A OPCO opera em Portugal desde 2006. Nestes 11 anos, que análise é possível fazer do vosso trabalho assim como das mudanças que a empresa foi realizando estrategicamente?

Começámos em 2006, como uma startup ligada à consultoria tendo-nos tornado completamente autónomos em 2015, com a separação do grupo original.

Foram, no todo, 11 anos bastante ativos, desde o afirmar do nome OPCO no mercado, principalmente com ligação à indústria automóvel e, mais tarde, com ligação também à indústria aeronáutica. Como resultado da nossa orientação tivemos a oportunidade de participar na primeira leva de formação de formadores da Embraer seguindo-se mais tarde a possibilidade de qualificação a nível de auditores de acordo com a AS9100 AATT e, dessa forma, possibilitar uma atuação mais orientada da OPCO na área aeronáutica. Em 2015, com a OPCO já autónoma, começámos também a estabelecer com sucesso os primeiros projetos na área aeronáutica, nomeadamente no apoio à certificação AS 9100. Foi basicamente essa a aposta estratégica da empresa, tornar-se referência a nível de indústria automóvel e, em paralelo, cimentar a posição a nível de indústria aeronáutica.

De que forma define o setor aeronáutico em Portugal?

Talvez da mesma forma que definiria o setor automóvel aquando do início de carreira, em meados da década de 90. Como um setor que, fruto da implementação de uma grande empresa do setor, neste caso a Embraer, e fruto de projetos como o KC390, começa a alinhar-se com as referências internacionais da indústria. É fundamental ter um “motor” no país que eleve o padrão, que leve ao desenvolvimento das estruturas, seja a nível académico, industrial ou associativo, de modo a fazer avançar o todo.

Nos últimos anos é possível observar uma especial atenção para este setor. Que fatores aponta como causas para este período “dourado”? 

Como anteriormente referido, creio que o projecto KC390 foi o ponto de viragem neste trajeto. Analisando esse projeto e o envolvimento de entidades como o CEiiA, a OGMA, ou as várias empresas fornecedoras da indústria aeronáutica, nacionais ou multinacionais, a operar em Portugal, creio que esse foi o grande salto dado, seja em termos de envolvimento, de desenvolvimento, de criação de estrutura, através de um projeto que, sendo claramente brasileiro, teve e tem um cunho português muito forte.

A formação e a especialização entram nesta fase como essenciais para um maior desenvolvimento. Qual é a oferta da OPCO neste sentido?

Sem dúvida que a formação, seja a nível académico, seja a nível profissional, tem e terá um papel decisivo na criação de bases para o contínuo desenvolvimento deste setor. A nível da OPCO temos, como principal preocupação, trazer para Portugal o que de melhor existe na área. Temos neste momento formalizadas parcerias com entidades de referência na área da formação aeronáutica, tendo já implementado algumas ações nessa área e estando em preparação outras ações, para a segunda metade de 2017 e para 2018, principalmente na área dos sistemas de gestão de acordo com a AS 9100, bem como nas áreas associadas à implementação dos requisitos da indústria aeronáutica.

Quais são os requisitos primordiais para quem quer enveredar pela indústria aeronáutica?

Tal como na indústria automóvel, onde construímos a nossa imagem, também na indústria aeronáutica, o fator “cultura” faz toda a diferença. A “cultura aeronáutica” e a correspondente atuação são, para mim, os fatores diferenciadores. Neste sentido, o procurar a qualificação adequada na área das ferramentas da indústria aeronáutica, o procurar a obtenção de conhecimento e competências bem como desenvolvimento contínuo serão, na nossa opinião, os fatores diferenciadores, seja a nível pessoal ou empresarial.

Na sua opinião, que características reúne Portugal e que o torne candidato a um “super cluster” da aeronáutica?

Portugal reúne um conjunto de características muito próprias, a começar pelo fator geográfico, situado entre a Airbus Europeia e a Embraer Brasileira, fator estratégico e potenciador de promoção junto dessas empresas. Para isso será também fundamental, sem dúvida, a capacidade dos profissionais portugueses, com provas já dadas a nível nacional e internacional. Atrevo-me até a dizer que características positivas não faltam. Saibamos, como país, como empresas, como associações, criar as sinergias necessárias bem como aproveitar as oportunidades criadas e teremos todas as condições para criar esse “super cluster”.