“Façam tudo para serem felizes”

“Nunca desistam! Lutem pelo que querem, enfrentando os medos e saindo da zona de conforto”, afirma Isabel Monte, Fundadora da Isabel Monte Fotografia, que em entrevista à Revista Pontos de Vista deu a conhecer um pouco mais desta área e a sua visão sobre as mulheres no mundo.

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Quando é que surgiu a ideia de Isabel Monte Fotografia e porquê a escolha por esta área que, como sabemos, “mexe” tanto com os sentidos e as emoções?

A minha paixão pela fotografia começou quando conheci o meu ex-marido, na altura fotógrafo profissional de moda, arquitetura e interiores no Dubai, onde eu cresci. Ajudei-o e aprendi imenso. Após o nascimento da nossa primeira filha, a Jane, fiquei completamente rendida em fotografá-la e dei conta que era uma área muito mais emotiva. Vim para Portugal de férias em 2009, já grávida da nossa segunda filha, a Emma, e acabei por ficar cá para o parto. Infelizmente não correu muito bem e a Emma ficou com paralisia cerebral. Acabei por me divorciar e decidir ficar de vez em Portugal para um melhor acompanhamento médico.

Olhando para as escassas oportunidades de emprego para quem precisava de acompanhar a filha a consultas, a terapias, entre outros, resolvi dar a volta à situação e criar o meu próprio emprego onde pudesse gerir o meu tempo e fazer algo apaixonante. E foi assim que surgiu a ideia! Primeiro criei o blog onde convidei cerca de 30 famílias para portfólio e em seguida nasceu o site (www.isabelmonte.com) e o negócio Isabel Monte Fotografia.

Quais são as maiores dificuldades para singrar nesta área? O que procura ou pretende quando realiza um projeto? 

O investimento para todo o equipamento como também toda a gama de cenários e acessórios. Algo que fui conseguindo aos poucos com o sucesso do meu trabalho.

O meu objetivo é focar-me nas pessoas e nas suas emoções, seja a fase única de uma gravidez ou a chegada de um recém-nascido. Pretendo que anos mais tarde a família consiga reviver tudo como se tivesse sido ontem.

Que análise perpétua do seu trajeto profissional e quais têm sido as suas principais vitórias e conquistas?

Há sempre altos e baixos! Mas se formos persistentes e positivos, tudo é possível alcançar. Hoje em dia tenho o meu trabalho reconhecido a nível nacional e internacional, além de fidelizar famílias que temos o prazer de rever e registar o seu crescimento. 

Que desafios, no âmbito da sua função, é que enfrenta no seu quotidiano? Como mulher, de que forma é que ultrapassa os desafios que surgem diariamente? 

Sendo a minha área mais virada para o feminino, são poucos os obstáculos em comparação com os que tive de enfrentar na indústria automóvel no Dubai! Mas sendo uma mulher de luta e com grande vontade de triunfar, tenho ultrapassado tudo até nas fases mais difíceis.

Para si, o que faz um bom líder? É legítimo afirmar que as mulheres são melhores líderes que os Homens? Como analisa os gestores em Portugal? 

Um bom líder é alguém que trabalha com paixão! Que arrisca em transformar as suas ideias em ações. É alguém persistente e confiante que irá vencer, rodeado de boas pessoas e influências. É flexível e aberto a novas ideias e aprendizagens. Lidera dando o exemplo e avalia os erros para melhorar. É alguém que conhece bem os seus clientes e preocupa-se com o feedback. É alguém que faz tudo para superar sempre as expectativas!

Não gosto de generalizar. Acredito que devido ao contexto da sociedade, a mulher tenha mais qualidades de “multitasking” do que o homem. É caso para dizer que somos “a mulher dos sete ofícios”! Os gestores em Portugal ainda têm as mentes muito fechadas e retrógradas… Mas já vejo melhorias! (Risos)

Uma sociedade equilibrada contempla a integração de homens e mulheres com igualdade de oportunidades. O sexo não torna o indivíduo nem mais nem menos apto para o desempenho de uma determinada função. O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade? 

Penso que falta criar estratégias nas empresas em relação a… Formar “Managers” sobre o tema da igualdade de oportunidades e formas de identificar e lidar com situações de discriminação.

Celebrar os sucessos, sejam de homens ou mulheres, de forma equiparada.

Selecionar novos colaboradores com base nas suas aptidões e competências e não no género. 

O que podemos continuar a esperar de si de futuro? 

Mais fotografias de qualidade, mais criatividade, mais conquistas de prémios, mais famílias felizes!

Que conselho lhe aprazaria deixar a todas as mulheres? 

Nunca desistam! Lutem pelo que querem, enfrentando os medos e saindo da zona de conforto! Não há impossíveis, o único limite está na mente. Peçam ajuda… “No man is an island”. Façam tudo para serem felizes. Tal como Fernando Pessoa escreveu: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”