Sharing Foundation: há cinco anos em prol da multiculturalidade e da interculturalidade

“A Fundação trabalha na Guiné equatorial, em Cabo Verde, em Moçambique e colabora com a Rússia, Brasil e países europeus, interagindo assim com outras culturas de uma forma globalizada”. Descubra tudo sobre a Share Foundation nas palavras de Carla Silva, Diretora Geral.

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A Fundação atua em diferentes áreas que vão da educação à cultura, às artes e formação em âmbito regional, nacional e internacional. De forma a elucidar os nossos leitores, que história pode ser contada sobre a origem e o propósito da Sharing Foundation?

A Sharing Foundation é um Fundação de cariz familiar, instituída em homenagem em vida à mãe do nosso Presidente Silvio Santos, no dia do seu último aniversário, a 15 de Outubro de 2013. Baseada na visão de um país melhor com uma juventude educada e formada numa pedagogia diferenciada, alicerçada na meritocracia, mas também promotora de culturas e línguas que fazem parte do desenvolvimento do ser humano. Nem sempre, na nossa sociedade, somos capazes de usar a cooperação como forma de prática de trabalho, não é fácil ao ser humano “despir-se” da sua individualidade e do espírito de sobrevivência que nos caracteriza. Essas competências, chamadas de soft skills, são competências adquiridas na formação, na aprendizagem por um modelo multicultural e intercultural, basilar na Fundação e foi este o espírito que a promoveu.

É diretora geral da fundação e tem um pós doutoramento em Sistemas de Inteligência Artificial, um tema que trouxe para a fundação. Que projetos têm sido desenvolvidos nesse sentido?

A Fundação tem os seus projetos na área da Educação e Pedagogia na temática do multiculturalismo e multilinguismo associados à rede de escolas ao nível nacional bem como ao nível internacional, nomeadamente nos países da CPLP. A investigação na área de Sistemas de Inteligência Artificial tem sido uma das iniciativas trazidas à discussão nos nossos projetos de investigação e em projetos europeus. Acreditamos que a tecnologia pode promover a aprendizagem numa metodologia inclusiva e integradora do aluno. Nos nossos projetos pretendemos demonstrar a intervenção de boas práticas ao nível da inteligência artificial que podem ajudar a gestão de uma boa escola e um novo paradigma de aprendizagem do aluno.

Em Portugal, esta é uma temática que começa a ganhar alguma força… comparativamente com outros países, estamos num bom patamar?

Portugal tem feito um excelente percurso de investigação nesta área há décadas, desde machine learning, robótica inteligente, à inteligência aumentada com aplicação da área da saúde nos centros de investigação. Ligados à aprendizagem, é uma ideia inovadora e completamente revolucionária. Escrever um algoritmo que possa prever se determinado aluno vai ter dificuldades em determinados conteúdos, pode ajudar a gestão da escola a realizar uma intervenção adequada e atempada de modo a prevenir abandono ou insucesso escolar. Os sistemas de inteligência artificial podem fazê-lo, enriquecendo o sistema de ensino de novas ferramentas para ensinar, evoluir e ter sucesso.

Onde nos leva a inteligência artificial?

A inteligência artificial é um meio pelo qual se pretende modelar os pensamentos em processos computacionais. E definir processos mentais como uma expressão algorítmica é de facto algo extremamente ambicionante. E isto leva-nos com certeza ao desenvolvimento da engenharia do conhecimento, uma nova área e provavelmente novos perfis de trabalho serão definidos por este conhecimento. Esta capacidade de um computador reconhecer padrões e definir perfis tendo por base as lógicas humanas e o comportamento humano, vai fazer-nos, a nós como seres humanos, ambicionarmos ir mais longe no conhecimento, aliás uma característica que nos distingue das demais espécies.

Promover a multiculturalidade e o interculturalismo são princípios que estão enraizados na fundação. Através de que meios promovem este comportamento global?

A Fundação trabalha na Guiné equatorial, em Cabo Verde, em Moçambique e colabora com a Rússia, Brasil e países europeus, interagindo assim com outras culturas de uma forma globalizada. Trabalhar com muitas culturas permite-nos desenvolver competências entre culturas. Nos nossos projetos, a cultura é sempre vista a partir de um ponto, e nessa perspetiva, é sempre coordenada e respeitada a vista de outros pontos. E é nesta missão de espírito cultivador que podemos e devemos evoluir e respeitar as diferenças. O Ser Humano evoluiu como espécie porque era diferente e foi necessário adaptar-se à diferença do seu meio para evoluir. Nós, como seres culturais devemos ser capazes de viver nessa diferença, mas acima de tudo, respeitando a vivência da diferença. Isto é basilar e um dos alicerces dos direitos humanos, um meio pela qual a Fundação pretende sempre seguir.

Organizam encontros, seminários e conferências, quais serão as próximas?

Até ao final do ano a Fundação está envolvida na gestão e coordenação de alguns projectos europeus, tendo as acções inerentes a esses projectos as conferências e seminários com as nossas Universidades e Instituições parceiras. Em 2018 celebramos o 5º aniversário da Fundação e pretendemos associá-lo à nossa missão, juntamente com os nossos parceiros de educação e ciência, a promoção deste dia com uma conferência internacional.