Os Sistemas de Informação Geográfica – novos caminhos

A atualidade tem sido fértil no que respeita à volatilidade do mercado de emprego. Esta tendência não é apenas nacional podendo, com facilidade, ser traçados paralelismos um pouco por todo o mundo.

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Com efeito, o mercado de trabalho tem-se alterado significativamente, sobretudo, nas duas últimas décadas, muito devido ao efeito da globalização que se intensificou rapidamente com o desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, como os telemóveis e internet. Embora muitas vezes estas mudanças sejam descritas apenas como mudanças físicas, a verdade é que as questões comportamentais e culturais também têm sofrido profundas metamorfoses. Todas estas alterações fizeram com que o perfil do trabalhador fosse obrigado a sofrer transformações medulares que se refletiram especialmente na aposta na qualificação e formação contínua, essenciais para compreender e conviver a par com as novas tecnologias.

Esta mudança de paradigma é acompanhada, também pelos, utilizadores e profissionais por áreas do setor da geoinformática, – área da atuação da APPSIG – Associação Portuguesa Para os Sistemas de Informação Geográfica – na qual, em poucas décadas, se constatou uma transformação profunda na forma como pensávamos e representamos o espaço.

A implementação e evolução de diversas tecnologias, comerciais e open-source, permitiu aos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) serem aplicados a praticamente todas as áreas do saber que lidam com fenômenos espaciais desde o setor primário como agricultura, pescas e setor extrativo, até aos serviços e videojogos como o PokemonGO que se tornou viral no ano passado. No entanto embora os SIG tenham uma aplicação potencialmente ilimitada e uma escala de representação tão variável, a sua aplicação em muitas ciências e setores, em Portugal, não é ainda completamente (re)conhecida e como tal, não é potenciada por diversas entidades, quer públicas quer privadas.

Os dados de índole espacial já são bem explorados a nível corporativo (por gigantes como a Google ou Facebook), e considerando o setor público e as grandes empresas em Portugal, podemos dizer que muito tem sido feito nestes últimos anos. A capacitação de utilizadores, profissionais e decisores políticos foi fundamental para a implementação de diversos projetos públicos, relacionados com o setor. As universidades e os institutos e laboratórios públicos também têm tido um papel preponderante no atual panorama que se vive em Portugal, por um lado, reconhecendo a necessidade de criar e renovar conhecimento e por outro, apostando na investigação, capacitação profissional e divulgação científica.

Neste sentido e considerando a evolução do setor em Portugal, surge a APPSIG. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos e embora seja um jovem projeto, pretende ser um espaço de união e partilha de conhecimento, entre todos os utilizadores, os vários estudantes e profissionais do setor que de alguma forma atuem sobre o espaço ou território, dotando-os de meios para que estes se mantenham atualizados numa área em constante e rápida mudança.

Pretende-se apostar em áreas que se consideram nucleares, como a divulgação científica, a formação e aproximação dos diversos profissionais, estudantes e utilizadores que compõem o setor, através da organização de eventos, como colóquios e reuniões informais sobre determinada temática (meetups temáticos), que se esperam que levem à concretização de novas iniciativas e projetos empresariais.

Com este projeto, pretende-se dinamizar o setor em Portugal, através do desenvolvimento de canais de comunicação entre os diferentes intervenientes no setor e de certa forma atuar como um hub de informação divulgando notícias, projetos, artigos, cursos, formação, concursos e ofertas de emprego relacionadas com os sistemas de informação geográfica. Pretende-se também apoiar a investigação científica e contribuir para a formação de massa crítica através de ações de formação, para desta forma, enriquecer e capacitar capital humano, adicionando valor às várias organizações que investem ou irão investir na espacialização do seu mercado/objeto de estudo.

 Luís Fonseca, Presidente da Associação Portuguesa Para os Sistemas de Informação Geográfica