“Não sou feminista”, afirma Luìza Palma. Luto pela paridade, luto pela igualdade de género. É inadmissível que hoje as mulheres ainda tenham de se esforçar mais para verem o seu trabalho reconhecido e que ganhem menos do que os seus pares pelo facto de serem mulheres. “Não posso permitir isto”, ressalta.

Luìza Palma é líder em Portugal da All Ladies League (ALL), uma organização internacional criada em 2011 e com presença em 150 países que promove e luta pela igualdade de género. É um movimento que pretende dar voz às mulheres.

COMO TUDO COMEÇOU

Em janeiro, dia 31, dia Mundial do Leproso, Luìza Palma foi convidada como oradora para uma conferência em Londres. “Levei o tema das ciências comigo intitulado de “Forgotten People”, isto porque há um novo surto da lepra, mas poucos sabem. Esta doença continua a ter um estigma enorme na nossa sociedade. Em pleno século XXI não podemos permitir que tenhamos, de novo, sobretudo crianças e mulheres a morrerem por causa da lepra. Neste momento, temos 250 mil casos a surgir, por ano”, lamenta a nossa entrevistada.

Foi nesta conferência que começou a sua jornada na All Ladies League (ALL) e a sua missão de divulgar o Women Economic Forum, uma ferramenta regional que a ALL All Ladies League utiliza para prover localmente o debate sobre o tema equidade e paridade do género.

Devido ao seu discurso em Londres sobre a lepra, a fundadora da ALL, presente na conferência, convidou Luìza Palma para assumir o cargo de Chairperson da All Ladies League e divulgar o Women Economic Forum em Portugal.

O WOMEN ECONOMIC FORUM EM PORTUGAL

Women Economic Forum terá lugar já nos próximos dias 15, 16 e 17 de outubro, Hotel Estoril Palace.

Sob o tema “A mulher na Ciência, Inovação e Criatividade Intelectual”, o Women Economic Forum pretende ser um encontro global sobre liderança, proporcionando às mulheres capacidades para expandir as suas oportunidades de negócios e aumentar a sua influência global.

O evento traz a Portugal a presença de oradores influentes dos quatro cantos do mundo, desde o Médio Oriente passando pela Europa de Leste, Filipinas, Índia e Espanha. 

UM MODELO REVOLUCIONÁRIO

Foi num ambiente descontraídIMG_0217o e acolhedor, ao qual Luìza Palma apelida de lar, o Grémio Literário em Lisboa, que a nossa entrevistada nos falou sobre o modelo económico que irá apresentar ao Banco Mundial, ainda este mês. Um modelo que, se for aplicado pelas empresas, poderá fazer crescer a economia e travar as disparidades, preenchendo a defesa dos direitos das mulheres.

Sob o ponto de vista social, as empresas só têm a lucrar com a aplicação deste modelo. É como que um “selo de qualidade” que tornará a empresa mais atrativa por cumprir os critérios da igualdade de género. “Apresentarei um cenário do antes e do depois da aplicação deste modelo económico por parte das empresas portuguesas. No fundo, trata-se de aplicar boas práticas de governação e de transparência, sobretudo, no que diz respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de género. Tenho três filhas e quero que elas saibam que a mãe delas está a lutar para que tenham as mesmas condições de trabalho, as mesmas oportunidades de trabalho e a mesma oportunidade de ascensão profissional”, conclui a nossa entrevistada.