Para os apoiantes dos Shamasneh, não há qualquer dúvida de que se trata de mais um exemplo da judaização deste bairro da parte palestiniana de Jerusalém ocupada e anexada por Israel.

Após a expulsão, alguns homens judeus entraram na casa sob a proteção de polícias, constatou a agência France-Press (AFP).

O caso dos Shamasneh atraiu a atenção das organizações não-governamentais contra a colonização e dos diplomatas atentos à situação em Jerusalém Oriental, uma das questões mais difíceis do conflito israelo-palestiniano.

Na pequena casa de algumas dezenas de metros quadrados viviam Fahmiyeh Shamasneh, 75 anos, o seu marido doente de 84 anos, o seu filho e a família deste, que dizem não ter para onde ir.

“Há maior injustiça do que esta?”, lamentou-se Fahmiyeh Shamasneh, adiantando: “Vamos talvez dormir na rua”.

Os Shamasneh foram expulsos por decisão da justiça israelita e a casa fica para os herdeiros dos judeus a quem a habitação pertencia antes de 1948, quando foi criado o Estado de Israel e que fugiram quando os jordanos se apoderaram de Jerusalém Oriental durante a primeira guerra israelo-árabe.

A família palestiniana mudou-se para a casa em 1964.

Em 1967, Israel conquista Jerusalém Oriental e os Shamasneh e os inquilinos palestinianos na mesma situação ficam sob a autoridade de um organismo israelita.

Segundo a organização israelita Paz Agora, desde 2009 que aquele organismo, juntamente com os herdeiros dos antigos proprietários e um advogado conhecido pela sua ligação às organizações de colonos, tenta expulsar os inquilinos palestinianos.

Algumas centenas em 1967, os judeus são agora cerca de 195.000 numa população de 450.000 pessoas em Jerusalém Oriental.

Israel considera a totalidade de Jerusalém como a sua capital indivisível, embora a comunidade internacional não reconheça a sua anexação e considere a colonização dos territórios ocupados ilegal, além de um obstáculo à paz.

Os palestinianos querem fazer de Jerusalém Oriental a capital do Estado ao qual aspiram.