Nos últimos anos o número de estudantes estrangeiros em Portugal não tem parado de crescer. São cerca de 34 mil. Isto coloca as instituições à prova?

A presença crescente de estudantes estrangeiros nas instituições de Ensino Superior portuguesas atesta a atratividade das instituições ao mesmo tempo que fomenta uma procura de melhoria constante que reforce a visibilidade e a capacidade de captar também estes estudantes, num contexto cada vez mais competitivo ao nível do Ensino Superior.

No último grande estudo do Programa Erasmus, em 2013/14, o Politécnico do Porto foi a sexta instituição a acolher mais estudantes ao nível nacional, evidenciando a atratividade do P.PORTO para os estudantes internacionais. Desde essa altura temos aumentado sucessivamente o número de alunos internacionais que recebemos, sendo que em 2017 tivemos cerca de 1500 alunos em mobilidade ou internacionais.

O nosso país é considerado um dos destinos favoritos de quem quer estudar fora. Que impacto tem o crescente número de estudantes internacionais nas instituições?

O P.PORTO recebe anualmente um número crescente de estudantes de intercâmbio, bem como de estudantes internacionais. Acolher e integrar estes estudantes é um aspeto fundamental da internacionalização em casa, e é alvo de melhoria contínua ao nível do apoio a estes estudantes. As instituições portuguesas e também o Politécnico do Porto são cada vez mais multiculturais, enriquecidas pela diversidade e pela partilha, o que contribui para promover uma cidadania global.

O impacto do fluxo de estudantes internacionais repercute-se ainda no reforço da rede de parceiros internacionais e traduz-se também na cooperação em projetos internacionais.

O Programa Erasmus tem já 30 anos de existência. Como tem vindo o Politécnico do Porto a acompanhar a evolução da mobilidade internacional dos estudantes? Que importância assume este programa para o IPP?

O Politécnico do Porto participa de forma ativa e crescente no programa Erasmus desde o seu início e a mobilidade de estudantes constituiu um forte pilar da internacionalização da instituição. O P.PORTO tem promovido as mobilidades de estudantes para estudos e estágios, apoiando financeiramente todos os estudantes nos últimos três anos. Conhecendo a mais-valia da experiência de mobilidade de estudantes na promoção da empregabilidade, no desenvolvimento de competências transversais valorizadas pelo mercado de trabalho, esta tem sido uma forte aposta da instituição.

Ao nível do Programa Erasmus + e com o objetivo de Mobilidade, o P.PORTO detém projetos no âmbito da Mobilidade Individual, de Consórcio Erasmus, e também projetos de Mobilidade Internacional Acreditada (ICM), estes com mobilidades para fora da Europa, em concreto de e para países tão diversos tais como o Brasil, a Rússia, a Bósnia- Herzegovina, a Coreia do Sul, a Albânia, o Kosovo, Montenegro, a Sérvia e ainda a África do Sul.

O programa Erasmus + em dez anos já levou mais de 1700 professores e funcionários para fora. Este é também um objetivo do Politécnico do Porto, apostar no desenvolvimento dos professores e funcionários?

O P.PORTO revela uma curva ascendente ao nível das mobilidades Erasmus + para missões de ensino e de formação, com cerca de 150 mobilidades OUT e 250 mobilidades IN em 2016/2017, que evidenciam uma maior apetência por parte de docentes e funcionários para realizar estas mobilidades, pelo reconhecimento do enriquecimento profissional e cultural, levando mais longe o nome da instituição, partilhando métodos de ensino e de trabalho que fomentam a confiança e o crescimento das instituições. Estas mobilidades reforçam e estendem a rede de parceiros internacionais do P.PORTO e potenciam novos níveis de cooperação e de colaboração ao nível de projetos e da investigação, o que concorre para uma maior atratividade da instituição.

O Politécnico do Porto abraçou o EKRUCAmI [Europe-Korea Research on Ubiquitous Computing and Ambient Intelligence]. Qual a importância deste projeto e o impacto do mesmo?

