projeção do filme “O Cônsul de Bordéus”, de João Correa e Francisco Manso, vai ser acompanhada pela apresentação do livro “Sousa Mendes, Le Consul de Bordeaux – Regards sur la Belgique et l’Europe au XXème Siècle” (“Sousa Mendes, O Cônsul de Bordéus – Olhares sobre a Bélgica e a Europa no século XX”), editado pela L’Harmattan, e que vai estar à venda, em França, a partir de 01 de novembro.

João Correa, de 74 anos, interessou-se pela vida de Aristides de Sousa Mendes “por volta de 1989” quando estava a realizar uma minissérie e se apercebeu, em Bordéus, que “ninguém conhecia o cônsul a não ser um padre e o professor Manuel Dias”, que é atualmente o vice-presidente do Comité National d’Hommage à Aristides de Sousa Mendes.

“Quando comecei com esta história, não acreditei na história. Pensei que aquilo era uma espécie de aldrabice, que 35.000 pessoas salvas em Bordéus por um português que ninguém conhecia era uma história bonita para o cinema”, começou por descrever o correalizador de “O Cônsul de Bordéus”.

Em 1996, foi ao centro Simon-Wiesenthal, nos Estados Unidos, para “ver se a história do Sousa Mendes era verdadeira” e deparou-se com um “visto Sousa Mendes” que mais parecia “um salvo-conduto da Idade Média”.

“Encontrei um responsável e perguntei como é que era possível que tenha salvo tanta gente em tão pouco tempo. Ele olhou para mim e disse: ‘Mas o senhor nunca viu um visto Mendes’ e foi a um cofre, voltou com um papelinho dobrado em quatro, amarelo, já quase destruído, abriu-o e mostrou-me”, lembrou o português que vive na Bélgica desde 1964.

O filme estreou-se em Portugal, em novembro de 2012, e só vai chegar às salas francesas a 22 de novembro deste ano, de acordo com João Correa.

“O Cônsul de Bordéus” é protagonizado por Vítor Norte, no papel de Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que, à revelia de António de Oliveira Salazar, o presidente do governo da ditadura, atribuiu cerca de trinta mil vistos a refugiados perseguidos pelo regime nazi, em 1940.

O filme centra-se neste período, nos nove dias de junho de 1940, durante os quais o cônsul ajudou milhares de refugiados, designadamente judeus, a viajarem para Portugal e, daí, para diferentes países, sobretudo para os Estados Unidos.

Quanto ao livro, “Sousa Mendes, Le Cônsul de Bordeaux – Regards sur la Belgique et l’Europe au XXème Siècle”, conta com o prefácio do escritor belga Pierre Mertens e tem dois textos de dois ex-ministros franceses da Cultura, Jack Lang e Jacques Toubon.

Hoje, no cinema Lucernaire, a partir das 20h00 (menos uma, em Lisboa), além da apresentação do livro e exibição do filme, João Correa participa num debate com um neto de Aristides de Sousa Mendes, Marc Daout, e várias outras personalidades.

O evento acontece numa altura em que o Comité National d’Hommage à Aristides de Sousa Mendes comemora o seu 30.º aniversário, tendo previsto o lançamento do livro “30 ans au service des mémoires” (“30 anos ao serviço das memórias”), a 28 de outubro, na cidade francesa de Cenon, e a participação na cerimónia do Armistício de 1918, em Bordéus, para homenagear os 4201 soldados portugueses mortos entre 1917 e 1918.