Praxes na Universidade do Porto geram polémica

O ministro do Ensino Superior repudiou “todas as práticas” de praxe “que levem à humilhação”, notando ser indiferente se acontecem dentro ou fora das portas das faculdades e defendendo que a “responsabilidade é de todos”.

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“Repudio todas as práticas que levem à humilhação dos mais novos pelos mais velhos. Educar só é possível num espírito de abertura e tolerância”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, à margem da abertura da 12ª edição do YES (Young European Scientist) Meeting, que decorre na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Respondendo aos jornalistas relativamente a um “manual de sobrevivência do caloiro” distribuído nas imediações da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que define os novos estudantes como seres irracionais, o governante frisou que perceber se os factos decorreram fora ou dentro da instituição “é uma discussão que não interessa”, frisando que “a responsabilização é de todos”.

A edição de hoje do Jornal de Notícias refere que, durante esta semana, tem sido distribuído aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto um manual em que se refere que “o caloiro não é um ser racional”, “não goza de qualquer direito”, deve ser “incondicionalmente servil, obediente e resignado” e ser “sempre moderado no uso da palavra”.

Manuel Heitor diz que não tem conhecimento do caso, mas assegurou fazer “o que sempre” fez: repudiar “todas as práticas que levem à humilhação dos mais novos pelos mais velhos”

“Continuarei a evitar praticas como essa. Sabemos que persistem boas práticas com más práticas de humilhação. Temos de valorizar as boas e combater a persistência das más”, defendeu.