O relatório baseia-se em 65 entrevistas com testemunhos de dezenas de refugiados que estão no Bangladesh realizadas em meados de setembro.

“Os ataques brutais contra os Rohingyas na parte norte do Estado de Rakhine foram bem organizados, coordenados e sistemáticos, com a intenção não apenas de empurrar a população para fora da Birmânia, mas também de impedi-los de voltar para casa”, é concluído no relatório.

O Alto-Comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, destaca no relatório que a “negação de direitos pelo governo de Myanmar, incluindo a cidadania, aos Rohingyas” parece ser “uma estratégia cínica para transferir um grande número de pessoas sem possibilidade de retorno”.

No documento é referido que os esforços foram feitos para “efetivamente apagar sinais de marcos memoráveis na geografia da paisagem Rohingya” e os professores, líderes religiosos e culturais foram tornados alvos.

A violência no oeste da Birmânia escalou a 25 de agosto, após uma ofensiva militar lançada na sequência do ataque, nesse dia, contra três dezenas de postos da polícia efetuado pela rebelião, o Exército de Salvação do Estado Rohingya (Arakan Rohingya Salvation Army, ARSA), que defende os direitos daquela minoria muçulmana.

O ARSA declarou, no sábado, um cessar-fogo com a duração de um mês para permitir a entrada de ajuda humanitária, algo que foi rejeitado pelo Governo birmanês.

Segundo uma estimativa das Nações Unidas, divulgada anteriormente, mais de mil de pessoas da minoria muçulmana podem ter morrido nessa vaga de violência no estado de Rakhine, um número que é duas vezes superior ao das estimativas birmanesas.

O Conselho de Segurança da ONU pediu na quarta-feira “medidas imediatas” para acabar com a violência contra os ‘rohingya’, expressando “profunda preocupação com a situação atual” na Birmânia.

A Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhece cidadania aos rohingya, uma minoria apátrida considerada pelas Nações Unidas como uma das mais perseguidas do planeta.

Mais de um milhão de rohingya vive em Rakhine, onde sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012, que causou pelo menos 160 mortos e deixou aproximadamente 120 mil pessoas confinadas a 67 campos de deslocados.