Como em todas histórias, que precisam de um princípio, meio e fim, vamos começar pelo início. Quem é João Sousa? Durante o seu percurso, o que ditou a sua chegada à fundação da JPS Group?

Formei-me em Direito, mas iniciei o meu percurso com o contacto na área empresarial e dos negócios. Tinha 23 anos quando fiz o meu estágio e rapidamente percebi que estava mais vocacionado para os negócios do que propriamente para exercer direito. Sabia que não era essa a área que iria abraçar. Decidi dedicar-me à consultadoria de investimento financeiro e imobiliário e a partir daí tenho vindo a construir o meu percurso ligado a esta área. Tenho 39 anos e já tenho alguns anos de experiência nesta área. Passei um período da minha vida fora do país em negócios em África, na América do Sul e na Ásia. Fiz consultadoria de investimento da Europa para a América do Sul, mas de há quatro anos para cá comecei a montar uma estratégia para implementar no meu país. Portugal vivia uma crise financeira muito grande, em especial no mercado imobiliário, um dos setores mais devastado pela crise financeira. Comecei, portanto, a olhar para o meu regresso a Portugal e a estruturar um negócio pensado, com base no acumular das experiências lá fora que queria trazer para o nosso país. E assim nasce a JPS Group, desenvolvido e implementado em conjunto com um grupo de investidores que acreditavam neste projeto.

Vamos falar de liderança. Queremos destacar os líderes portugueses e deixar o seu testemunho aos nossos leitores. Portugal precisa de mais líderes ou de uma melhor liderança?

Precisamos de melhores líderes. Precisamos de líderes que compreendam que, por vezes, é preciso ir buscar e perceber o que se está a passar noutros países, ir buscar bons exemplos de liderança, modelos de negócios e soluções para levantar projetos. Esses é que são os bons líderes.

Enquanto havia uma maré de sucesso no setor imobiliário, quando tudo corria bem, era fácil as coisas acontecerem e deixarem-se ir na corrente. Quando chegou a crise ao país, nem todas as empresas tiveram capacidade para resistir e manter o negócio de pé. Faltava uma estrutura sólida e capacidade de se reinventarem.

O que é para si ser um bom líder? 

Acima de tudo é preciso capacidade de resistência e de proatividade. É preciso tentar antecipar aquilo que aí vem.

Às vezes não é fácil, como é óbvio, mas é preciso tentar fazer com que as dificuldades façam parte do aprendizado da pessoa, que façam para do seu crescimento e estar atento aos erros cometidos. Mas acima de tudo perceber que isto tudo é feito de relações humanas. As empresas são feitas de números, é verdade, mas quem faz esses números são as pessoas. A boa capacidade de liderança passa por conseguir retirar o melhor de cada pessoa e fazê-las sentir que fazem parte do projeto. É sempre isso que tento transmitir, por onde passei e em todos os projetos onde estive envolvido, tento fazer com que as pessoas sintam que fazem parte do puzzle. As instituições ficam, as pessoas passam, mas se tivermos a capacidade de trazer as pessoas e envolve-las no projeto e dinamizar o que há de melhor nelas isso vai refletir-se na empresa e no seu sucesso.

Estão presentes no mercado apenas há dois anos e querem marcar a diferença no mercado imobiliário português. Que balanço já é possível fazer?

Estamos presentes há quase três anos no mercado e o balanço já é bastante positivo. Todos os projetos que lançamos têm sido bem aceites. É um projeto que ainda está no início, mas que já tem uma carteira de clientes e uma carteira de investimento elevadas. Tem sido um processo árduo, mas estamos a caminhar para que se torne num projeto de grande dimensão.

Lançámos, recentemente, um empreendimento novo e, em termos de estratégia, temos já um caminho bem delineado para os próximos cinco anos que passa pelo que já foi construído até então. Somos um promotor com uma capacidade singular no mercado imobiliário em Portugal. Temos um conjunto de serviços que permitem levantar, internamente, um projeto no seu todo sem a subcontratação de serviços. Desde a arquitetura e engenharia até ao marketing e publicidade ou ainda do jurídico ao financeiro, disponibilizamos serviços que nos dão a capacidade de erguer um projeto imobiliário. Trata-se do projeto empresarial JPS Real Estate Investments que será o nosso foco nos próximos anos. Neste momento existem muitas aquisições feitas por investidores e com o JPS Real Estate Investments vamos posicionar-nos ao lado do investidor para desenvolver os seus projetos imobiliários, oferecendo as nossas valências. Seremos um parceiro para desenvolver projetos e disponibilizar todos os meios para alcançar o sucesso dos investidores.

Iniciaram atividade com a reabilitação, no centro de Lisboa, agora o foco é a construção nova, dirigida às famílias portuguesas. Porque é que o grupo sentiu esta necessidade de apostar na construção nova?

