APERC é caso único em Portugal em recuperação de crédito

Em 2004, foi fundada a Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Crédito, uma associação patronal sem fins lucrativos que agrupa as empresas da atividade de gestão e recuperação de créditos, a única do setor.

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O Diretor-Executivo da APERC, António Gaspar, fala sobre aquilo que neste momento é preciso mudar no setor, que preocupações e desafios surgem com novo Regulamento Geral da Proteção de Dados.

Hoje, com 23 Associados, mas com uma contínua perspetiva de crescimento, continua a querer albergar todas as empresas que tenham como o principal objecto as boas práticas. Esta é uma questão de extrema importância para pertencer à Associação que tem o seu próprio código deontológico.

“Respeitar o código deontológico é imperativo”. Além desta obediência Associativa, os nossos Associados têm também o seu próprio código de conduta, a maior parte das vezes, estribado no cumprimento de normas ISO. É fundamental que as empresas que fazem recuperação extrajudicial de crédito e que se queriam associar, tenham o respeito total pelo nosso código deontológico”, afirma António Gaspar.

Dos clientes dos Associados da APERC fazem parte os principais bancos portugueses e estrangeiros, sociedades financeiras, leasing’s, ifics, companhias de seguros, empresas de telecomunicações, grande retalho, entre outros. Os Associados APERC, têm mais de 1.100 colaboradores e gerem montantes superiores a 7.500 milhões de Euros.

UM DESAFIO CHAMADO GDPR

“Os desafios que aqui se colocam são no âmbito do novo Regulamento de Protecção de Dados, sem dúvida. Em Portugal as empresas ainda não estão preparadas para a implementação do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados, porque ele ainda não foi transposto para a lei portuguesa, ou seja, o Estado ainda não disse em que moldes ele se vai adaptar à lei existente. Em termos de coimas não se sabe em que circunstâncias e que valores serão aplicados… muito pouco se sabe. Como é que poderão as empresas ter tudo em ordem até maio do próximo ano? Há mais de vinte anos que não se fazia nada na União Europeia sobre proteção de dados e agora faz-se algo que vai estrangular as empresas?”, indaga o nosso entrevistado.

O CRÉDITO É BOM MAS É PRECISO SABER FAZER CONTAS

“O crédito é algo bom, pois ele garante o acesso a bens e serviços, que de outro modo não teríamos. Sem crédito, grande parte dos portugueses não teria uma casa ou um carro, por exemplo. A grande problemática relacionada com o crédito é a capacidade das pessoas pagarem as suas dívidas. Há portugueses que não sabem fazer contas”.

É como se muitos portugueses andassem constantemente no “fio da navalha”, por isso o rácio do endividamento sobre o rendimento disponível não deve, por isso, ser acima dos 40/45% da taxa de esforço por uma questão de segurança.

“Todos temos uma capacidade de endividamento mas é preciso perceber o que é um endividamento sustentável. É preciso saber fazer contas. Os portugueses são grandes consumidores de crédito e o incumprimento dá-se frequentemente por três motivos: doença, divórcio ou desemprego. Mas muito e, cada vez mais, por não se saber fazer contas atempadamente”, explica o nosso interlocutor.

UMA MENTALIDADE A REPENSAR

“É urgente mudar as mentalidades dos parceiros que trabalham com o sector da recuperação extrajudicial e amigável de crédito.

Em Portugal não existe a ideia, de que este sector é um verdadeiro parceiro daqueles que concedem crédito aos particulares e á economia.

Gostava de ver em Portugal o modelo brasileiro replicado – uma verdadeira parceria (ao mesmo nível), por parte de quem concede crédito e regista incumprimentos contratuais e aqueles que os ajudam a recuperar esses montantes vencidos, compondo as suas contas de demonstração de resultados, os seus balanços, as suas disponibilidades quase imediatas para os seus processos produtivos e a não necessidade de fazer “write-offs”, tão penosos e onerosos que são para quem os tiver que fazer”, refere António Gaspar.