Estas são as confissões de uma mulher que casou com um jihadista e que foi para a Síria.

Tania Choudhury tem 33 anos e uma história de vida complexa. Descendente de pais naturais do Bangladesh, Tania viveu e cresceu num bairro londrino onde foi alvo de racismo. Na escola, na rua ou até mesmo em casa – por parte dos vizinhos –, Tania diz que os comentários depreciativos pioraram após os ataques de 11 de Setembro aos Estados Unidos.

Perante este cenário, Tania, agora com 33 anos, começou a procurar informação sobre o islamismo e a sonhar com um novo califado muçulmano, frequentando fóruns onde então travou conversa com alguns jihadistas.

Foi assim que conheceu o norte-americano John Georgelas, agora soldado do Estado Islâmico. Em entrevista à revista The Atlantic, Tania contou que se apaixonou por John e vice-versa, tendo casado em Greater Manchester, em outubro de 2004. Depois decorreram nove anos em que o casal procriou com o objetivo de criar soldados jihadistas.

Eu tive estas crianças apenas por uma razão, para que pudessem servir Deus como muçulmanos, como mujahideen (combatentes)”, disse a mulher, acrescentando que o seu sonho e o do marido era o de terem uma “terra própria, criar uma família e treiná-los [aos filhos] para serem assassinos, soldados e, eventualmente, juntarem-se à jihad”.

Quanto o Estado Islâmico começou a conquistar terreno no Iraque, John quis mudar-se para a Síria para se juntar aos jihadistas e combater em nome de Alá. Tania não queria ir, pois os três filhos ainda eram muitos novos e o quarto estava a caminho, mas acabou por acompanhar o marido.

Em agosto de 2013, o casal mudou-se para a Síria e o “choque” de Tania foi grande: não havia água potável, a comida escasseava e as crianças adoeceram com infeções.

Alguns meses depois, Tania percebeu que tinha que mudar de vida e fugir do cenário de guerra. Assim, entrou em contacto com os sogros que vivem em Plano, no Texas, e estes compraram-lhe passagens para que ela viajasse com as crianças para os Estados Unidos.

Tania fugiu da Síria, deixando o marido para trás, de quem depois se divorciou. Agora vive com os cinco filhos no Texas.

Um especialista sobre o Daesh conversou com Tania e concluiu que a mulher não está arrependida de ter deixado a Síria. No entanto, e “apesar de não haver sinais de violência no seu discurso há um efeito permanente da lavagem cerebral jihadista” que lhe foi feita.