Este ano o programa Erasmus celebra 30 anos e 9 milhões de beneficiários, entre estudantes, investigadores, professores, voluntários e pessoal não docente. Só universitários abrangidos contam-se 4,4 milhões. Quando é que a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) fez a sua primeira mobilidade internacional?

A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) resulta da fusão, em 2006, da Escola Superior de Enfermagem Dr. Ângelo da Fonseca (fundada em 1881) e da Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto (fundada em 1971). A Escola é, por isso, herdeira da mais antiga formação em enfermagem em Portugal, é uma instituição pública de referência nacional e internacional, pela sua qualidade e inovação, com intervenção reconhecida no sistema de saúde e na sociedade.

Em 1988 o Curso de Enfermagem foi integrado no sistema educativo nacional no ensino superior quando já tinha iniciado o Programa Erasmus que este ano comemora 30 anos de sucesso.

A integração do ensino permitiu às escolas participar nos programas internacionais dedicados á mobilidade de estudantes e não só. Claro que o primeiro ano foi dedicado a encontrar parceiros internacionais para o programa tendo-se realizado algumas visitas preparatórias. Era necessário darmo-nos a conhecer e sobretudo conhecer os parceiros que nos queriam acolher e nos davam as garantias necessárias para o acolhimento dos nossos estudantes. Esta continua a ser uma grande preocupação nossa, de garantir que durante a mobilidade os nossos estudantes têm todas as condições para viver e ter sucesso no seu desenvolvimento e aprendizagem.

A partir daí, o número de estudantes, professores e administrativos que realizam um período de mobilidade Erasmus tem vindo sempre a crescer e de forma sustentada. Para esse crescimento muito tem contribuído o financiamento do Programa Erasmus, mas também o investimento que, as sucessivas direções da escola têm feito para motivar e proporcionar estas mobilidades.

Não posso deixar de referir que, as duas escolas sempre tiveram a internacionalização na sua estratégia e, mesmo antes do programa Erasmus iniciar, já havia protocolos de cooperação com congéneres internacionais, o que permitiu, ao tempo, realizar projetos conjuntos e até mobilidade de estudantes por períodos curtos com universidades estrangeiras.

Desde então, qual tem sido o impacto dos programas de intercâmbio na ESEnfC?

Como sabe a perspetiva inicial do programa era o de conseguir até 2020 que 20% dos estudantes europeus realizassem um período de mobilidade internacional. A Escola, mercê do investimento e das ações de motivação junto dos estudantes já ultrapassou esse objetivo. 28.57% Dos nossos licenciados fazem uma mobilidade no âmbito do Programa Erasmus. Claro que este número não pode deixar de ter impacto bastante positivo na qualidade dos Enfermeiros formados por esta escola. Muitos referem que essa foi uma experiência para a vida e que na altura em que, por razões sociais e políticas, tiveram que emigrar isso lhes foi mais fácil.

Ser enfermeiro é também ter uma consciência da diversidade cultural, daí que a experiência que este programa tem proporcionado melhora as competências dos estudantes para perceber as diferenças e atuar de acordo com elas.

Mas a mobilidade internacional não se esgota no programa Erasmus +. A escola tem um conjunto de parceiros fora do espaço Erasmus com os quais tem protocolos de cooperação para a mobilidade e investigação, seja para estudantes de graduação, seja para estudantes de pós-graduação, como mestrados e pós-doutoramentos.

Estamos a falar de uma evolução de quantos alunos enviados e recebidos no âmbito de programas de mobilidade internacional?

Á medida que o programa evoluiu foi possível, á escola, aumentar o número de Universidades parceiras, neste momento temos já mais de 90 acordos o que nos tem permitido aumentar o número de mobilidades, em cada ano, seja dos estudantes que enviamos, seja dos que recebemos. Em todos os programas, enviamos anualmente para mobilidade numa instituição parceira entre 100 e 120 estudantes. A maioria, destas mobilidades, são realizadas em Universidades europeias, mas também temos estudantes que realizam um período de mobilidade no Brasil, México e Região Administrativa especial de Macau.

Também o número de estudantes recebidos tem aumentado. Ainda são em número inferior aos que enviamos, mas recebemos anualmente cerca de 90 estudantes oriundos sobretudo de países do Espaço Erasmus. Estes números são, para a dimensão da Escola, bastante significativos como tem sido amplamente reconhecido.