Lisboa é uma cidade que tem um potencial muito forte. Há a sensação de que só nos últimos dois anos é que se descobriu Lisboa, principalmente porque hoje é um destino Europeu bastante procurado, mas também muito falado e procurado a nível mundial. Lisboa tem potencial para continuar a crescer, os serviços estão melhores, há mais procura face a alguns focos de instabilidade existentes na Europa, é uma cidade segura e o nosso país ainda é um dos países com o custo de vida mais baixo. São fatores que fizeram evidenciar Lisboa no mapa.

Apostámos, assim, na JPS Group que optou por dois caminhos: inicialmente a reabilitação urbana, com foco no investimento estrangeiro, e, posteriormente, a construção nova com foco nas famílias da classe média que estão a sair de Lisboa para os arredores e precisam de habitação. Percebemos que havia uma necessidade de construção nova que não existe. O mercado começa a ter uma procura maior e não há oferta para corresponder às necessidades das famílias portuguesas. Este será o nosso caminho.

Quanto à reabilitação urbana, temos procurado projetos diferentes. Não vamos fazer reabilitar edifícios que não acrescente algo mais. A nossa reabilitação pauta-se pela sua maneira diferente de estar no mercado. Tem de ter uma marca diferenciadora e acrescentar valor.

E assim surge o SkyCity. Em que consiste este projeto?

O SkyCity é um projeto que pode ser considerado emblemático pelo facto de termos conseguido colocá-lo na rota do mercado imobiliário com uma presença muito forte. É acreditar que irá existir uma construção nova com todas as potencialidades de ter um baixo custo, qualidade e proximidade do centro de Lisboa a um preço competitivo e acessível. É um projeto único que vai trazer qualidade de vida às famílias portuguesas.

Já começámos a construção e, neste momento, o projeto SkyCity já está a ser comercializado em planta. Queremos criar uma mais-valia na construção, queremos envolver as pessoas na construção e que sintam que estão a construir a sua casa de sonho. Queremos que as pessoas possam escolher e personalizar cada divisão da casa.

Trata-se de um empreendimento, desenvolvido sobre um conceito de excelência, com 49 moradias isoladas, 66 moradias em banda e 255 apartamentos. 

Como analisa o mercado imobiliário português atualmente? Portugal está na moda? Quais são as perspetivas, a médio/longo prazo, para o mercado imobiliário?

Não é uma moda. Estamos a falar de uma conjuntura propícia e que irá revelar o seu potencial. Estão a ser investidos muitos milhões em infraestruturas e serviços e Lisboa tem todas as condições para continuar a ser dinamizada e oferecer boas condições. A par destes fatores temos ainda outros com as viagens low cost que cada vez trazem mais turistas às nossas cidades ou ainda fatores como qualidade de vida, segurança, estabilidade, bom tempo e boa comida que o nosso país oferece. 

Este setor tem sido devidamente apoiado?

Foram criados e bem, no setor da reabilitação urbana, alguns mecanismos legais para dinamizar a reabilitação. Estes mecanismos funcionaram bastante bem. Se olharmos para Lisboa há quatro anos atrás, a baixa estava completamente deserta. Hoje há vida na baixa de Lisboa, há prédios reconstruídos, turismo e movimentação. Podemos dizer que o apoio na reabilitação urbana foi eficaz. No que diz respeito à promoção imobiliária temos de ter atenção que o Estado não pode substituir os particulares. Pode criar mecanismos que permitem dinamizar o setor, mas há aspetos que não dizem respeito ao Estado e que têm de ser melhorados, como é o caso das questões burocráticas. 

Que maiores desafios enfrenta?

Com a saída de Portugal da crise e com o boom no mercado imobiliário verificou-se uma falta de capacidade de resposta por parte das empresas de construção que não têm mão-de-obra qualificada suficiente. A par das questões burocráticas relacionadas com os processos, como já referi, também há dificuldade em lidar com as próprias entidades licenciadoras.

Portugal quer atrair investimento estrangeiro, quer captar investidores, mas é preciso coordenar o sistema burocrático, que se pauta pela morosidade, para fazer jus à entrada de investimento e de investidores no país.

A JPS Group procura assumir um papel que permita coordenar e agilizar todos estes fatores, inclusive com as entidades, e procura encontrar soluções para ultrapassar obstáculos que possam surgir.

Com o Real Real Estate Investments o nosso foco será associar-nos a mais parceiros, investidores e projetos imobiliários, oferecendo os nossos serviços para desenvolver os seus projetos, sempre assentes no sucesso da operação. Queremos abrir o nosso leque de valências e oferecê-las ao mercado. Enquanto empresa conseguimos fazer o acompanhamento total de um projeto, desde o seu planeamento à concretização, através de uma equipa multidisciplinar e qualificada que irá garantir a taxa de sucesso da operação, Success Fee, a custo zero.

Na reabilitação urbana, no Real Estate Investments, a JPS Group reconstrói e co-investe em projetos de requalificação urbana através de serviços 100% integrados para os seus investidores.

A JPS Group pretende, portanto, assumir-se como um parceiro especialista no desenvolvimento de projetos imobiliários.