O evento terá lugar no Cineteatro António Lamoso e é organizado pela autarquia local, que se propõe assim “dar palco às vozes criadoras que se dedicam à potencialização da rica e abrangente linguagem das danças urbanas”.

Para o vereador da Cultura, Gil Ferreira, trata-se de “reconhecer à nova criação portuguesa um valor fundamental para, por um lado, ampliar a capacidade crítica e interventiva das novas gerações e, por outro lado, espoletar em novos públicos o interesse pelas artes”.

O autarca realça, aliás, que, “não obstante todos os criadores presentes na primeira edição do LOOP serem muito jovens, têm já percursos académicos e artísticos muito relevantes”, no que exibem um denominador comum e transversal: “a resiliência” – qualidade que, para Gil Ferreira, poderia até dar nome ao festival, por ser o atributo que “todos os jovens que procuram o novo e desafiam o convencional possuem e emanam”.

Mediante um bilhete único a preços entre os cinco e os sete euros, as quatro coreografias a apresentar no Cineteatro António Lamoso procuram representar “uma multiplicidade de expressões” e estabelecer “pontes de conversação” entre os criadores convidados para o festival.

A primeira performance em cena será “Querência”, que, em estreia absoluta por Catarina Campos e Rina Marques, constitui a representação de “um lugar metafísico que simboliza estar em casa – um lugar humano onde tudo vem de dentro”.

Segue-se “State of Doubt”, de Duarte Valadares, cuja performance “materializa de forma visceral a coletividade e indefinição de um corpo”. Os movimentos em palco desenham assim “um labirinto corporal que habita num ‘loop’ de procura ininterrupta, uma queda livre que não conhece início nem chão”.

Também em estreia mundial, a terceira proposta em palco tem autoria de Vítor Fontes e Maria Melo Falcão que, com “Bouncing Heads”, exploram “a interminável continuidade de movimentos onde reside a lógica dos corpos”.

Da coreografia resultam “corpos de cabeça articulada, desengonçada e frenética”, no que o balanço se torna fio condutor da sua “constante transformação”.

A última apresentação do Loop será “En El Vacio”, em que a venezuelana Melissa Sousa explora “o vazio como um espaço não ausente, com eco, com visão”. Propõe assim “um campo de forças que se atraem e se opõem, divergindo entre o conforto e o desconforto, numa pulsação metamórfica”.

Todos esses espetáculos serão precedidos pelo ‘workshop’ “Sampling”, que pretende funcionar como uma amostra do método de trabalho dos referidos coreógrafos e está aberto a 20 jovens bailarinos mediante inscrição prévia junto da organização.

Após as performances finais, à noite, o festival encerrará com uma conversa aberta em que o público poderá analisar com os artistas diferentes questões sobre danças urbanas e o processo criativo que essas envolvem.