Financiamento especializado impulsiona economia nacional

Opinião de Paulo Pinheiro, Presidente da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting.

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O setor do financiamento especializado tem evoluído de forma consistente nos últimos anos e continua a acompanhar o desenvolvimento positivo da economia portuguesa em 2017.

Factoring cresce quase 15 por cento

De acordo com as estimativas da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF), até ao final do primeiro semestre de 2017 o mercado português do Factoring registou um crescimento significativo, com cerca de 12,8 mil milhões de euros em faturas tomadas, ou seja, mais 14,7 por cento comparativamente com o período homólogo.

Sabe-se que o Factoring de Exportação, que tem crescido de forma ininterrupta nos últimos treze anos, tem dado um forte contributo para este desenvolvimento. É importante referir que no Factoring de Exportação a empresa de Factoring (fator) adquire créditos de fornecedores do seu país sobre adquirentes estrangeiros (os devedores), permitindo ainda às empresas exportadoras nacionais antecipar os recebimentos dos seus clientes estrangeiros.

Este crescimento não é surpreendente se considerarmos que as empresas portuguesas estão cada vez mais especializadas no que se refere à exportação e mais conscientes da importância de reduzir custos administrativos e de ter cobertura do risco comercial, sobretudo quando os compradores estão a milhares de quilómetros de distância e há uma maior insegurança quanto ao cumprimento do contrato.

Renting com evolução de 6 por cento

O Aluguer Operacional de Viaturas (Renting) tem sido também um dos protagonistas da evolução positiva do setor do financiamento especializado, sendo que, para o primeiro semestre deste ano, se estima uma evolução de 6,3 por cento, que equivale a uma produção de 277 milhões de euros. As 14.695 viaturas novas adquiridas pelas associadas da ALF representam um crescimento de 6,9 por cento relativamente ao ano passado.

Já o total das frotas automóveis geridas pelas empresas de Renting totalizou, no mesmo período, um número estimado superior a 102.662, demonstrando um crescimento de 8,8 por cento, o que corresponde a 1,5 mil milhões de euros (isto é 13,8 por cento superior ao ano anterior).

Estes valores confirmam que o Renting tem captado um universo de clientes que reconhece já as vantagens deste modelo de serviço, enquanto opção que transforma custos variáveis em fixos, permitindo uma melhor planificação financeira a médio e a longo prazo, sem ativos ineficientes. Apesar de tradicionalmente focado nas grandes empresas, ao longo dos últimos anos o setor tem vindo a adaptar-se às necessidades das pequenas e médias empresas, bem como de particulares, conseguindo demonstrar que um veículo pode ser mais rentável e cómodo em Renting, já que o cliente beneficia da escala das empresas do setor.

Leasing aumenta produção em 5 por cento

O Leasing tem vindo também a consolidar a sua importância ao longo de 2017. Destaca-se, sobretudo, a Locação Financeira Mobiliária – que financia todo o tipo de equipamentos e de viaturas – com um aumento estimado de 4,8 por cento nos valores de produção nos primeiros seis meses do ano, que correspondem a 890 milhões de euros (sendo que 597 milhões de euros reportam a viaturas e 292 milhões de euros a equipamentos). No total, incluindo a Locação Financeira Imobiliária, que alcançou um valor de 395 milhões de euros em produção, o Leasing foi responsável por injetar 1,28 mil milhões de euros em investimentos em Portugal no período analisado.

Estes dados demonstram a recuperação da confiança dos empresários na economia portuguesa, já que esta fórmula de financiamento é utilizada principalmente para a compra de ativos produtivos (móveis e imóveis). Trata-se, uma vez mais, de um sinal de que as empresas reconhecem a eficiência deste tipo de ferramentas de financiamento, permitindo canalizar os seus esforços para as suas áreas de criação de valor. As características intrínsecas do Leasing, nomeadamente ao nível da flexibilidade de contratos, em termos e prazos, prestações e formas de pagamento, têm permitido uma versatilidade que é deveras apreciada pelos agentes económicos. Para o segundo semestre de 2017 prevê-se que o financiamento especializado mantenha a linha de crescimento verificada, seguindo as previsões otimistas, embora cautelosas, para o corrente ano.

Para além dos bons resultados verificados, podemos afirmar ainda que existe potencial para crescer sobretudo entre as pequenas e médias empresas, que podem utilizar os serviços das nossas associadas como forma de complementar as opções de crédito tradicionais, contribuindo para o seu crescimento e flexibilidade económica.