O CELFF – Centro de Estudos Línguas e Formação do Funchal – conta com cerca de cinquenta anos de existência. O que pode ser dito sobre a sua história?

O CELFF foi criado pelo nosso Presidente, João Pedro Entrudo, em 1992, na Região Autónoma da Madeira, contudo a história do Grupo remete-nos há 50 anos atrás aquando da criação do Externato Infante D. Henrique, e mais tarde do Externato Novo Dia, em Lisboa, pelas mãos da mãe do atual Presidente do CELFF, Maria de Guadalupe . Após o falecimento de Maria de Guadalupe,e em sua homenagem, foi construído o Colégio Guadalupe, um estabelecimento de ensino privado, situado em pleno pinhal da Aroeira, Seixal, como forma de homenagear a fundadora.

Ao longo destes 50 anos o cerne do grupo tem sido, portanto, a educação e formação.

O Colégio Guadalupe, que abrange desde o 1º ciclo de escolaridade até ao 12º ano, é um colégio internacional com cerca de 840 alunos. Em condições ambientais e arquitetónicas de excelência, o Colégio tem-se diferenciado pela sua linha inovadora e de investigação levada a cabo pelos nossos alunos, incentivados pelos nossos professores.

O Colégio destaca-se pela sua integração na paisagem natural em que se encontra inserido, criando um ambiente de estudo que favorece a tranquilidade e sossego dos alunos, fator importantíssimo para o equilíbrio emocional dos mesmos. As suas instalações reúnem todos os avanços pedagógicos e tecnológicos, fatores essenciais ao desenvolvimento de um ensino de qualidade.

Com espaços bem definidos para o Pré-escolar, Ensino Básico e Ensino Secundário, todo o edifício foi pensado no incentivo de partilha entre grandes e pequenos. A confiança demonstrada em gerações de pais e encarregados de educação no projeto educativo, tem guiado a constante inovação e modernização, sem esquecer valores e princípios que devem permanecer inalterados. O corpo docente está preparado para pensar o aluno como um ser em constante desenvolvimento que precisa de estímulo e afeto, utilizando para tal estratégias sempre motivadoras, centrando a atenção na aprendizagem.

A certificação internacional pela Universidade de Cambridge que o Colégio obteve é um marco importante para o grupo. Esta certificação distingue o nosso currículo dos demais, ou seja, permite-nos ministrar cursos estritamente em inglês, possibilitando que o aluno faça todo o seu percurso escolar em inglês e obter um diploma no final, diploma esse que é essencial para entrar nas melhores universidades do mundo que têm como requisito este diploma. São todas estas valências que têm atraído e despertado o interesse de alguns investidores estrangeiros, cujos pretendem implementar igual modelo nos seus países de origem.

Num mercado de trabalho cada vez mais exigente e criativo, qual tem sido a estratégia do Grupo para manter uma posição sólida e diferenciada dos demais do setor?

Se olharmos para a história do colégio Guadalupe podemos mesmo afirmar que “houve uma família que formou uma grande família pedagógica para melhor servir crianças e famílias”. Esta filosofia faz com que o colégio perfile, sem estar demasiado “agarrado” às estatísticas, nos rankings nacionais que distingue os melhores colégios do país. É, portanto, um modelo de escola que facilmente podia ser replicado em qualquer parte da Europa ou do Mundo por ter capacidade de ombrear com as melhores escolas do mundo. Temos optado por ter um corpo docente sólido e constante, que já está connosco há algum tempo, com competências e capacidades assinaláveis, que buscam a constante evolução, quer por sua iniciativa, ou através da formação que o próprio colégio fornece. Há um ambiente familiar que se nota e sente. A par destas mais-valias, junta-se o nosso plano curricular, um plano curricular moderno que consegue albergar a dupla funcionalidade entre o currículo académico com o desenvolvimento de competências transversais. Temos vários projetos internacionais que permitem a ida dos nossos alunos para realizar estágios de curta ou média duração no estrangeiro, bem como receber alunos internacionais no nosso colégio. É este convívio e intercâmbio de alunos que contribui significativamente para o desenvolvimento dos mesmos. Não só os enriquece como alunos, mas como pessoas. Preparamos cidadãos para as exigências do mundo de hoje.

O CELFF começou como um projeto educativo de natureza privada e raiz familiar, mas o Grupo tem crescido e diversificado, e hoje, apesar do ensino ser a sua principal vertente, as áreas de atuação cresceram e estenderam-se a outros setores para além da Educação e da Formação. Pode falar-nos um pouco sobre esta abrangência do Grupo?

A par do Colégio Guadalupe, no Seixal, temos uma Escola de línguas, o SELF Fogueteiro. Já na Madeira, o CELFF começou, em 1992, com um Centro de Formação direcionado para a formação de ativos empregados e desempregados – o Centro de Estudos Línguas e Formação do Funchal. Foi um projeto pioneiro no Funchal, numa fase em que muito estava por fazer a este nível, por isso mesmo, o impacto e a procura foram grandes. Tivemos a oportunidade de formar milhares de pessoas que hoje integram grupos hoteleiros e outras entidades de renome.

