Ascensão das mulheres no setor das TI em Portugal

Nos dias de hoje ainda existem muitos setores onde existe a necessidade da emancipação das mulheres. O sector das TI é um deles!

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Desde o início do meu percurso profissional que tenho vindo a trabalhar em mercados altamente competitivos e onde os homens são a força dominante. Contudo, é interessante analisar que, apesar disso, foi no meio da liderança de mulheres aguerridas e com vontade de sempre querer fazer mais e melhor que aprendi as bases de tudo aquilo que me fez ser a profissional que sou hoje. Se me perguntarem se continuo a praticar nos dias de hoje tudo o que aprendi ao longo do meu percurso profissional, a minha resposta é sem sombra de dúvida que não. Mas todas essas aprendizagens foram fundamentais para construir a minha identidade enquanto profissional e também enquanto líder. São as nossas experiências que nos moldam e o mercado de trabalho tem este efeito curioso de cada experiência ter o poder de mudar para sempre o rumo da nossa vida. Tal como com todos foi isso que aconteceu comigo. A minha primeira experiência profissional tornou-me uma pessoa mais forte, mais resiliente, orientada ao cliente e aos resultados, com um enorme espírito de equipa – penso que me fez descobrir uma Rita que até lá desconhecia.

Todos estes fatores foram fundamentais para o meu crescimento profissional daí em diante. Aprendi quais as práticas que devia continuar a seguir para ter sucesso, mas também quais as que gostaria de fazer diferente. E assim foi, logo que me foi dada a oportunidade de gerir uma equipa Há muitas coisas que hoje em dia faço de forma diferente porque achei que as aprendi de forma menos correta.

Durante o percurso que me levou à posição que ocupo hoje encontrei alguns obstáculos e o desafio sempre foi descobrir como os ultrapassar com sucesso. Aprendi assim que é fundamental reconhecer os nossos erros e aprender com eles, aprender todos os dias alguma coisa com aqueles que nos rodeiam quer na nossa vida profissional, quer pessoal, mas o fator principal, pelo menos para mim, que faz a diferença na forma como os obstáculos são ultrapassados é ter uma mentalidade orientada à resolução de problemas. Felizmente foi algo que desde cedo me foi incutido e continua a ser até aos dias de hoje um dos meus principais lemas.

Hoje acredito numa liderança colaborativa, que é o exemplo que dita as regras e que é a nossa paixão que move aqueles que nos seguem. É isto que pratico diariamente. Considero que passados 12 anos de percurso profissional, consegui atingir os resultados que me propus atingir e consegui deixar a minha marca em todos aqueles que tiveram oportunidade de trabalhar comigo, ou assim espero.

Na minha opinião, apesar de continuarmos a viver numa sociedade em que os cargos de gestão de topo são maioritariamente ocupados por homens, estamos numa clara fase de mudança. Cada vez mais temos mulheres em posições chave nas organizações e cada vez mais vemos os homens convencidos que somos capazes de fazer um trabalho tão bom quanto o deles.

A capacidade de liderança não é definida pelo género, mas sim pelas características de cada líder. E temos de admitir que, regra geral, as mulheres têm alguns pontos a seu favor: não só têm uma capacidade de comunicação mais eficaz e próxima com os colaboradores, como conseguem criar empatia com mais facilidade, e ainda deixar demonstrar mais facilmente os seus sentimentos em tudo o que fazem, não significando isto que não consigam ser objetivas, pragmáticas e assertivas sempre que necessário. 

Há pouco tempo, quando fui convidada a dar uma entrevista para os “Casos de Sucesso” do Portal da NOS, perguntaram-me qual era o nosso ingrediente secreto enquanto empresa. Achei a pergunta interessante. Tal como as empresas, os líderes têm os seus ingredientes secretos. E da mesma forma que o disse na altura, volto a dizê-lo agora, sendo secreto não deve ser revelado. Todos temos algo que nos torna especiais, ou pelo menos, diferentes. No meu caso, sem querer levantar muito o véu à minha receita secreta, tem muito a ver não só com ser extremamente apaixonada por aquilo que faço e vestir sempre a camisola de cada projeto que abraço, mas também por ser uma “pessoa de Pessoas”, que são, sempre foram e vão continuar a ser, enquanto líder, o mais importante para mim.

Rita Silva, CEO da Edge