A melhor atitude é aprender

Luisa Dornellas, Diretora de Departamento do CQ da Câmara Municipal de Lisboa, afirma: "Independentemente da idade, estudar é sinónimo de aprender, de mais conhecimento, mais capacidade para combater as adversidades, mais poder sobre a nossa própria vida e percurso, é sinónimo de mais sabedoria". Saiba mais.

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Que oferta formativa tem o CQ da Câmara de Lisboa neste momento disponível?

Neste momento, o Centro Qualifica da CML disponibiliza o Processo de Reconhecimento de Competências escolares a adultos com diagnóstico de competências detidas para integrarem o PRVCC ou, propõe a frequência de cursos de educação e formação de adultos, via de ensino ou da formação profissional, que estejam disponíveis nas ofertas do Catálogo nacional de Qualificações.

Para este público lançámos um programa de promoção da literacia digital no âmbito da actividade do departamento de desenvolvimento e formação.

Existe algum perfil associado de quem procura este tipo de formação? E relativamente a requisitos, quais são?

Em primeiro lugar são trabalhadores do município e das juntas de freguesia, que desejam melhorar as suas qualificações e evoluir na sua carreira ou mesmo mudar de funções na organização.

De modo geral, quem procura estas ofertas são cidadãos com baixas qualificações, que pretendem melhorar a sua qualificação formal através do reconhecimento, validação e certificação das competências que efectivamente detém. Além do reconhecimento formal anseiam por valorizar a sua carreira profissional nas empresas onde trabalham ou ingressar no sistema formal de ensino voltando a estudar.

Pessoas que pretendem ter um emprego melhor, pessoas desempregadas ou à procura de primeiro emprego e desempregados de longa duração

Podem inscrever-se os cidadãos com idade igual ou superior a 18 anos, com experiência profissional comprovada de, pelo menos 3 anos.

Finalmente também se podem inscrever jovens com idade igual ou superior a 15 anos ou, independentemente da idade, a frequentar o último ano de escolaridade do ensino básico, que serão encaminhados para percursos de formação adequados ao seu perfil.

Na sua opinião, a formação tem ou não uma relação direta com um aumento de qualidade de vida? Porquê?

A formação tem desde logo impacto na qualidade de vida, pelo enriquecimento que traz, pela motivação e pela valorização da pessoa que dela usufrui, ao nível pessoal e social. Também ao nível económico, uma vez que muitas das pessoas que aumentaram o seu nível de qualificação viram o seu ordenado aumentado, ao serem requalificadas noutras funções, outros porque encontraram novos ou melhores empregos.

Consideramos que a formação é um instrumento poderoso, e hoje exige-se um enorme esforço de adaptação dos curricula propostos ao perfil dos formandos.

A capacitação de cidadãos mais habilitados no presente e para o futuro impõe de forma particular mais competências no domínio das tecnologias digitais bem como noutros domínios do conhecimento. Todavia, grandes e exigentes desafios se colocam ao sistema de educação formal mas também á formação profissional que deverá assumir um papel determinante nas estratégias de aprendizagem ao longo da vida para fazer face aos novos desafios da sociedade global.

Tendo em conta a situação de Portugal, ao nível da educação e do desemprego, o que trará a qualificação profissional como benefícios a quem decidir recomeçar a estudar?

A formação profissional, mesmo que Portugal não estivesse beneficiar do aumento da economia, e apesar de ter atravessado uma crise económica devastadora para as famílias e para os trabalhadores, é de importância vital para o crescimento económico das empresas ou das instituições públicas.

O aparecimento de novos tipos de trabalho, devido aos sistemáticos avanços da ciência e das novas tecnologias requerem uma adaptação constante e uma capacidade maior para nos moldarmos à nova modernidade.

As pessoas mais qualificadas e mais actualizadas são ainda mais preparadas para se adaptarem a novas funções. Tornam-se também mais criativas, mais inovadoras, mais motivadas e mais empreendedoras, sendo imprescindíveis para uma sociedade mais rica, mais equilibrada e mais justa, para a qual contribuem diariamente.

Podemos encarar a certificação escolar e/ou profissional como um método de combate ao abandono escolar, uma vez que dispõe de cursos mais vocacionados para determinada área ao contrário do ensino regular?

Diria que é uma oportunidade de correcção do abandono escolar para aqueles que obtêm a certificação escolar e, espero, uma oportunidade para continuarem a aprender ingressando em novos percursos formativos. Entendemos que a certificação escolar e ou profissional em determinado nível não é um fim em si mas uma nova oportunidade.

Apesar da população lisboeta ter registado um aumento significativo das suas habilitações há ainda um longo caminho a fazer. Tal está patente, pelos censos de 2001, em que 70 % desta população possuía menos de 12 anos de escolaridade enquanto nos censos de 2011, passaram a ser menos 10% de cidadãos nestas condições.

Independentemente da idade ou da profissão estudar é sinónimo de…?

Independentemente da idade, estudar é sinónimo de aprender, de mais conhecimento, mais capacidade para combater as adversidades, mais poder sobre a nossa própria vida e percurso, é sinónimo de mais sabedoria.

Para nós aprender é uma atitude, a melhor atitude. Este é o slogan do programa de educação e formação de adultos que a CML lançou para a melhoria das qualificações dos seus trabalhadores, dos trabalhadores das juntas de freguesia, das empresas municipais e dos cidadãos que acedam ao centro qualifica.