A EUR-ACE é uma marca europeia de qualidade, cujo sistema de avaliação tem por base um conjunto de requisitos que distinguem os cursos de engenharia de alta qualidade na Europa e no mundo. Sinteticamente, o que está em causa com esta acreditação?

IMG_9603Luís Miguel Madeira (LM) Participei e colaborei no processo que permitiu a acreditação do curso, em 2012, sendo na altura o diretor do curso o Professor José Miguel Loureiro. Esta acreditação é um selo de qualidade para toda a comunidade envolvente: para os estudantes, para as empresas e entidades empregadoras, para as organizações profissionais e entidades de acreditação, para os docentes e instituições universitárias, mas, sobretudo, é um selo de qualidade e de distinção para o mercado nacional, europeu e internacional. É um reconhecimento da qualidade que o Mestrado Integrado em Engenharia Química oferece na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.IMG_9564

José Miguel Loureiro (JL) Na sequência do processo de Bolonha as instituições europeias acharam que deveria haver um sistema que permitisse aos estudantes fazerem parte do seu curso numa universidade de um país diferente. Para isso tinha de haver universidades acreditadas que permitissem que os estudantes tivessem a sua carta de curso válida em toda a Europa. Para tal, também foram criados os ECTS (European Credit Transfer System), o sistema de créditos no qual nos baseamos atualmente. É um sistema centrado no estudante que permite acumular e transferir créditos académicos de uma universidade para outra instituição fora do país. Com o sistema ECTS e com as acreditações a nível europeu tudo se tornou mais fácil, e com o devido reconhecimento. 

Para além dos requisitos educacionais, a atribuição contempla também a opinião dos vários intervenientes do processo como os estudantes. Quais são os maiores benefícios deste selo de qualidade?

LM Este selo apresenta vantagens não só no que diz respeito à mobilidade dos nossos estudantes durante o mestrado integrado, mas também para atrair estudantes, e sobretudo, em termos profissionais. É dada a garantia de que um curso que é acreditado vai cumprir com os padrões europeus e internacionais e as empresas reconhecem essa qualidade. Os estudantes quando escolhem o nosso curso sabem que, mais tarde, a abertura ao mercado de trabalho é maior. Por outro lado, verão o processo simplificado aquando da candidatura a outros programas de mestrado ou doutoramento acreditados.

JL Estando nós na União Europeia este selo de qualidade é importante para a mobilidade dos nossos estudantes, para quem o mercado de trabalho não é exclusivamente Portugal. É importante esta acreditação para se abrirem portas, não só na Europa, mas a nível internacional, aos nossos estudantes.  

A FEUP é já uma entidade de renome, com esta qualificação que patamar podemos considerar que a instituição alcançou, quer a nível nacional quer a nível internacional?

LM A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto orgulha-se em ser a primeira instituição portuguesa com todos os cursos de mestrado integrado em engenharia reconhecidos pelo ENAEE (European Network for Accreditation of Engineering Education) através da atribuição da Marca de Qualidade EUR-ACE.

JL O curso de Engenharia Química foi o segundo a receber este selo, tendo sido o primeiro o curso de Engenharia Mecânica. A avaliação do MIEQ teve lugar em 2012 e a certificação é válida por um período de seis anos, até 2018. A partir daí os restantes cursos de Mestrado Integrado (e Mestrado em Engenharia de Minas e Geo-Ambiente) da FEUP candidataram-se ao EUR-ACE e, neste momento, são todos acreditados (dez no total). 

O EUR-ACE atribui o selo depois de reconhecidos e validados os critérios. Que critérios são esses? E em que áreas?

JL Em Portugal, a entidade emissora deste selo de qualidade europeu às instituições académicas é a Ordem dos Engenheiros, devidamente credenciada pela ENAEE. Há um guião de avaliação que abrange vários itens, entre eles as competências que são geradas no curso, ou seja, o conhecimento e a compreensão, a análise de engenharia, o projeto de engenharia, a investigação, a prática de engenharia e as competências transferíveis, entre outros. Todos estes itens são avaliados, quer por documentação que fazemos chegar através de um relatório, quer por uma comissão da Ordem dos Engenheiros que visita a instituição e faz um pré-relatório, o qual é comentado pelo diretor do curso e, posteriormente, (desejavelmente) aprovado com a atribuição da Marca de Qualidade EUR-ACE durante um período renovável, que no caso do MIEQ foi de seis anos.

LM Nem todos os cursos são acreditados e nem todos os cursos são acreditados pelo mesmo período. A partir do relatório do curso e dos pareceres surge uma série de recomendações, algumas para serem implementadas no imediato e outras a médio/longo termo. Este fator acaba por se revelar numa forma de aferir a qualidade do curso, que tentará implementar essas recomendações para uma renovação da candidatura ao selo de qualidade.

Dos critérios anteriormente referidos posso dar o exemplo da investigação. Quando falamos da oferta de um curso de mestrado integrado de cinco anos, a componente de investigação tem de estar associada ao ensino. Só se pode evoluir no ensino se houver um acompanhamento nas matérias que são lecionadas a par do que se faz de novo em termos de investigação. E este é, claramente, um departamento forte em termos de investigação. Para ter uma ideia, podemos dizer que no ranking de Shanghai deste ano a Engenharia Química da Universidade do Porto ficou classificada no 29º lugar a nível mundial (!). Está, ainda, no sétimo lugar a nível europeu e é a melhor a nível nacional. 

Especificamente, o que/quem é avaliado?

JL Para além do programa curricular e do corpo docente também são avaliadas as próprias instalações da faculdade, as instalações do departamento, desde os laboratórios aos gabinetes e salas de aula, bem como as infraestruturas como a biblioteca, a rede informática ou, ainda, as atividades extracurriculares que a faculdade fornece aos seus estudantes. Estamos aqui para formar pessoas e profissionais, por isso mesmo tudo é alvo de avaliação.

LM Além disso, a avaliação que os próprios estudantes fazem dos docentes, através de inquéritos pedagógicos de forma anónima, também entra nos critérios para a acreditação.

Todos estes critérios são importantes e têm contribuído bastante para a questão da internacionalização. Temos parcerias e  acordos com diversas e prestigiadas instituições espalhadas pelo mundo que têm permitido a mobilidade dos estudantes, quer seja a partir da nossa faculdade para outras instituições, ou a partir de outras universidades para a FEUP. Estamos a falar por exemplo do programa Erasmus Estudos e, mais recentemente, do programa Erasmus Estágios, que permite aos estudantes, no 5º ano do curso, fazer a sua dissertação num ambiente empresarial em empresas espalhadas pela Europa. São programas com uma adesão cada vez maior, por parte dos estudantes, de universidades de referência e de empresas de renome no espaço europeu.

Podíamos dar-lhe mais exemplos, mas este em particular ilustra bem o reconhecimento europeu da qualidade oferecida no MIEQ e na FEUP.