Audição da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento de Estado de 2016 na Assembleia da República, Lisboa, 2 de março de 2016. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Foi desta forma que o primeiro-ministro comunicou ao país a demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Na carta enviada a António Costa, agora tornada pública, a ministra demissionária explicou que já após a tragédia de Pedrógão Grande havia pedido para sair do cargo.

“Logo a seguir à tragédia de Pedrógão pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente, a minha demissão. Fi-lo por uma questão de lealdade”, começa por dizer na carta enviada ao chefe do Executivo.

Urbano de Sousa explica que lhe foi pedido que permanecesse em funções, “sempre com o argumento que não podemos ir pelo caminho mais fácil, mas sim enfrentar as adversidades”.

Foram os incêndios deste fim de semana que levaram Urbano de Sousa a tomar uma decisão definitiva e que a afasta do Governo que entrou em funções em 2015.

“Durante a tragédia deste fim de semana, voltei a solicitar que, logo após o seu período crítico, aceitasse a minha cessação de funções, pois apesar de esta tragédia ser fruto de múltiplos fatores, considerei que não tinha condições políticas e pessoas para continuar no exercício deste cargo, muito embora contasse com a sua confiança”, realça a responsável máxima pela pasta da Administração Interna.

Assim, Urbano de Sousa esclarece a sua decisão, o que levou António Costa a aceitar o afastamento. “Tendo terminado o período crítico desta tragédia e estando já preparadas as propostas de medidas a discutir no Conselho de Ministros Extraordionário de dia 21 de outubro, considero que estão esgotadas todas as condições para me manter em funções, pelo que lhe apresento agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal”.