Os realizadores, a polaca Dorota Kobiela e o britânico Hugh Welchman, têm percorrido vários países a apresentar esta longa-metragem de animação e a explicar o que muitos julgavam quase impossível, num tempo de avanços tecnológicos na criação cinematográfica.

“Continuamos a dizer às pessoas que este filme foi feito integralmente com pinturas a óleo e a maioria ainda quer saber o que é que fizemos em computador. É bom quando podemos mostrar os quadros e as pessoas exclamam que é uma pintura de verdade!”, afirmou Hugh Welchman à agência Lusa, em Lisboa.

“A paixão de Van Gogh” é um filme biográfico sobre a morte de Vincent Van Gogh, ocorrida a 29 de julho de 1890, aos 37 anos em França, em consequência de um tiro no abdómen, permanecendo o enigma se foi autoinfligido ou disparado por outra pessoa.

A história, quase num tom detetivesco, é contada a partir das interrogações do filho do carteiro, que pretende encontrar destinatário para a última carta que Vincent Van Gogh escreveu ao irmão, Theo, e nunca foi entregue.

O filme teve uma fase de rodagem com atores, como Robert Gulaczyk (no papel de Van Gogh), Douglas Booth, Jerome Flynn e Saoirse Ronan, mas o trabalho visual assenta em pintura a óleo em todos os ‘frames’ da imagem real, recriando não só o traço característico como as mais conhecidas obras de Van Gogh.

Para tal, os realizadores contaram com uma equipa de 125 artistas de todo o mundo que pintaram as cerca de 65.000 pinturas a óleo para compor o filme de animação. Em média, foram precisas duas semanas para pintar um segundo de filme.

Em declarações à agência Lusa, Dorota Kobiela e Hugh Welchman confirmam que se têm desdobrado a explicar o processo de concretização do filme: “Pensam que é impossível, mas é só uma forma mais lenta de fazer animação”.

Feita a estreia em vários países em sala de cinema e em museus, os realizadores inauguraram já uma exposição com algumas das obras pintadas para o filme no Noord Brabants Museum, a sul de Amesterdão, distribuíram outras pela equipa técnica e pelo elenco e têm estado a vender outras aos espectadores.

Na verdade, “A paixão de van Gogh” esteve para ser uma curta-metragem de animação de Dorota Kobiela, mas Hugh Welchman convenceu-a a fazer uma longa-metragem para chegar a mais pessoas.

“O que ela começou a fazer era tão lindo e a história de vida dele era tão interessante que devia ser uma longa – tecnicamente só precisávamos de saber como pintá-lo”, disse.

Hugh Welchman acredita que Van Gogh – considerado louco e fracassado em vida e um génio artístico depois da morte – ficaria feliz por este filme. “Não só porque demos emprego a 125 pintores, mas porque o sonho dele era que houvesse uma comunidade de artistas”.