Posteriormente, em 1996, fundamos, igualmente, uma escola de línguas no Funchal. Dada a necessidade e ao facto de a Madeira ser uma região turística, a procura foi imensa e a aceitação foi gratificante. Estamos continuamente a apostar nesta escola de línguas, desenvolvendo novos cursos em diversas línguas.

Mais recentemente, há 20 anos, em 1997, foi inaugurada a Escola Profissional Atlântico. A Escola Profissional Atlântico desenvolve cursos profissionais direcionados para o turismo em diversas áreas e com equivalência ao 12º ano e a atribuição de um certificado profissional de nível 4. É uma escola de cidade, moderna e com uma procura acentuada.

Aquando da atribuição da gestão da Escola Profissional de Hoteleira da Madeira ao CELFF que principais desafios foram enfrentados?

A Escola Profissional de Hoteleira da Madeira, com 50 anos de existência, é a única escola de hotelaria da Madeira. Sendo a Madeira uma zona de turismo por excelência, compreende-se o impacto que esta escola tem. Em 2010, o Governo da Madeira abriu um concurso público para concessionar a escola, tendo sido atribuído ao CELFF a sua concessão. A nossa missão nos primeiros anos passou por solidificar a formação profissional. Em cinco anos, passámos de 200 alunos para 410. Aqui a filosofia é a mesma do que a da Escola Atlântico. Cursos profissionalizantes com a duração de três anos e que permitem a equivalência ao 12º ano e um certificado profissional de nível IV nas três áreas que desenvolvemos: i) Operações Turísticas e Hoteleiras; ii) Técnicas de Restaurante e Bar e iii) Técnicas de Cozinha e Pastelaria. São cursos financiados pelo Fundo Social Europeu, pelo que os nossos alunos estão isentos de encargos financeiros, inclusive, as propinas.

Para além da escola, temos um hotel incorporado que permite aos alunos, desde o 1º ao 3º anos realizar a sua formação em contexto de trabalho ou realizar estágios, contactando com a realidade do mercado de trabalho desde o início.

Tem sido um projeto interessante e de aprendizagem, mas foi um processo desafiante. A mentalidade e a organização de uma escola pública tem alguns aspetos distintos de uma organização privada, pelo que houve a necessidade de uma adaptação. Quando passamos de uma filosofia pública com todas as caraterísticas que lhe são intrínsecas para uma filosofia privada, é normal que a coabitação entre duas filosofias diferentes crie desafios. Desafios estes que têm vindo a ser ultrapassados ao longo do tempo.

É sabido que, na economia atual, o capital humano deve assumir uma extrema importância no seio das organizações. No CELFF como é que esta componente é encarada? Que desafios acarreta a gestão e desenvolvimento do capital humano?

Mais do que olhar para o que foi feito, é importante olhar para o que se quer fazer e o caminho que queremos seguir.

Para além do que já foi mencionado sobre o Colégio Guadalupe, na Madeira temos vindo a desenvolver projetos nacionais e internacionais que permitiram elevar as nossas escolas e a própria região da Madeira a nível internacional. Falamos, concretamente, de protocolos com países como Angola, Moçambique, Venezuela, Timor-Leste e África do Sul. Ao abrigo das parcerias estabelecidas, concretamente por via da Escola Hoteleira, tivemos colaboradores de grandes grupos hoteleiros destes países na nossa escola para obterem formação para exercer cargos de chefia. Em Timor-Leste, por exemplo, foi assinado um protocolo com o governo para implementarmos uma Escola de Hotelaria e Turismo tendo por base o nosso modelo de escola. Já em Moçambique, através de um concurso promovido pelo Governo Moçambicano, com apoio financeiro do Banco Mundial, de entre 16 empresas internacionais, fomos a entidade escolhida pelo Banco Mundial para implementar e gerir, durante dois anos, um centro de formação de hotelaria e turismo no sul de Moçambique, numa província com um grande potencial de desenvolvimento turístico. Nesse período, formámos cerca de 800 pessoas que já estão no mercado de trabalho. “Os representantes do Banco Mundial, aquando da cerimónia de entrega dos diplomas finais, referiram que aquilo que o CELFF fez neste ano e meio nenhuma outra instituição ligada ao Banco Mundial, na área da educação, tinha feito, o que nos deixa com muito orgulho”, confessou.

Estamos a trabalhar no sentido de colocar as nossas escolas ao nível das melhores escolas profissionais mundiais. Sabemos e acreditamos que só conseguimos dar este passo se valorizarmos os nossos recursos humanos. Queremos proporcionar constantes intercâmbios aos nossos recursos humanos – alunos e docentes – dando-lhes oportunidade de contactarem com outras realidades formativas dentro das nossas áreas de atuação. Ao mesmo tempo pretendemos trazer profissionais de referência nacional e internacional às nossas escolas. Queremos elevar o nível dos nossos alunos, bem como do nosso corpo docente e não docente com esta troca de experiências e conhecimentos.