar oportunidades de poupança. Que análise pode ser feita no que diz respeito à criação de valor nacional com esta gestão?

CC Tendo a organização o cuidado na escolha, avaliação e qualificação de fornecedores, é o primeiro passo para querer “estar e ser compliance” no mercado. Este aspeto passou a ser de alta relevância e o reconhecimento desses valores nas organizações passaram a ser valorizados por todo os stakeholders. Esta preocupação não vai somente garantir que “eu” (empresa) estou a cumprir com as normas, regulamentos, políticas e regras do negócio, mas também que os “meus” parceiros são informados dessas regras para trabalhar “comigo” (empresa) e que também passam a “ser e estar compliance” no mercado. Assim, evitando as não conformidades e desvios, será possível preservar a imagem e os valores éticos das empresas que se relacionam no mercado e isto, a meu ver, deveria ser encarado como o catalisador da criação de valor nacional.

LS Parte fundamental da atividade de procurement é o relacionamento com os fornecedores. A escolha de um fornecedor “errado” pode repercutir-se em prejuízos elevados para a empresa, nomeadamente relacionados com a imagem da empresa (Um fornecedor/parceiro envolvido em questões ilícitas por exemplo pode determinar um impacto tremendo ao nível da imagem e consequentemente do resultado) e com questões de qualidade e continuidade no fornecimento.

Assim, a análise de risco sobre fornecedores e potenciais fornecedores é fundamental no suporte à decisão de compra principalmente sobre as categorias vitais (Estratégicas) para a empresa. Mais uma vez, e de forma alinhada com a estratégia definida, o uso de tecnologia e serviços no processo de qualificação de fornecedores é fundamental, desde logo na validação dos requisitos necessários para uma empresa poder ser fornecedor para determinada área ou categoria, mas também na monitorização da atividade dos fornecedores ativos, nomeadamente com processos de avaliação de fornecedores e respetivo feedback para a melhoria contínua e acima de tudo para o alinhamento com objetivos comuns. Hoje no Mercado Eletrônico, a grande maioria dos clientes compradores têm implementado processo de registo de fornecedores (candidaturas), a sua qualificação com validações suportadas na tecnologia e em integração com sistemas externos e a avaliação do desempenho na execução dos contratos.

O Mercado Eletrônico está a revolucionar a forma como as áreas de compras das empresas fazem negócios. Qual é o futuro do Procurement e que desafios enfrenta?

CC É imperativo as empresas perceberem que Procurement não é uma atividade secundária, e que através da eficiência dos processos todos dentro de uma estrutura organizacional ganham. É essencial que as empresas consigam perceber que um euro em economia é igual a um euro em lucro e que somente é possível concretizar essa afirmação conscientizando no seio das organizações a importância da atividade. Todos têm a ganhar! O mercado tem a ganhar! Os profissionais de Procurement sentem a necessidade de mudança e muitas vezes a evolução não passa por apenas agregar tecnologia ao processo, mas principalmente pela mudança de mentalidade da liderança de topo, que ainda ficou numa fase conservadora.

A nossa tarefa (Mercado Eletrônico), passa por, diariamente, conseguir elevar a função compras ao patamar que ela merece (e que já não há desculpas para a sua não evolução), e resultado disso é a nossa constante necessidade de acrescentar valor à tecnologia, oferecendo conteúdos, serviços e todo o apoio às empresas e profissionais que nos procuram.

LS Uma grande empresa já não abdica do uso da tecnologia na área de procurement, é um fator decisivo para a obtenção de resultados. Tipicamente os processos operacionais da compra ficam salvaguardados quando suportados por uma gestão de contratos e catálogos eletrónicos libertando as áreas de compras para tarefas estratégicas, que também estão devidamente suportados por conteúdos e práticas para a obtenção de poupanças.

Os desafios colocam-se agora, por um lado, para empresas de menor dimensão, que hoje ainda têm a atividade de procurement como secundária e que como tal não sentem ainda o benefício (redução de custos e poupança) derivado do uso de tecnologia de procurement. Com a experiência acumulada e o volume de funcionalidades e conteúdo relevante, o Mercado Eletrônico criou soluções mais focadas para estas empresas, em que ficam disponíveis de forma padrão um conjunto de funcionalidades e de conteúdos relevantes para que possam ser aproveitados por empresas de menor dimensão. Por outro lado, olhando para desafios mais tecnológicos, o futuro (já bem presente) é o aproveitamento de todo o conteúdo que a internet disponibiliza e de todas as soluções que existem e que podem ser integradas, gerando maior valor para o utilizador final. A isto chamamos de ecossistemas tecnológicos, em que o Mercado Eletrônico aproveita os recursos existentes de outras soluções tecnológicas e dos seus conteúdos, por forma a que, devidamente trabalhados, produzam informações e novos recursos para as áreas de compras aperfeiçoarem os seus processos e obterem melhores resultados.

Procurement – Trends 2017

Há pouco mais de 20 anos surgiram as primeiras plataformas tecnológicas de apoio às compras, permitindo àqueles que arriscaram neste tipo de investimento dar um grande passo para o melhor desempenho da empresa. Provavelmente, estamos a falar de empresas que hoje estão na vanguarda do setor. A área de procurement das empresas está a ganhar o seu espaço e a conquistá-lo a um ritmo como nunca antes visto. As plataformas estão a mudar a maneira como as organizações realizam os seus negócios! O estudo que se segue foi partilhado através das redes sociais e de bases de dados de parceiros no dia 14 de setembro, tendo estado disponível para resposta até ao dia 24 de Janeiro de 2017. O estudo encontra-se dividido em dois grandes blocos, representando a atualidade e as tendências: o primeiro referente à Negociação & Compras e o segundo à Gestão e Qualificação de Fornecedores. Através de uma amostra representativa, onde participaram empresas conceituadas do tecido empresarial, neste estudo são apresentadas as tendências para este ano, que poderão nortear a área de procurement em Portugal.