O P.PORTO tem um grupo de I&D muito ativo na área da Ambient Intelligence, o GECAD. Este projeto visa juntar os mundos da Internacionalização e Mobilidade com a I&D e ao mesmo tempo abraçar novos espaços geográficos, neste caso a Coreia do Sul, um país muito desenvolvido, com empresas muito fortes, sobretudo no setor da indústria automóvel, eletrónica e telecomunicações. O foco do projeto foi a mobilidade de investigadores e foram obtidos excelentes resultados sobretudo para áreas como a Saúde e Apoio à Decisão. A Ambient Intelligence é uma área onde se criam ambientes inteligentes com os quais o ser humano interage e que são sensíveis ao contexto, incorporando tecnologia de um modo não obstrutivo e adaptando-se ao ser humano através de processos de aprendizagem automática. Esta experiência de junção dos mundos da I&D com o da Internacionalização e Mobilidade em espaços geográficos fora da Europa tem sido feita com outros projetos, em áreas como a Energia, Alimentos, Laboratórios Remotos e outros domínios multidisciplinares, visando países como o Brasil, Estados Unidos da América, Argentina, Uruguai e Chile.

Através da ação-chave Knowledge Alliances Politécnico do Porto vai integrar a partir de janeiro um projeto internacional que visa encontrar soluções que permitam contrariar a substituição de pessoas por robots no mercado de trabalho. O que implica a parceria e a envolvência num projeto desta magnitude?

Hoje estamos a passar por uma nova revolução industrial, a que chamamos Indústria 4.0, que junta as novas tecnologias do mundo digital com a automação das fábricas. Há um grande receio que o fenómeno da Indústria 4.0 venha a retirar emprego ao ser humano, não apenas nas tarefas mais repetitivas, onde tal já vinha a acontecer, mas sobretudo nas tarefas que necessitam maior inteligência. Importa é que se atue atempadamente e se perceba como o ser humano vai coexistir com essa realidade. Se é verdade que se perderão empregos também surgirão novos empregos. Nesta perspetiva surge o projeto UoF (University of the Future), o único projeto Knowledge Alliance liderado por uma Instituição de Ensino Superior portuguesa, o P.PORTO, através da Porto Design Factory, com parceiros portugueses, tais como a IKEA, a Agência de Inovação, a Inovamais e a Junta Digital, e outros países como a Finlândia, a Polónia e Espanha.

O Politécnico do Porto integra, ainda, o projeto Consórcio Erasmus NOW Portugal  (NOrth Working Portugal). Qual é o propósito deste Consórcio?

O Consórcio Erasmus NOW Portugal integra, para além do Politécnico do Porto os Institutos Politécnicos de Bragança, do Cávado e do Ave, e de Viana do Castelo. Este Consórcio, gerido pela APNOR Associação dos Institutos Superiores Politécnicos da Região Norte de Portugal, visa fomentar a empregabilidade de estudantes e recém-graduados através dos estágios Erasmus+, reforçando a aproximação ao tecido empresarial com parceiros no mercado de trabalho do Norte de Portugal e apostando na colaboração com outros Consórcios Erasmus e empresas ao nível Europeu. As mobilidades de docentes e de funcionários assentam na mesma estratégia de promoção da empregabilidade, sendo também promovidas mobilidades a convite de peritos de instituições europeias visando desenvolver as competências dos estudantes ao nível da inserção no mercado de trabalho.

A mobilidade internacional de estudantes é, sem dúvida, um dos principais vetores da estratégia de desenvolvimento do P.PORTO?

A mobilidade internacional de estudantes faz parte da estratégia de internacionalização do Politécnico do Porto, através do programa Erasmus + e de outros programas como as Bolsas Luso-Brasileiras e Ibero-americanas (Banco Santander-Totta), o programa de bolsas de Mobilidade para o Brasil (MPB) e outras mobilidades no contexto de duplas titulações e de protocolos de cooperação.

É também uma aposta da instituição a participação e a liderança de projetos internacionais que elevam a credibilidade e a visibilidade da instituição. A cooperação do P.PORTO com o Brasil é um sucesso pela forte colaboração com diversas Instituições de Ensino Superior, com um aumento da captação de estudantes internacionais, e de cooperação no estabelecimento de duplas titulações e de equivalência de diplomas e ainda ao nível da investigação.