“Mudou a forma como nós mulheres angolanas nos impusemos”

Gosta de escrever sobre gestão e comunicação. Gosta da arte de perguntar. Gosta das coisas fascinantes do Mundo. De quem falamos? De Carolina Barros, CEO da On Time, Comunicação & Relações Públicas, que nos deu a conhecer como nasceu o gosto pela comunicação, o papel da Mulher na sociedade, sem esquecer a importância das suas raízes, do seu país… Angola… que ama.

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Como surgiu a comunicação na sua vida e o que é que a motivou a criar a On Time_ PR & Communication? 

Cresci com a frase “essa miúda fala muito, vai ser jornalista” (Risos). Obviamente que, quando chegou a idade para frequentar o ensino médio, a área escolhida foi jornalismo. Como ela surgiu? penso que faz parte de mim. Considero-me uma pessoa comunicativa, vivo e respiro a comunicação nas suas mais diversas vertentes e aprendi a ser seletiva.

A On Time é um “filho gerado sem ser planificado”. Depois de sair de uma agência de PR, estava em casa a trabalhar por conta própria, pequenos clientes, mas foi por causa de um amigo, Tigo Vilela de Sousa, e de um cliente que criei a On Time (A tempo e horas). Motivou o facto de saber que era minha e que não teria de depender de terceiros para dar resposta aos clientes a tempo e horas (cumprir com prazos), motivou o facto de saber que, mesmo não estando afecta a ninguém, consegui algumas grandes contas, tudo isso ainda na fase inicial, 2012 e 2013 e, posteriormente, seguiu-se a fase de montar uma equipa. 

O que é mais importante no seu trabalho e que não pode mesmo falhar? 

Cumprimentos dos prazos que damos aos clientes e feedback. Quando partilhamos com os clientes que determinada acção irá acontecer na data A, B ou C, estamos a criar expectativas. Logo, para nós é extremamente importante ter a noção que esta ação irá se concretizar. Apesar de que nem sempre depende de nós, mas é importante acautelar isso. Reconheço, desde já, que neste campo falhamos. 

Em algum momento sentiu que o facto de ser mulher foi sinónimo de discriminação? 

Não. Porque já venho de uma geração, ou fase, que aprendeu a desafiar o silêncio e romper barreiras. A discriminação vem de outros campos, como por exemplo, não estar associada a “pessoas de peso” como funciona o nosso mercado, mas acima de tudo destas discriminações fiz a estrada para a busca do meu oceano.

Como retrataria a mulher angolana atual? O que mudou nos últimos anos? 

Bastante oportuna a questão. Entramos agora para a terceira República e o atual presidente elege 12 mulheres a ocuparem cargos de destaque, o que corresponde a 36%. isso traduz tudo. Traduz a capacidade, força e o crescimento da mulher angolana. Mudou a forma como nós mulheres angolanas somos vistas, mudou a forma como nós mulheres angolanas nos impusemos e o respeito conquistado.

Retrato-as como lutadoras, capazes e mulheres de mérito. Hoje, totalmente transformadas.  

Que vulnerabilidades considera que têm as mulheres enquanto profissionais? E relativamente às melhores características? 

Somos vulneráveis quando nos colocamos na condição de vítimas e incapazes. Cada acto, ação, mudança ou status deve constituir um desafio e não uma dificuldade e no primeiro obstáculo temos de aprender a pedir ajuda. Os obstáculos, por mais difíceis que sejam, são para ser contornados. Levem o tempo que levar, unirmo-nos a alguém ajuda na facilitação do processo. Somos tão capacitadas quanto o sexo oposto. na gestão de equipas e de conflitos as mulheres demonstram maior controlo da situação, não por ser mulher, mas acho que as mulheres são mais humanas e conseguem distribuir atenção, prova disso são as várias atividade que desempenham.

Se pudesse mudar algo no mundo o que seria? Porquê? 

A forma como o mundo vê Angola. Amo meu país e, para além de todas às conotações negativas, existe um lado belo e bom de se explorar de Angola que está ofuscado pela má imagem que acabamos por ter fora das nossas fronteiras.