A Caetano Aeronautic, S. A., surgiu em resultado de um acordo de cooperação estabelecido, em agosto de 2012, entre o Grupo Salvador Caetano e a Airbus Defence and Space, e com o objetivo de desenvolver a sua atividade no âmbito do setor aeronáutico, mediante a fabricação de componentes para aeroestruturas de diferentes modelos de aeronaves militares e civis.

Neste sentido, a Empresa foi constituída a 18 de setembro de 2012, marcou a aposta do Grupo Salvador Caetano nesta nova área de negócio, a qual se caracteriza pela elevada componente tecnológica e pelo perfil fortemente orientado para os mercados externos, desencadeando um elevado interesse estratégico a nível nacional para o fabrico de produtos geradores de competitividade. Assim, o “core business” da empresa consubstancia-se na fabricação de um conjunto variado de componentes de aeroestruturas para diferentes modelos de aeronaves (de distintos Original Equipment Manufacturer – OEM), do segmento militar e civil, variando o “range” de componentes a fabricar em função dos programas definidos pelos OEM, os quais são produzidos a partir de materiais metálicos (alumínio, titânio e aço) e/ou compósitos (em fibra de carbono). O ano de 2014 ficou marcado pela alteração da estrutura societária da empresa e pelo aumento do seu capital como resultado da “Joint-Venture” estabelecida entre a Salvador Caetano Indústria e a Aciturri Aeronautica, S.L., um dos maiores fornecedores aeronáuticos Tier 1 da Europa.

Este acordo permitiu à Caetano Aeronautic a conjugação entre (i) o conhecimento extenso e as fortes relações comerciais do Grupo Salvador Caetano na indústria portuguesa e (ii) a experiência do Grupo Aciturri ao longo de mais de 35 anos no setor aeronáutico.

Decorridos cinco anos, continua a crescer e a dar cartas num setor que hoje ganhou uma enorme relevância a nível nacional, a Aeronáutica.

PRODUÇÃO COM FORMAÇÃO

De acordo com António Castro, “o grande problema que se coloca, não só nesta indústria como em toda, são quadros intermédios e o «chão de fábrica»”. Essa parte é a mais difícil porque não há formação a este nível. Em colaboração com o Centro de formação de Gaia do Grupo Salvador Caetano, foi ministrado o Curso de Técnico de Produção e Transformação de Compósitos, com conteúdo à medida para responder às necessidades da empresa. Este ano a unidade fabril retoma o curso técnico, que absorve quase todas as pessoas que o frequenta. Adicionalmente, atendendo a elevada exigência tecnológica desta indústria, 25% dos nossos quadros tem formação superior e mais de 50% com o grau de 12º ano de escolaridade.

“AS PESSOAS SÃO O MAIS IMPORTANTE. ISTO NÃO PODE SER SÓ DITO,

TEM DE SER VISTO”

“O capital humano é mesmo o mais importante – não pode ser algo dito mas visível na ação”. O Grupo Salvador Caetano tem isso no seu ADN desde o começo. Fazemos tudo o que nos é possível para que as pessoas se sintam bem. Isso é parte integrante da nossa cultura. Qualquer pessoa que entre na empresa tem perspetivas de progredir na carreira. Muitos dos nossos colaboradores estão connosco toda a sua vida profissional.

No entanto, o diretor refere que reter o talento mais jovem é mais complicado, uma vez que as novas gerações parecem procurar acima de tudo um salário alto a outro tipo de compensações. “Os jovens valorizam mais questões monetárias em vez de outras regalias. Alguns dos que foram embora voltaram pouco depois a ‘casa’. Temos atualmente 110 pessoas a trabalhar e queremos aumentar este número. Seja em que indústria for os passos são sempre os mesmos: semear, esperar e colher”.

Caetano Aeronautic lidera PASSARO – Clear Sky 2

Caetano Aeronautic assume a liderança de um consórcio de entidades portuguesas no âmbito do Projeto Clean Sky 2. Este é um programa de investigação aeronáutica com vista à melhoria do desempenho ambiental do transporte aéreo a decorrer nos próximos sete anos.

“Somos líderes no consórcio português –
PASSARO”, declara Flávio Figueiredo, e explica a importância deste projeto: “Isto permite-nos participar na área de investigação e desenvolvimento num programa Europeu, e dar o nosso contributo num projeto comum e adequado à nossa dimensão e experiência. Capacita a equipa de Engenharia e acelera muitas das tecnologias que podemos implementar no futuro”.

A preocupação da Comissão Europeia é preparar a próxima geração de aeronaves e por isso distribuiu por vários países-membros projetos de desenvolvimento nesse sentido. Este projeto tem três pilares essenciais: a redução de emissões poluentes; a redução do ruído e tornar o ciclo do produto mais «verde» ”.

“A produção de aviões continua a crescer e por isso é natural que cada vez mais empresas fabriquem componentes para esse fim. Estou certo que a aeronáutica é uma indústria muito adequada ao mercado português. É algo que precisa de muita competência e os portugueses têm-na!”, explica o diretor.

A Caetano Aeronautic quer dar passos maiores já a partir do próximo ano. “Em 2018, esperamos entrar em velocidade cruzeiro com a nossa capacidade máxima instalada”, conclui António Castro.