Reforço para evitar a contaminação da água em consequência dos incêndios

A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos deu instruções a todas as entidades gestoras para reforçarem as medidas preventivas face ao risco de contaminação da água pelas cinzas dos incêndios que ocorreram na região centro.

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Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, a ERSAR aponta como exemplos destas medidas preventivas a “identificação das origens mais críticas em função da área ardida, a sua inspeção visual e o controlo laboratorial de alguns parâmetros antes e durante o período de chuvas, designadamente cor, turvação, pH, condutividade, carbono orgânico total e dissolvido, oxidabilidade, fósforo, nitratos e azoto total”.

O regulador diz que “tem prestado apoio técnico a todas as entidades gestoras que o solicitem” e que vários técnicos da ERSAR se têm deslocado às entidades gestoras “para avaliar situações e recomendar procedimentos”, acrescenta.

Foi igualmente criado no portal da ERSAR uma área específica para que as entidades gestoras possam solicitar apoio relativamente a questões relacionadas com a seca e esclarecer dúvidas sobre o impacto dos fogos florestais na qualidade da água.

A ERSAR recorda ainda que, enquanto membro do grupo de trabalho que assessora tecnicamente a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca “tem acompanhado os trabalhos e intervindo ativamente na definição de medidas nas matérias da sua competência relativamente ao abastecimento público de água destinada ao consumo humano”.

Na semana passada, o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, anunciou que será disponibilizado um montante de 15 milhões de euros para a estabilização de emergência, que inclui a minimização do risco de erosão dos solos.

“De imediato, [vamos] disponibilizar 15 milhões de euros àquilo a que chamamos a estabilização de emergência, que tem a ver com as ações que visam minimizar os riscos da erosão, da contaminação das linhas de água e dos declives”, referiu.

A propósito do perigo de contaminação das águas, os Serviços Municipalizados de Alcobaça solicitaram às populações afetadas pelos incêndios para não beberem água da rede pública devido às cinzas arrastadas pelas chuvas da semana passada.

Em causa estava a qualidade da água em Pataias, Martingança, Burinhosa, Paredes da Vitória, Légua, Falca, Água de Madeiros, Pedro do Ouro e Vale, devido ao arrastamento “de cinzas” resultantes dos dois incêndios que deflagraram no dia 15 na freguesia de Pataias para a rede pública de abastecimento.

O arrastamento ocorreu na sequência da chuva que caiu no concelho nos dias 16 e 17 deste mês.