Cristas admite proibição de futebol em dia de eleições

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, admitiu hoje a existência de legislação que proíba jogos de futebol em dias de eleições, mas duvida que os "elevados níveis de abstenção" do país se prendam com eventos desportivos.

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“Se o Governo for por diante, não vejo mal nisso, mas também, com franqueza, não acredito que os elevados níveis de abstenção no nosso país tenham a ver com um pontual jogo de futebol”, afirmou Assunção Cristas, sobre a intenção de o Governo legislar no sentido de proibir esses eventos em dias de atos eleitorais, conforme avança o Diário de Notícias.

Assunção Cristas falava aos jornalistas durante uma ação de pré-campanha autárquica à Câmara de Lisboa depois de acompanhar a entrada de alunos na escola básica do Largo de Leão, na freguesia de Arroios, onde um protesto da associação de pais pedia mais funcionários na escola, um plano de emergência para o estabelecimento e obras de qualificação.

A líder centrista defendeu que, “idealmente, no dia das eleições”, quanto “menos outras atrações, melhor”, mas sublinhou que “as urnas estão abertas muitas horas” e “as pessoas que querem votar têm muitas horas para o fazer e podem organizar o seu dia para votar mais cedo e depois verem o seu jogo de futebol”.

“Quando está sol, diz-se que é por causa do sol, porque as pessoas vão para a praia, quando chove diz-se que é por causa do mau tempo que as pessoas ficam em casa”, declarou.

“Com certeza que tudo isso terá alguma interferência, mas aquilo que enquanto política mais me preocupa é saber o que é que nós podemos fazer para que a nossa mensagem seja entendida por parte das pessoas a ponto de sentirem que vale a pena sair de casa e organizar o seu dia de domingo para poder passar pela mesa de voto”, sublinhou.

“No desporto existe um regime jurídico das federações desportivas e é a esse regime jurídico que vamos propor alterações por forma a que eventos e espetáculos desportivos, sublinho desportivos, não coincidam com dias eleitorais”, disse João Paulo Rebelo.

Questionada sobre as afirmações do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, segundo as quais o atual apoio parlamentar de esquerda ao Governo do PS dificilmente se repetirá, Assunção Cristas relativizou.

“Tudo o que se diz agora é para ser lido no tempo próprio, que é o da preparação do Orçamento do Estado”, considerou.

Assunção Cristas esteve junto à escola básica do largo de Leão, onde a associação de pais considera que a segurança e bem-estar das crianças estão em causa, pela falta de assistentes operacionais e de condições do edifício, que não tem plano de segurança.

“No discurso, Fernando Medina assume as escolas como uma prioridade, vimos cartazes a dizer exatamente isso, na prática, o que vemos é muito trabalho por fazer, promessas incumpridas”, defendeu a candidata da coligação “Pela Nossa Lisboa” (CDS-PP/MPT/PPM).

Cristas reiterou a prioridade do seu programa eleitoral de universalização de oferta de creches através da contratualização com o setor social e particular, apontando que a capital do país é o concelho “mais mal servido de creches”.

“Falta 30% de oferta”, apontou, defendendo que “as obras que têm sido feitas pela Câmara Municipal de Lisboa” são a “embelezar praças, a fazer obras de cosmética e a não tratar das questões estruturais”.