Mais do que enriquecer os currículos dos estudantes, estas mobilidades são importantes para os jovens desenvolverem novas capacidades de relacionamento, adaptação ou resolução de problemas. Qual é a posição da  ESEnfC para com os programas de mobilidades? Que importância assumem os mesmos atualmente?

No seu plano de desenvolvimento estratégico a ESEnfC assume a internacionalização como um desafio permanente e transversal a todas as atividades da Escola. Considera que a internacionalização constitui uma oportunidade à qualificação do ensino e que a otimização dos processos de mobilidade de estudantes, docentes e não docentes aumenta a qualidade dos cursos e a excelência da investigação, reforça a internacionalização académica e cultural, para além de a considerar como essencial para o desenvolvimento pessoal integral dos estudantes e para a empregabilidade. Para além disso tem sido essencial para a visibilidade da organização no contexto Europeu e no contexto mundial. Os nossos estudantes, professores e pessoal administrativo são os melhores embaixadores da escola. Por outro lado, como já disse, a mobilidade proporciona um conjunto de experiências que aumentam o potencial de competências transversais como a autonomia, dado que ficam sozinhos durante um período de tempo, competências linguísticas e culturais e de relação que são essenciais ao exercício da profissão de enfermeiro. Pensamos que esta visão de incrementar, desenvolver e aprofundar a mobilidade e as cooperações Internacionais, tem a longo prazo repercussões positivas ao nível da empregabilidade dos nossos enfermeiros. A Europa é um espaço aberto e uma experiência num país do programa aumenta a capacidade e competências dos estudantes, no sentido de procurarem oportunidades onde estas existirem. Mais uma vez as atividades deste projeto ajudaram a concretizar os objetivos de internacionalização, da visibilidade exterior da ESEnfC, das trocas de conhecimento, da divulgação e enriquecimento cultural para a tomada de consciência de uma cultura europeia.

A par do Erasmus, que outros projetos ou programas de extrema relevância a ESEnfC tem abraçado?

Ao longo destes anos que temos Carta Erasmus temos participado em inúmeros projetos no âmbito do Programa Leonardo da Vinci que tiveram um grande impacto no seio das universidades europeias. Com o programa Erasmus + temos para além da mobilidade um conjunto de participações em projetos de inovação para o ensino superior no âmbito da ação chave 2, dos quais destaco um programa que incide no ensino por simulação e um que aborda as questões do digital na enfermagem.

Outros existiram, como o que levou á criação de um hospital virtual, á criação de um perfil de competências europeu para a formação em enfermagem entre muitos outros.

Com o Erasmus + é possível ao corpo docente e não docente das instituições integrar este programa de mobilidade. Esta tem sido, igualmente, uma aposta da ESEnfC para promover o desenvolvimento do seu corpo docente e não docente?

Claro. As mobilidades para ensino têm sido uma prática regular. No inicio da nossa participação no programa havia alguma dificuldade em motivar os professores para a importância dessas mobilidades, mas esses receios cedo se dissiparam e nos últimos anos temos mobilizado entre 30 e 40 docentes para este tipo de missões. A estratégia neste âmbito é de aproveitar as missões de ensino para aprofundar a relação institucional com as universidades de acolhimento e a partir daí realizar projetos conjuntos. Temos conseguido, com o esforço dos docentes, estar envolvidos em muitos projetos de investigação, na criação de redes internacionais para a pesquisa e desenvolvimento de ideias concretas. Dou o exemplo de um projeto que envolve professores e estudantes para discutir a transculturalidade que envolve um conjunto de escolas e que se desenvolve anualmente em cada país com troca de experiências e de tentativa de encontrar soluções para cuidar tendo em conta a cultura e as diferenças. No que toca ao pessoal não docente temos ainda alguma dificuldade em realizar mobilidades, mas os últimos anos têm sido bastante positivos nesse aspeto e temos já mais solicitações do que bolsas para atribuir o que é bastante significativo.

Esta troca, este conhecimento mutuo permite encontrar novas formas de fazer as coisas que de outro modo poderiam nunca acontecer.

O Gabinete de Relações Internacionais promove anualmente uma semana de troca de experiências entre estudantes, docentes e não docentes que ajuda a construir novas ideias para a melhoria do ensino, da investigação e da cooperação.